ECONOMIA E PANDEMIA

Mais de 522 mil empresas fecharam as portas por conta da pandemia do novo coronavírus só nos primeiros 15 dias de junho. É quase 40% de todos negócios que encerraram as atividades, temporária ou definitivamente, nesse período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O impacto da pandemia de covid-19 nas empresas brasileiras foi apresentado pelo IBGE através da primeira edição da Pesquisa Pulso Empresa. Segundo o estudo, o Brasil contava com 4 milhões de empresas no início de junho, só que boa parte delas não estava funcionando. As empresas mais atingidas pela pandemia foram as de pequeno porte e as do setor de comércio e serviços. Ou seja, as empresas que representam a maior parte dos empregos formais e da atividade econômica brasileira, segundo o IBGE. De acordo com a Pesquisa Pulso Empresa, 99,2% das empresas que fecharam as portas, temporária ou definitivamente, por conta da covid-19 eram de pequeno porte. Isto é, 518,4 mil de 522,7 mil. Outras 4,1 mil eram empresas de médio porte e 110 de grande porte. Além disso, 86,2% desses negócios eram do setor de comércio e serviços. Foram 49,5%, ou 285,5 mil empresas, no setor serviços. E mais 36,7%, ou 192 mil negócios, no comércio. O restante era da construção civil (38,4 mil) e da indústria (33,7 mil). Mesmo as empresas que continuaram funcionando na quarentena disseram que foram atingidas negativamente pelo novo coronavírus. É que 70,7% dos negócios viram suas vendas diminuírem. Já no âmbito da produção, 63% das companhias tiveram dificuldade para manter a fabricação ou o atendimento dos clientes.

VIAGENS E TURISMO

A pandemia da Covid-19 vem afetando drasticamente os gastos de brasileiros no exterior com viagens internacionais, ajudando a reduzir o déficit do balanço de pagamentos do país com o resto do mundo. Dados do Banco Central mostram que as despesas líquidas com viagens ao exterior encolheram 93,7% em junho, na comparação com o mesmo período de 2019, para US$ 72 milhões. O encarecimento do dólar, e, sobretudo, o fechamento das fronteiras para combater a disseminação do vírus Chinês explicam a queda dos gastos. De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, junho foi o terceiro mês consecutivo em que esse déficit ficou abaixo de US$ 100 milhões. “Estamos prevendo que julho também fique abaixo desse patamar, completando o quarto mês consecutivo”, apostou. Até o último dia 23, o saldo negativo do mês estava em US$ 88 milhões. A forte queda dos gastos com viagens no exterior contribuiu para a queda de 61,4% na conta de serviços, na mesma base de comparação, para US$ 1,4 bilhão, segundo o BC. No acumulado do semestre, o saldo negativo de despesas de brasileiros com viagens no exterior ficou em US$ 1,7 bilhão, valor 70% inferior ao déficit de US$ 5,7 bilhões computados no mesmo período do ano passado.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Conforme veiculado nos meios de comunicação e com informações da Caixa Econômica Federal, até 28 de julho foram creditados R$ 136,3 bilhões a 65,3 milhões de pessoas. O professor de economia da Estácio Brasília, Ricardo Karam, em entrevista ao Correio Braziliense, assinala a importância do auxílio emergencial como estímulo à economia. “É uma forma de movimentar recurso e estimular recurso, aumentar demanda. E, obviamente quando aumenta a demanda, você estimula a oferta. Vai primeiro para a mão do consumidor, mas os empresários e os comerciantes se beneficiam”, explica. O professor comenta, ainda, a natureza específica desse recurso. “A vantagem de colocar os recursos nas mãos dos mais carentes é que 100% dos recursos com certeza vão ser consumidos. Não serão guardados ou usados para especulação; serão usados para consumo. E consumo é igual a produção, produção é igual a emprego. Então, o que se tem é uma medida inteligente para reativar a economia”, avalia Karam. O auxílio emergencial minimiza o empobrecimento da população em geral. Aquele que recebe o auxílio ajuda o comerciante do seu bairro a passar pela crise também. O Dataprev finalizou o processamento até agora de 99,92% das solicitações. O total de pedidos desde que o programa começou foi de 150.489.558. De acordo com as informações divulgadas pelo Dataprev, o auxílio estaria alcançando de forma direta ou indireta mais de 126 milhões de pessoas, número que equivale a quase 60% da população brasileira.


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