Ketlen marca 100 gols e homenageia a avó

Esse gol eu dedico à minha avó, que era santista e, infelizmente, não conheci. Mas cresci ouvindo as histórias dela, do amor que tinha pelo Santos, que era fã do Coutinho e do Pelé. Ainda esta semana minha mãe brincou, dizendo que minha avó estaria na arquibancada comemorando junto comigo”.
A emocionada declaração é da jogadora de futebol Ketlen Wiggers, natural de Rio Fortuna, que no último domingo, dia 13, anotou seu centésimo gol pelo Santos, na vitória por 2 a 0 contra o Minas Icesp, equipe sediada em Brasília. O jogo foi válido pela nona rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino e o placar assegurou a permanência do time paulista na liderança da competição, com 24 pontos.
Para se ter uma ideia do feito de Ketlen, pouco mais de 20 atletas alcançaram o centésimo gol no Santos. Na lista figuram nomes como Pelé, Coutinho, Robinho e Neymar. A riofortunense é primeira jogadora feminina do Peixe a atingir esse marco e também a segunda atleta mais jovem a estrear na equipe profissional do clube, aos 15 anos. Antes dela, nem mesmo Pelé. Coutinho é quem detém o título de mais novo jogador.
Em Rio Fortuna, a mãe de Ketlen, Rosiléia DaRolt Machado, a “Preta”, lembra do início da carreira da filha e da influência da avó, dona Dozolina, no amor pelo futebol. Ainda que avó e neta nunca tivessem se conhecido. “Quando criança, a Ketlen adorava jogar bola com os meninos. Desde cedo demonstrava potencial para o esporte. Então, eu contava à minha filha sobre a sua avó, que, assim como ela, também adorava esportes e brincadeiras que envolviam atividades físicas. Quando criança, minha mãe também jogava bola com os meninos. Chegava a fugir de casa para isso”, lembra com carinho.
“Minha mãe faleceu muito nova, aos 49 anos. Ela foi minha mãe, minha professora do Primário, e minha melhor amiga. Meus dois filhos mais novos, entre eles a Ketlen, não conheceram ela. Então eu quis fazer questão de sempre contar as histórias da avó. Entre elas, o fato de que ela era fã do Coutinho e do Pelé, e de que, naquele tempo, ouvia os jogos dos Santos no rádio”, diz Preta.
Nos dias de hoje, dona Dozolina é um modelo a ser seguido. Preta busca ter com Ketlen a mesma relação de mãe e filha que teve com a sua mãe. “Quando Ketlen acabou selecionada para ir para o Santos, meio que veio um arrependimento. Não queria me separar da minha filha tão cedo. Mas, Ketlen insistiu para ficar em Santos, somente como experiência e, assim, foi ficando. Então, tento manter essa relação de amizade, de confidentes. Ela me conta dos seus problemas e das suas conquistas”, destaca a mãe da atleta.

Homenagem ao treinador e campanha

Além da avó, ao comemorar o seu centésimo gol, Ketlen também homenageou o treinador do time, Guilherme Giudice, que ainda em meio à pandemia teve que se submeter a uma cirurgia para a retirada de um câncer no pescoço. “Eu falei para o Gui que o gol seria para ele também, por tudo aquilo que ele passou nos últimos meses e todo o apoio que ele me deu esse ano”, destacou a atacante após o jogo de domingo.
Após o famoso gol, Ketlen passou a semana colhendo os louros do seu feito. Toda a repercussão pelo centésimo gol gerou uma campanha nas redes sociais: #KetlenNoMuro. A campanha faz menção aos painéis pintados nos arredores do Centro de Treinamento Rei Pelé, onde são retratados os maiores ídolos do clube. “Já pensei em poder estar no muro do CT, sim. Posso até participar da campanha (risos). Fico feliz pelo reconhecimento do trabalho sobre ser uma grande atleta, um nome importante no Santos. Espero que esse sonho se realize. Lá só tem ídolos. Eu ficaria muito feliz”, concluiu.

Dona Dozolina, a única de calças entre as irmãs, sempre demonstrou forte personalidade

Sucesso e simplicidade

Na cidade, muitos lembram da menina Ketlen, que adorava jogar bola com os amigos. “Desde cedo, ela já jogava muito bem, demonstrava muito potencial”, conta o primo Gabriel Vandresen, que é profissional de Educação Física. “Aos 14 anos, ela foi participar de uma peneira do Santos e, entre 800 meninas, foi selecionada. Antes dela estrear, o clube teve que esperar ela completar 15 anos, que é a idade mínimo para atuar como profissional, pois ainda não havia categorias de base. Aqui em Rio Fortuna, parentes e amigos, e até mesmo que não a conhece pessoalmente, torcem muito por ela”, garante.
Para o primo, a atleta, que também já atuou na Seleção Brasileira, agora com 28 anos, ainda tem muito a crescer no esporte. “O mais importante disto é que Ketlen, apesar de tudo, continua sendo a mesma menina que víamos jogar bola com os garotos. É uma moça simples, humilde e com muita força de vontade, merecedora do sucesso que conquistou”, afirma.


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