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Meliponicultores de SC ganham novo incentivo

Por Redação

Portaria regulamenta comercialização de mel de abelhas sem ferrão

Os meliponicultores, criadores de abelhas sem ferrão, contam com um novo incentivo para desenvolver a produção. No início de novembro, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, estabeleceu novas normas que permitem a esses produtores a comercialização do mel deste gênero específico de abelhas, as meliponas.


A portaria SAR nº 37/2020 foi publicada no dia 3 de novembro e estabelece a identidade e os requisitos mínimos de qualidade que deverão ser apresentados pelo mel de abelhas sem ferrão produzido no Estado. A norma reconhece o hábito regional e tradicional do produto, destinado ao consumo humano.


Para o presidente da Associação de Meliponicultores das Encostas da Serra Geral (Amesg), o agricultor Ozires Esser Suethe, de São Ludgero, a portaria é boa oportunidade para o crescimento do setor. “A produção da nossa região é focada mais na multiplicação e comercialização de enxames, pois não possuímos por aqui uma florada suficiente para produzir mel em uma escala maior”, comenta. “Porém, essa portaria não deixa de ser um grande incentivo. Pois, à medida que surgirem produtores interessados em comercializar o mel em outras regiões, como no Oeste do Estado, onde há mais condições de obterem uma boa florada, mais enxames são necessários. Isso estimula a cadeia produtiva”, explica.


Com a aprovação da norma, o mel das abelhas sem ferrão terá as classificações de acordo com a sua origem, pela sua apresentação, pelo seu processamento e ainda possuir características sensoriais, físico-químicas e características essenciais de qualidade. Luiz Miguel Rech, meliponicultor e médico veterinário da prefeitura de Santa Rosa de Lima, destaca que uma das principais contribuições da portaria é a simplificação do processo de comercialização.


“Não que antes não era permitido, mas havia uma série de questões burocráticas que dificultava a venda do mel. O que nós temos que pensar agora, para desenvolver ainda mais a meliponicultura, é na cadeia produtiva ou identificar regiões produtivas. Para a nossa região, por exemplo, como trabalhamos mais na formação de colônias para a venda, a partir do momento em, que um cliente quiser investir em mel, é importante que tenhamos abelhas para fornecer”, destaca Luiz Miguel, que também é membro da Federação Catarinense de Apicultura e Meliponicultura.


Como médico veterinário que atua no serviço de inspeção municipal, a norma também ajuda na padronização da fiscalização em todo o Estado. “Agora temos que trabalhar cada vez mais para a difusão da meliponicultura ser difundida. Os produtores poderão, por exemplo, trabalhar na produção de floradas, identificar espécies para a produção de mel, enfim, é um grande incentivo”, opina.


As abelhas sem ferrão também são chamadas de nativas. São de fácil manejo e podem ser criadas em áreas rurais e urbanas. A espécie é conhecida por ser polinizadora mais eficiente do que a Apis mellifera (com ferrão) para grande parte das plantas cultivadas. Além de produzirem um mel de alta qualidade gastronômica, desempenham um papel fundamental como polinizadores, garantindo a sobrevivência de plantas nativas e cultivadas, e assegurada a produtividade frutífera do Estado.


Municípios da Região das Encostas da Serra Geral, entre eles Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna e São Martinho, são considerados pioneiros na criação das abelhas sem ferrão. Seus criadores há décadas desenvolvem técnicas e divulgam a meliponicultura para todo o Brasil. Em Santa Catariana, de acordo com levantamento feito pela Epagri e Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), em 2019 aproximadamente 6 mil famílias de Santa Catarina tinham na meliponicultura uma importante fonte de renda complementar.

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