A saída de Carlos Chiodini (MDB) da Secretaria de Estado da Agricultura já estava no radar, mas ganha contornos políticos bem claros com o convite feito por Jorginho Mello (PL) ao prefeito de Joinville, Adriano Silva, para compor como vice em 2026. Chiodini era, até ontem, o nome mais cotado para a vaga. A movimentação mostra que o tabuleiro eleitoral começou a se mexer mais cedo do que muitos imaginavam. No lugar, assume interinamente o adjunto Admir Edi Dalla Cort, o que garante continuidade administrativa. Mas a pergunta que fica é: quem perde mais com esse desembarque, a Agricultura, que perde um secretário com capital político, ou Chiodini, que perde a chance de ser protagonista na chapa?
Cotas e a pressa seletiva
A nova lei estadual que proíbe cotas nas universidades públicas de Santa Catarina mal esfriou e já nasceu regulamentada. Publicada em edição extra do Diário Oficial e, no mesmo dia, já com regulamento na edição normal. É uma agilidade que impressiona, sobretudo quando se lembra que há leis importantes aguardando regulamentação há anos. A obsessão do governador Jorginho Mello com o tema ficou evidente. Politicamente, agrada a um eleitorado específico. Administrativamente, levanta dúvidas sobre prioridades e critérios. Não é comum ver tamanha pressa quando o assunto é educação pública.
STF na jogada
Como era previsível, a lei das cotas já foi parar no Supremo Tribunal Federal. PSOL, UNE e Educafro ingressaram com Ação Direta de Inconstitucionalidade. Agora o relator vai ouvir o governo de Santa Catarina e a Procuradoria-Geral da República antes de analisar o pedido liminar. Traduzindo: o assunto está longe de acabar. Independentemente do posicionamento ideológico de cada um, o episódio mostra que o governo estadual comprou uma briga jurídica de alto custo político e institucional. E, nesse jogo, quem mais perde tempo e energia é a própria educação superior pública.
Ação popular com tempero político
A deputada federal Ana Paula Lima também entrou em campo contra a lei, agora na Vara da Fazenda Pública de Florianópolis. Até aí, nada fora do script. O detalhe que chama atenção é a coautoria da ação com seu marido, Décio Lima, presidente do Sebrae. O gesto reforça o peso político do enfrentamento e amplia o simbolismo da disputa. Não é apenas uma discussão jurídica; é uma batalha de narrativas, de palanques e de posicionamentos eleitorais. No fim das contas, a lei virou munição para todos os lados, e o debate sobre acesso à universidade ficou em segundo plano.
Quando a política engole o tema
O fio condutor desses episódios é claro: tanto na saída de Chiodini quanto na polêmica das cotas, a política fala mais alto que a gestão. Trocam-se peças, criam-se crises e judicializam-se decisões que poderiam ser melhor debatidas com a sociedade. Santa Catarina parece entrar, oficialmente, em clima pré-eleitoral. E, como sempre, quando isso acontece, os temas mais sensíveis, educação, inclusão, políticas públicas, viram palco de disputa, não de solução.

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