Artigo: A força da mulher que lidera
Quando o conhecimento jurídico e de todos os processos do negócio se tornam liberdade, estratégia e crescimento
Ao atuar como mentora de um grupo do Núcleo da Mulher Empresária da Acivale, pude observar de perto um padrão que venho testemunhando nas últimas duas décadas e meia: existe algo profundamente comum entre todas as mulheres que lideram empresas que prosperam com consistência. Elas conhecem seu negócio em todos os níveis. Não apenas a atividade-fim, não apenas números, equipes ou estratégias comerciais, mas a estrutura jurídica que sustenta, protege e direciona cada decisão empresarial.
Sou Aglaie Botega Possamai, advogada há 25 anos, inscrita na OAB/SC 15.475, especialista em Direito Empresarial, com atuação no contencioso, consultoria jurídica, planejamento societário e advocacia preventiva. Comando um escritório de advocacia em Braço do Norte e, ao longo dessa trajetória, acompanhei empresas de diversos portes e segmentos enfrentarem os desafios do crescimento. E em todos esses cenários, um princípio se manteve inabalável: negócios sólidos são sempre conduzidos por lideranças que dominam o caminho jurídico que trilham.
Quando essa liderança é feminina, esse conhecimento deixa de ser apenas uma ferramenta técnica. Torna-se autonomia, liberdade e força. Sempre digo às minhas clientes que não existe liderança plena sem conhecimento societário pleno. E nesse ponto, o contrato social é, ao mesmo tempo, o documento mais subestimado e o mais determinante de qualquer empresa. É nele que vivem respostas essenciais sobre quem responde pelo quê, como decisões são tomadas, como entra e como sai um sócio, como se protege o patrimônio, como se divide o poder, como se enfrenta o inesperado e como se planeja o futuro. É também ali que se define o impacto de situações delicadas, como o que acontece quando um sócio se separa do cônjuge e isso recai sobre o negócio, quando falece, quando seus herdeiros permanecem ou não na sociedade, ou quando termina o affectio societatis, seja para um sócio minoritário que precisa ser indenizado, seja para o majoritário que não deseja mais seguir na sociedade.
A mulher que lidera precisa dominar cada cláusula, cada efeito e cada omissão, assim como todos os processos produtivos. Não para se sobrecarregar, mas para caminhar com segurança. Esse preparo jurídico se torna ainda mais indispensável à medida que a empresa cresce, porque o universo empresarial exige maturidade em todas as suas fases. Fusões e aquisições, associações empresariais, dissoluções societárias, separações conjugais que afetam o patrimônio, sucessões, ausências inesperadas, entrada de investidores, mudanças na estrutura de poder, governança ou mesmo abertura de capital. Nada disso é simples burocracia. São ferramentas de blindagem, longevidade e estabilidade.
A advocacia preventiva existe justamente para que o negócio não dependa da sorte e para que decisões sejam conscientes, não urgentes. E é diante dessa realidade que reforço uma convicção que carrego: a mulher bem informada ninguém conduz; a mulher preparada ninguém enfraquece; a mulher consciente ninguém diminui. Quando a líder feminina compreende sua empresa, seus direitos, suas responsabilidades e seus limites, ela governa com precisão. Não para competir com homens ou para provar qualquer coisa ao mundo, mas para ocupar com excelência o espaço que construiu com estudo, coragem e determinação.
Mas, conhecer o negócio é apenas um dos pilares dessa liderança. Há outro igualmente determinante: conhecer a si mesma. Isso também fez parte do trabalho como mentora no Núcleo, onde pude observar o quanto fortalecer o interior impulsiona a força externa. Sempre incentivo minhas clientes a agirem com intencionalidade, a definirem semanalmente cinco atitudes inegociáveis, a praticarem disciplina acima da motivação. Porque, motivação é instável, mas disciplina constrói futuro ao enfrentar a voz interna que sabota, infantiliza e limita. Toda mulher conhece essa voz, mas toda líder aprende a silenciá-la.
Quando o domínio jurídico se une ao conhecimento profundo do próprio negócio e ao fortalecimento interior, forma-se uma líder impossível de deter. E é por isso que meu propósito continua sendo o mesmo: ajudar pessoas a liderar com segurança, ajudar empresas a crescer com inteligência e ajudar histórias a prosperar com consciência jurídica.
Nenhuma mulher é frágil. Frágeis são apenas as empresas conduzidas sem clareza, sem orientação adequada e sem domínio dos próprios riscos. A mulher que conhece sua empresa, que sabe onde quer chegar e que compreende os mecanismos que sustentam o caminho transforma vulnerabilidade em estratégia. E mulheres estratégicas não se limitam: avançam.
Importante
Nosso escritório jurídico é formado por uma equipe de três advogadas, uma psicóloga, que também é nossa secretária executiva, e uma estagiária. Mas ao todo, são nove mulheres que atuam direta e indiretamente conosco. Somos especializados em Direito Empresarial e trabalhamos diariamente ao lado de empresas, empresários, empresárias, gestores e gestoras. Ainda assim, neste artigo escolhi trazer uma fala direcionada especialmente às mulheres, porque esta publicação integra o informativo do Núcleo da Mulher Empresária de Braço do Norte, onde tivemos a oportunidade de ministrar mentoria em Direito Preventivo. É desse espaço de troca, aprendizado e fortalecimento mútuo que nasce a visão que compartilho aqui com todos.
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