Redução da oferta causa aumento do preço

Arroz, feijão e óleo de soja são apenas alguns itens que compõem a cesta básica alimentar que, nas últimas semanas, têm sofrido um aumento significativo de preços. Em alguns casos, como o do arroz, alta chega perto dos 100% em dois meses.
Para a empresária Rosidalva Mayer Wensing Rech, a “Dalva”, sócia do Supermercado Colonial, o aumento abrupto de certos gêneros alimentícios pode ser resumido a um primordial fator: escassez de produção. “O que houve é que os produtos alimentícios estavam baixos no mercado. O produtor estava recebendo muito pouco. Além disso, com o dólar em alta, muitos têm priorizado a exportação em detrimento do mercado interno. Isso gerou escassez de alimentos e, com a redução da oferta, os preços dos alimentos aumentaram”, analisa.
Como os preços pagos para o produtor aumentaram, o efeito cascata faz com que o consumidor também tenha que pagar mais. “O arroz e o óleo têm sido os produtos que mais subiram. Há dois meses, o arroz era vendido a pouco mais de R$ 9 o pacote de cinco quilos. Hoje, já está sendo vendido em alguns lugares a R$ 20. No nosso mercado ainda consigo fazer a R$ 17, pois ainda temos em estoque. Já o óleo, para se ter uma ideia, de uma semana para outra, passamos a pagar cerca de R$ 15 mil a mais por uma carga de caminhão”, afirma a varejista.
Apesar de repentino, Dalva argumenta ser um movimento dentro da normalidade e não acredita em uma possível falta de alimentos nas prateleiras dos supermercados. “O que ocorre é que os produtores agrícolas estavam recebendo muito pouco. O arroz não subia há anos. Então, chega um momento em que a produção deve ser reduzida para melhorar o preço. É um movimento natural”, assegura. “Quanto ao medo de desabastecimento, isso não vai ocorrer. Acredito que seja mais uma jogada dos fornecedores para que o varejista comprar apressadamente o produto, fazer estoque com medo de que falte”, complementa.

Governo reduz imposto do arroz importado

Com o objetivo de reduzir o preço do arroz ao consumidor, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério da Economia, decidiu na quarta-feira, 9 de setembro, zerar a alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado. A isenção tarifária valerá até 31 de dezembro deste ano. A redução temporária está restrita à cota de 400 mil toneladas, incidente arroz com casca não parboilizado e arroz semibranqueado ou branqueado, não parboilizado.
A decisão foi tomada durante reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Camex, a partir de um pedido formulado pelo Ministério da Agricultura. O colegiado é integrado pela Presidência da República e pelos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Procon incentiva consumidor a denunciar abusos

Ainda que tudo indique que o aumento dos alimentos seja por conta da redução da oferta por parte do produtor, o Procon de Braço do Norte orienta aos consumidores ficarem atentos a possíveis abuso de preços. “Para que o Procon possa acionar a fiscalização é necessário que o cidadão denuncie a possível prática abusiva. Se o consumidor for a algum estabelecimento e achar que o preço de determinado produto não condiz com a realidade, ele pode procurar o Procon diretamente ou pelos nossos telefones. Pode até mesmo fazer uma foto e nos encaminhar. Caso haja mesmo indício de prática abusiva de preços, o Procon Estadual é acionado e, aí sim, a fiscalização é realizada”, destaca Cleber da Silva, coordenador do órgão em Braço do Norte.
“Podemos usar o seguinte exemplo. Sabemos que o preço do botijão de 13 quilos de gás de cozinha, sem o casco, precisa custar em torno de R$ 70, um pouco mais. Muito acima disso, mais de R$ 80, vamos supor, já é demais. Nesse caso, o consumidor pode denunciar o Procon”, ressalta.
Ele destaca também que o aumento deliberado de preços ao consumidor pode sair caro para o vendedor ou prestador de serviço. “Algumas vezes, o dono de um estabelecimento pode achar que, ao aumentar o preço de algo para um valor muito acima da realidade de mercado, está se dando bem, aumentando seus lucros. Mas, caso seja flagrado praticando preços abusivos, esse lucro pode se converter em um baita prejuízo. Pois a prática abusiva, se verificada, acarreta em multas altíssimas”, declara.
O Procon de Braço do Norte funciona na Central do Cidadão, na Rua Deputado Frederico Kuerten, 33, Centro. Os telefones de atendimento são 3658-7674 e 3658-2510, e o e-mail é procon@bracodonorte.sc.gov.br.

Alta é provocada por situação atípica, diz analista da Epagri

Haroldo Tavares Elias, analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, em Florianópolis, afirma que o aumento dos alimentos nos supermercados ocorre por conta de uma série de fatores atípicos no mercado interno e no exterior. Um desses fatores tem sido a pandemia de Covid-19. “Durante a colheita da safra de verão teve início a pandemia. No primeiro momento, a reação do mercado de grãos (milho e soja) foi negativa. A economia mundial estava em declínio, com o consumo de grãos, por consequência, sendo impactado por esta queda”, informa.
“Porém, com a maior demanda pelos produtores de proteína animal e as expectativas das exportações no segundo semestre, ocorreu um fato inédito: a alta nos preços internos do milho em plena colheita da segunda, e maior, safra no Brasil. Os preços bateram recordes em vários momentos, nos portos e no mercado interno. Situação semelhante tem a acontecido com a soja”, acrescenta.
Quanto ao arroz e ao feijão ainda segundo Elias, os alimentos se valorizaram com a demanda aquecida no início da pandemia, com os consumidores formando estoques diante do medo de desabastecimento. Além da demanda, outros fatores contribuíram para a instabilidade nos preços. A redução da área de cultivo de produtos básicos para substituir pela soja tem concentrado a produção e reduzindo a oferta.
Para o analista, para combater a alta dos preços, o incentivo à produção local é de grande importância. “A pandemia, aliada à crise econômica que a precede, evidencia a importância da disponibilidade de produção local de alimentos, de forma mais distribuída. Os pequenos produtores, ao serem tomadores de preço e não influenciarem individualmente os preços locais, diminuem a volatilidade de preços, o que colabora com a segurança alimentar da população onde se insere”, defende.


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