Era um dia de janeiro. Um amigo manda mensagem: “Tá na cidade? Quase todo mundo foi pra praia. Vem almoçar aqui. Tem carne, guimes, arroz… nada de luxo hoje, aqui no seu Vilson Cordioli e na dona Marlene. Vem pra gente beber uma Heineken”. Sem mais. Claro que eu fui. Um calor danado naquela quinta-feira. Almoçamos, na verdade, já tínhamos almoçado, e fomos pra área da casa. Continuamos na cerveja. A Sílvia entrou pra sala, no ar-condicionado. Logo a irmã dela chegou, de outra cidade. As duas lá dentro, e nós aqui fora.
Como bons amigos que somos desde o nascimento, desde o tempo de criança, a gente falava de tudo. Sobre tudo. Tínhamos intimidade pra isso, e o papo fluía. A JBL ligada. E ele gosta muito de Bruce Springsteen (nunca sei escrever direito esse sobrenome). Dois meses depois daquele dia, apareceu pra mim um filme sobre o Bruce. Um filme sem muito alarme de Hollywood. Mas com uma história bacana. O Bruce tem depressão. Seu empresário busca ajuda pra ele. E isso me tocou. Bruce foi pra terapia.
Dez meses depois, ele volta a fazer show e diz, para seu empresário, que está encontrando o seu caminho. Bruce ajuda o pai e a mãe com casa e dinheiro. O pai dele é uma boa pessoa. O filme é baseado no livro "Deliver Me from Nowhere", de Warren Zanes. Algumas frases ficaram comigo: “Tudo morre, querida, isso é fato. Mas talvez tudo o que morre, um dia volte.” E também: “Eu tenho um emprego, e tentei guardar meu dinheiro”.
Bruce continuou lutando contra a depressão, mas nunca mais sem ajuda e sem esperança. Valeu, Rafael, pelo bom papo, pela conversa e por colocar pra tocar Bruce Springsteen. Vou colocar meus fones agora e ouvir de novo. Porque, no fim, entre um almoço simples, uma cerveja gelada e uma música, a gente também vai, aos poucos, encontrando o próprio caminho.

Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo (CRP 12/05587) e autor de vários livros de autoajuda. @robsonkindermannsom