segunda-feira, novembro 30Diário online de Braço do Norte

Rafael uma lição que fica

A crônica semanal do psicólogo Robson Sombrio

Era e vai continuar sendo um cara legal, engraçado, divertido e pra frente, muito positivo é uma espiritualidade aguçada. Você deve estar se perguntando de quem estou escrevendo – Rafael, o “Maradona”, simplesmente se despede em um sábado à noite de todos nós. Foram dias tensos em que nós ficamos aqui apoiando à distância. Foi comovente saber da sua força para viver, da sua despedida. A vulnerabilidade da vida trouxe mais significado a nossa amizade e estreitou os laços. Muita gente gosta de você, Rafael. A amizade nos faz acreditar que ainda vale a pena viver, mesmo que o tempo cronológico vai passando. Uma parte de nós ainda vive as emoções.

Quem era você? Brincalhão, mas também muito responsável. Quantas fotos nas redes sociais, quantas histórias com Murilo, Marcelo, Helton, Rafa Savalágio, e outros amigos que não lembro nesse momento. Foi evidente que mais que aprender a viver contigo, foi aprender a viver. A nos relacionar uns com os outros. A nos divertir com responsabilidades e nos apoiar enquanto amigos. Na noite de sábado eu lembrei de alguns amigos, lembrei da minha irmã que também já partiu desse mundo. Nos emocionamos nos altos e baixos da vida de cada um, sem exceção. Seremos amigos e nos encontraremos mais breve. Isso basta para entender que futebol mais aproxima do que afasta.

Rafael, eu sei que sua família daqui a pouco vai entender que houve mais ganhos do que perdas. Mesmo que você tenha deixado saudades. A vida modifica qualquer história. Nos desperta para a vida, dá um chacoalhão no nosso comodismo e nos faz prestar atenção ao que é essencial. Tudo isso nos diz que a vida vai passar rápido e que não é preciso perder o sono por coisas que não são importantes. Perder o sono por insignificância e frivolidades. Você só ensinou o que é viver. Eu sei, você mandara sinais e não vai demorar muito (até mesmo porque as pessoas não morrem, apenas mudam de lugar), mas primeiro se recupera aí, que nós vamos nos recuperar aqui.

Por fim, as amizades nos fazem entender que todos temos uma história, e que não é só a sua história que é importante. Com a idade, com o passar do tempo, a gente fica mais sentimental. Nem todos os seres humanos criam vínculos, uns mais sentimentais, outros mais racionais. Me sinto privilegiado por ter vivido com você. Lembrei agora que dentro das quatro linhas você já jogou muito melhor do que Ceceu, já fez mais gols que Caroço, já jogou bola por debaixo das pernas do Telmo, já deu passe para um golaço Kakinho e o Barbosa. Eu sei, a gente vai bater uma bola novamente em outro campo, tudo é uma questão de tempo.

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Folha do Vale