segunda-feira, novembro 30Diário online de Braço do Norte

pandemia: Apocalipse now…

Luno Volpato

Qualquer título se pulveriza em face da expectativa caótica que o futuro sugere. O coronavírus, inimigo comum, alastra-se sem freios e ataca a sociedade como um todo. Cruel, devastador, letal! Seus tentáculos se insinuam por caminhos inimagináveis.
Dissimulado, sem aviso prévio, vai se esgueirando sorrateiramente por todas as esferas. Ninguém o paralisa. Poliglota, não respeita fronteiras, classe social, gênero, sexo, idade… Tempos difíceis!
As maiores economias do mundo acenam, pedindo socorro. A retórica fácil e populista não tem o condão de barrar o ciclo de horror que a natureza impõe. Surge como um tsunami ceifando histórias, sonhos e vidas. Muitas vidas… Pandemônio!
Por imprevisível encontrou as estruturas despreparadas e atônitas. Susto, medo, desolação! E o mais angustiante: até quando? Nenhuma luz no fim do túnel! Nenhuma resposta plausível num horizonte próximo. Um filme de horror com requintes de crueldade. Apenas susto, medo, perguntas sem respostas…
Ruas e praças desertas, estádios silenciosos, igrejas fechadas. Por todas as evidências, uma constatação inquestionável: o quadro é gravíssimo. Simplesmente mata! Mata, mata, mata… Os números crescem e assustam!
O isolamento social é uma questão de consciência e solidariedade. Pesquisas se intensificam. Na corrida contra o tempo, hospitais se erguem a toque-de-caixa. Não há tempo a perder! A ciência, capaz de pulverizar bombas e aviões invisíveis aos radares, mostra-se incapaz de barrar um pequeno vírus chinês, agora universal. O mundo está atônito, perplexo, paralisado. Em estado de choque, literalmente.
As bolsas oscilam entre o céu e o inferno em fração de segundos. Os circuit breakers são acionados para conter o clima de apreensão e ansiedade que assombra investidores, primeiro no oriente, depois aqui, em nossas redes de apostas.
Se não bastasse o clima de pânico, as fake news encontram espaço ideal para potencializar sua nefasta proliferação. Não há limites para o já caótico ambiente. O essencial e o leviano de mãos dadas! Não tem para onde ir… Se correr o bicho pega… Em comum o desespero em curso.
De repente o tempo, este parceiro improvável, apresenta-se como um grande aliado. De manhã, à tarde, à noite escancara sua disponibilidade. O dolce far niente está ao nosso inteiro dispor, agora como um desafio constante e inadiável. Prosear, jogar baralho, cortar grama, é apenas a face de mais uma rotina insípida. Haja criatividade para implodir o tédio inevitável.
Neste estranho contexto, muitas estatísticas e nenhum parâmetro. Os mais céticos se rendem à inclemência dos fatos. Tudo é novidade! E o sinal dos tempos: máscara em todos os rostos! Nunca é demais repetir o mantra que não quer calar: Fica em casa! (Em todas as línguas!)
E pensar que estamos apenas no começo de uma longa trajetória de incertezas sintomáticas e assintomáticas…

*Braçonortense Membro da Academia Campinense de Letras

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