Segunda-feira, 22 de junho de 2026 QUEM SOMOS COLUNISTAS PUBLICAÇÕES LEGAIS CONTATO
Braço do Norte/SC
22 °C
13 °C
Provida gripe
GERAL

União Europeia aprova acordo com o Mercosul após 26 anos e avança para criação da maior zona de livre comércio do mundo

Tratado promete ampliar acesso de produtos do agronegócio brasileiro ao mercado europeu

Por Redação Mercosul

Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia aprovou a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, destravando um dos tratados mais aguardados do comércio internacional. O pacto, iniciado em 1999, cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores e representando aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

O aval foi concedido por 21 dos 27 países do bloco europeu, após a adoção de salvaguardas para proteger o mercado agrícola da União Europeia e do compromisso de redução de tarifas sobre fertilizantes, medida que tende a diminuir custos de produção. Agora, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e passar pelos processos de regulamentação para entrar em vigor.

O texto prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, ampliando significativamente o acesso de produtos do Mercosul, especialmente do agronegócio brasileiro, ao mercado europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a decisão nas redes sociais e classificou o momento como histórico. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo União Europeia–Mercosul é histórica. A Europa está enviando um sinal forte”, afirmou.

Segundo a Comissão Europeia, países como Alemanha e Espanha defendem o acordo como estratégico para a abertura de novos mercados, compensar perdas decorrentes de barreiras comerciais impostas por outros países e reduzir a dependência econômica da China. Estimativas indicam que cerca de 60 mil empresas europeias que exportam para o Mercosul serão beneficiadas, com economia anual de aproximadamente 4 bilhões de euros em tarifas e procedimentos aduaneiros mais simples.

Do lado sul-americano, os impactos também são expressivos. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que o Brasil tende a ser o principal beneficiado pelo tratado. Até 2040, a implementação do acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.

Apesar do avanço, o pacto enfrenta resistência dentro do próprio bloco europeu. Países liderados pela França temem o aumento da importação de alimentos mais baratos, o que poderia prejudicar produtores locais. França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica se absteve. As tensões se refletiram em protestos recentes: agricultores poloneses marcharam em Varsóvia com faixas contrárias ao Mercosul, e manifestações com bloqueio de rodovias também foram registradas na França e na Bélgica.

Com o resultado confirmado, a expectativa é de que Ursula von der Leyen viaje ao Paraguai já na próxima semana para formalizar a assinatura do acordo com os países do Mercosul, dando mais um passo para a consolidação do tratado que pode redefinir o comércio entre Europa e América do Sul.

 

Compartilhar: