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COLUNISTAS

Entre uma Heineken, um amigo e Bruce Springsteen

22/02/2026 10h27 | Atualizada em 22/02/2026 10h26 | Por: Robson Sombrio

Era um dia de janeiro. Um amigo manda mensagem: “Tá na cidade? Quase todo mundo foi pra praia. Vem almoçar aqui. Tem carne, guimes, arroz… nada de luxo hoje, aqui no seu Vilson Cordioli e na dona Marlene. Vem pra gente beber uma Heineken”. Sem mais. Claro que eu fui. Um calor danado naquela quinta-feira. Almoçamos, na verdade, já tínhamos almoçado, e fomos pra área da casa. Continuamos na cerveja. A Sílvia entrou pra sala, no ar-condicionado. Logo a irmã dela chegou, de outra cidade. As duas lá dentro, e nós aqui fora.

Como bons amigos que somos desde o nascimento, desde o tempo de criança, a gente falava de tudo. Sobre tudo. Tínhamos intimidade pra isso, e o papo fluía. A JBL ligada. E ele gosta muito de Bruce Springsteen (nunca sei escrever direito esse sobrenome). Dois meses depois daquele dia, apareceu pra mim um filme sobre o Bruce. Um filme sem muito alarme de Hollywood. Mas com uma história bacana. O Bruce tem depressão. Seu empresário busca ajuda pra ele. E isso me tocou. Bruce foi pra terapia.

Dez meses depois, ele volta a fazer show e diz, para seu empresário, que está encontrando o seu caminho. Bruce ajuda o pai e a mãe com casa e dinheiro. O pai dele é uma boa pessoa. O filme é baseado no livro "Deliver Me from Nowhere", de Warren Zanes. Algumas frases ficaram comigo: “Tudo morre, querida, isso é fato. Mas talvez tudo o que morre, um dia volte.” E também: “Eu tenho um emprego, e tentei guardar meu dinheiro”.

Bruce continuou lutando contra a depressão, mas nunca mais sem ajuda e sem esperança. Valeu, Rafael, pelo bom papo, pela conversa e por colocar pra tocar Bruce Springsteen. Vou colocar meus fones agora e ouvir de novo. Porque, no fim, entre um almoço simples, uma cerveja gelada e uma música, a gente também vai, aos poucos, encontrando o próprio caminho.

Entre bailes, muros e magias

14/02/2026 09h12 | Atualizada em 14/02/2026 09h13 | Por: Robson Sombrio

Neném, Valdemar Cândido, foi, antes de tudo, um construtor de caminhos. Um homem generoso, visionário e apaixonado pela música, que acreditava nas pessoas e no poder dos encontros. Muito mais do que um dos fundadores da banda Matusa, ele foi alguém que fez acontecer, que abriu portas, que aproximou artistas, públicos e sonhos. Sua presença era simples, mas marcante; sua postura, sempre respeitosa; e sua forma de trabalhar, feita com verdade, dedicação e amor pelo que fazia. Lembro com carinho da única vez em que conversamos, no Cabana Grill, em Braço do Norte. Uma conversa breve, mas suficiente para perceber o quanto ele era humano, acessível e inteiro no que acreditava.

O Matusa fez parte da nossa formação afetiva. Não foi só trilha sonora; foi encontro, foi abraço, foi identidade. Arrastava gente de tudo quanto é canto e, sem exagero, era o melhor show nacional que a gente podia viver naquela fase da vida. A banda marcou uma geração inteira e ajudou a escrever a história dos nossos fins de semana, das nossas amizades e da nossa juventude. E hoje é impossível separar essa memória da figura do Neném, que esteve nos bastidores, sustentando sonhos para que a magia do palco pudesse existir.

Fica aqui a despedida de alguém que viveu com alegria e que levou felicidade aos bailes da vida. Porque ninguém vive sem arte. A música tem esse poder silencioso de encantar pessoas, aproximar histórias e atravessar gerações. Lembro como se fosse hoje: “galera, vai ter Matusa em Orleans”, “O Matusa vai tocar em Urussanga”… e todo mundo ia. Teve até uma vez em que a vontade de estar lá era tanta que, sem dinheiro no bolso, a gente pulou o muro. Éramos jovens querendo viver a vida. Eu sei que o certo a gente não fez, mas era o que a nossa juventude conseguia naquele momento.

Os bailes tinham seus encontros, seus encantos e também suas imperfeições, como a própria vida. Este texto nasce para deixar algumas palavras de carinho e conforto aos amigos e familiares do nosso ídolo, que ajudou a construir tantas memórias felizes. E, para encerrar, deixo um verso que hoje soa como despedida e como gratidão, na voz dos Titãs, na canção Marvin:
“A vida é pra valer, eu fiz o meu melhor… e o meu destino eu sei de cor.”

A Praia é a Sobremesa da Vida

25/01/2026 07h45 | Atualizada em 25/01/2026 07h46 | Por: Robson Sombrio

A praia, em si, já carrega uma energia boa. O mar, a água salgada, o vento no rosto e o pé descalço na areia. Tudo ali faz bem. Quantas vezes, ao longo do ano, a gente tira o sapato e pisa o chão sem pressa? Na praia, a caminhada é livre, quase terapêutica. A gente troca energias, descarrega o peso dos dias, se renova. O corpo relaxa, a mente desacelera e o coração encontra um ritmo mais humano.

Na praia, as famílias se aproximam de um jeito raro. Dividem o prato, repartem o mesmo pão, a mesma conversa. Tudo vira confidência, tudo vira escuta. Pai, mãe, irmãos, primos. Todos ali, ao mesmo tempo, na mesma hora. Não há urgência, não há relógio mandando. São momentos simples, cotidianos, mas que se tornam únicos. E justamente por isso, eternos.

Lembro da casa de praia da Dona Osmarina, amiga da minha mãe. Ali, entre um café e outro, falávamos da vida dela: das viagens, do trabalho, das rotinas. Em meio às conversas, descobri que, em São Paulo, ela e minha mãe haviam comprado meu enxoval. Aquilo me atravessou de um jeito bonito. Percebi que, muito antes de eu entender o mundo, já havia cuidado, afeto e dedicação sendo tecidos em silêncio. A praia também é isso: um lugar onde as memórias ganham voz.

E tem comida boa na mesa. Siri, camarão, peixe fresco, sorvete derretendo rápido demais. A carne suína e a bovina dão uma pausa; os frutos do mar trazem leveza, trazem vida. E para quem não gosta, tudo bem: arroz com ovo resolve qualquer história. O que importa não é o cardápio, é o encontro. A vida é curta. Então coma a sobremesa primeiro. Porque a praia, no fim das contas, é exatamente isso: a sobremesa da vida.

Acolhimento: aquilo que realmente sustenta a vida

19/01/2026 11h11 | Atualizada em 19/01/2026 11h09 | Por: Robson Sombrio

A vida não vem com receita pronta. Não aponta qual é o melhor caminho, nem entrega respostas claras sobre o que fazer em cada encruzilhada. Neste fim de ano, ao reler passagens da Bíblia, especialmente as palavras de Jesus Cristo, o “JC” como gosto de chamá-lo, me veio a imagem de alguém profundamente humano: um bom ouvinte, acolhedor, atento às dores alheias. Em certo momento, ele diz algo como: “falando, vocês não aprendem”. Talvez porque algumas coisas só se aprendem vivendo, sentindo e se relacionando.

No dia 20 de janeiro teremos um churrasco com os amigos. Amigos que já são irmãos. E o bom da vida é isso. Esses encontros não resolvem nossos problemas, não tornam o caminho mais leve automaticamente, mas fazem algo fundamental: nos ajudam a acordar e viver melhor nos dias seguintes. É uma turma que cresce, mas cresce sustentada por uma palavra simples e poderosa: acolhimento.

A neuropsicologia confirma aquilo que a vida sempre ensinou. Somos seres sociais. Nosso cérebro se desenvolve, se organiza e encontra sentido na relação com o outro. Não fomos feitos para viver sozinhos. Precisamos pertencer, ser aceitos, ser inteiros diante de alguém. O vínculo reduz sofrimento, fortalece a saúde emocional e nos ajuda a enfrentar a complexidade da existência.

No fim das contas, talvez a vida não precise ser tão complicada. Rir das mesmas coisas, se divertir com o banal, estar junto sem grandes explicações. Não é assim que a vida deveria ser? Simples, humana e compartilhada. Porque, se pensarmos bem, o que realmente precisamos não é de respostas prontas, mas de encontros que acolhem.
 

Enquanto a chuva passa, a gente fica 

15/01/2026 08h45 | Atualizada em 15/01/2026 08h45 | Por: Robson Sombrio

Como começa um bom texto? Talvez comece com uma pergunta. Ou com uma verdade simples: a vida não vem pronta. Nem tudo está resolvido, nem tudo estará. E está tudo bem. Há coisas que realmente importam e outras que só parecem importantes. A vida é feita de aprendizados constantes, e ninguém passa por ela sabendo tudo.

A vida não é fácil. Tem dias difíceis para todo mundo. Dias em que o peso parece maior do que a gente consegue carregar. Mas eu aposto com você: os dias felizes também existem. E é sobre eles que eu quero falar. Ou melhor, escrever.

Todo início de ano a gente se encontra. Os amigos da adolescência. Você já deve imaginar como é: risadas soltas, histórias repetidas, lembranças que só fazem sentido para quem viveu. E talvez seja isso que a vida tenha de mais bonito: os encontros. As alegrias compartilhadas. Os dias em que a gente percebe que não está sozinho.

O bom da vida são as pessoas. Gente que só de estar perto já faz bem. Gente que, num olhar, sabe se você está triste ou feliz. Gente que se preocupa, que cuida, que permanece. E aí fica a pergunta: que tipo de pessoa você tem sido para os outros?

Eu estou feliz por escrever este texto. O sol brilha bonito enquanto escrevo, e carrego comigo uma frase simples, mas poderosa: “Sempre que choveu, parou.” Assim são as nossas dificuldades. Elas passam. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de um ombro amigo dizendo que vai ficar tudo bem. Muitas vezes, o que a gente mais precisa é ser acolhido.

Hoje é quinta-feira, 15 de janeiro. Dia de encontro da Turma do Tio Parça. Pessoas incríveis tentando ser ainda melhores para si mesmas e para os outros. Aqui ninguém ri de ninguém. A gente ri da gente mesmo. E isso é libertador. Me diz: há quanto tempo você não ri de verdade?

A amizade que construímos é rara. É forte. É verdadeira. E sim, a gente sabe: ela provoca inveja. Não por ostentação, mas porque é real. Porque é leve. Porque é abrigo. Amizade assim muda vidas. Sustenta dias difíceis e multiplica os dias felizes.

No fim das contas, é isso que fica: as pessoas, os encontros, os risos e a certeza de que, mesmo quando chove, sempre passa. E enquanto passa, a gente passa junto.

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