Setor responde por cerca de 25% do PIB de Santa Catarina e registra a maior receita da história, apesar do aumento dos custos
Presidente do Sindicado das Indústrias da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne), José Antônio Ribas Júnior A suinocultura industrial de Santa Catarina manteve, em 2025, a posição de maior produtora e exportadora de carne suína do Brasil, consolidando-se como um dos pilares do agronegócio estadual e com participação estimada em cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) catarinense. O desempenho do setor reforça sua relevância econômica e social, especialmente nas regiões produtoras do Estado.
Ao avaliar o ano, o presidente do Sindicarne, José Antônio Ribas Júnior, destacou os resultados expressivos alcançados pela cadeia produtiva. Santa Catarina foi responsável por 51,2% do volume total exportado pelo Brasil e por 51,9% da receita das exportações nacionais, tendo como principais destinos mercados como Japão, Filipinas, China, México e Chile.
Em relação a 2024, o setor ampliou o volume de produção em 5,9%, o que contribuiu para um crescimento de 12,5% na receita, o melhor resultado da série histórica. No entanto, os custos de produção também apresentaram elevação, com alta de 6,1%, pressionando a rentabilidade das indústrias.
No cenário nacional, a cadeia de suínos catarinense mantém forte protagonismo. A produção brasileira está estimada em até 5,55 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 4,6% frente a 2024. Para 2026, a projeção aponta novo avanço, podendo alcançar 5,7 milhões de toneladas, um incremento de 2,7%.
Com base em dados da ABPA, Ribas ressalta que o Brasil deve exportar cerca de 1,49 milhão de toneladas de carne suína em 2025, volume 10% superior ao registrado no ano anterior. Para 2026, a expectativa é atingir 1,55 milhão de toneladas, com crescimento adicional de 4%.
“O maior mérito do setor é garantir o pleno abastecimento do mercado interno e exportar o excedente”, afirma o presidente do Sindicarne. A disponibilidade interna da proteína deve crescer 2,7% em 2025, com cerca de 4,06 milhões de toneladas, enquanto para 2026 a projeção é de 4,15 milhões de toneladas, aumento de 2,2%. O consumo per capita também segue em expansão, devendo alcançar 19 quilos por habitante em 2025 e 19,5 quilos em 2026.
Desafios para 2026
As projeções para 2026 são consideradas moderadamente otimistas pelo Sindicarne, com expectativa de custos mais equilibrados e demanda sustentada tanto no mercado interno quanto no externo. Ainda assim, o setor continuará enfrentando entraves estruturais associados ao chamado “custo Brasil”, como elevada carga tributária, gargalos logísticos, burocracia excessiva e um grande volume de normas regulatórias em todas as etapas da cadeia produtiva.
Outro ponto de atenção destacado por Ribas é a preservação do status sanitário, diante do avanço de casos de peste suína africana (PSA) em países da Europa. “Esse cenário pode representar oportunidades de abertura de novos mercados para o Brasil, desde que o país mantenha seus elevados padrões sanitários”, observa.
O dirigente também reforçou pautas históricas defendidas pelo Sindicarne, como a recuperação e duplicação de rodovias federais, a ampliação dos portos, a conclusão de projetos ferroviários e investimentos em infraestrutura logística. No oeste catarinense, principal região produtora, as necessidades incluem a duplicação da BR-282, a recuperação da BR-163 e da SC-283, além da ampliação da infraestrutura de energia, água, gás natural, aeroportos e centros de pesquisa, como a implantação de um novo polo da Embrapa e a consolidação de ferrovias estratégicas ligando o Estado ao restante do país.
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