segunda-feira, novembro 30Diário online de Braço do Norte

Aventuras do Theo

Coluna de Aline Patel Tramontin

Em um dia qualquer desta semana, após um dia exaustivo de trabalho, saí do escritório do meu marido e fui direto para a escola do Theo. Peguei ele e fomos para casa. Ao chegar em casa, preparei um lanchinho, deixei ele à mesa e fui para o sofá. Selecionei no Netflix “O gambito da Rainha” e fiquei. Após terminar o lanche, Theo veio até mim, resmungou algo. Questionei se continuava com fome. Não era isso. Notei que o que ele queria era atenção. Eu não estava com forças nem disposição de encarar brincadeiras com ele. Insisti para que pegasse sozinho sua caixa de brinquedos, a qual fica em seu quarto e a trouxesse para sala.


Passado algum tempo, ele não retornou. Chamei, não respondeu. Meu coração disparou, e aquele pensamento que dura um segundo me apavorou: “O que será que ele “aprontou?”; “Só o que me faltava ter acontecido algo, justo hoje que não estava afim de brincadeiras…” Em um pulo cheguei ao quarto dele e a seguinte cena se impunha ante meus olhos: Theo, na ponta dos pés, em cima do trocador, apoiado sobre as prateleiras, tentava, sem sucesso, pegar seu Minion de pelúcia. Para conseguir subir até o trocador, ele teve de subir na poltrona ao lado e se deslocar com uma passada para a cômoda mencionada. Pura emoção!
E aí, qual sua reação ao ver essa cena? “Não pode, Theo, desce já daí!” ou “Deixo explorar?”


Não tenho dúvidas de que sou responsável pela segurança do meu filho. Até por que ele com apenas três anos, por mais tímido e cheio de medos, não consegue distinguir algo com perigo extremo. Porém, ao mesmo tempo que sei de tudo isso, dentro de mim existe aquela mulher que adora um desafio. E como não desafiar meu filho em situações assim?
Desde pequeno encorajei ele a explorar. Se desejasse ver algo acima do balcão, ensinei a colocar o banquinho ou panela embaixo para aumentar seu campo de visão. Para subir as escadas do parquinho, ficava por perto supervisionando, mas quem segurava o corrimão e avançava os degraus era ele. Sempre confiei.

Devido a essa cena, busquei estudar um pouco sobre o tema: autoestima, autoconfiança e autocuidado. E suas implicações no desenvolvimento infantil.
Autoestima: A autoestima está ligada à nossa confiança. Acreditar que daremos conta dos desafios.
Autoconfiança: O desenvolvimento da autoconfiança é fundamental à manutenção da autoestima elevada, pois é a convicção que um indivíduo tem de ser capaz de fazer ou dizer algo com competência.
Autocuidado: Consequentemente, o autocuidado corresponde à preocupação de como nos colocamos diante do mundo, física e emocionalmente. Ligado à autoanálise para que sejamos conhecedores de nossas forças, fraquezas, limites, qualidades e defeitos.


A coragem para o enfrentamento advém dessa autoestima e autoconfiança fortalecidas ao longo da infância. A criança, quando verdadeiramente exposta a pequenos desafios, vai aprendendo a reagir de maneira positiva em relação a fracassos.


Enfim, não sou o tipo de mãe que diz não o tempo todo, e nem aquela que fica atrás do filho determinando o que e como deve fazer algo. Intervenho quando a segurança está em risco, mas também oriento a como fazer com confiança. Minha reação à cena foi: “Theo, como você subiu aí?! Você sabe que isso é muito perigoso? Quando você quiser algo que esteja no alto pode me chamar. Agora, para descer, segure bem firme na prateleira e mantenha o pé firme para se deslocar até a poltrona”. Desceu sozinho.

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Folha do Vale