Sábado, 09 de maio de 2026
Braço do Norte
26 °C
16 °C
Fechar [x]
Braço do Norte
26 °C
16 °C

COLUNISTAS

Jeito de ser

16/02/2024 10h05 | Atualizada em 16/02/2024 10h05 | Por: Robson Sombrio

Eu escrevo e me arrisco a escrever. E vou. A vida é curta e acreditar me mantém vivo, apesar dos ombros pesados, joelhos machucados, pés calejados. Porém, se acreditarmos em tudo o que nos contam por aí, a gente não vive. Quem já sofreu muito com comentários maldosos foi o tão sábio Chico Xavier. Ele seguiu sua vida, acreditando muito em seus princípios (essa foi uma das lições que nos deixou). Tudo o que nos faz feliz ou infeliz serve para montar nossa personalidade, uma personalidade com duzentas mil peças. Lembra daquela noite em que você não conseguia parar de chorar, lembra quando você ofendeu, lembra da demissão injusta? Lembra do comentário injusto que fizeram a seu respeito? Do acidente que deixou cicatrizes? Tudo isso vai formando quem você é.

Não existe nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Tudo aquilo que você faz, tudo aquilo que você não fez, volta. Como são muitas, você pode esquecer algumas. E a vida vai trazer aquilo que você fez. Somente aquilo que você fez. Nada mais. O que você fez? Quando você menos espera, tudo volta. Lembra do comentário sobre aquela pessoa? Lembra do comentário que você nem sabia que era verdade e, mesmo assim, comentou? Se fosse o inverso, você gostaria? Eu posso julgar você do jeito que eu quiser, pode ser? Eu sei, é necessário que eu escute você para completar o quebra-cabeça. Não tem outro jeito. Não quero escrever isso, mas tenho que escrever (existe muita gente mal intencionada). 

Existe uma coisa necessária pra ser ensinada e que, talvez, esteja cada vez mais raro: a inteligência no comportamento, ou a elegância, melhor escrevendo. Isso é um dom que vai muito além do ser educado no trânsito e que vai muito além de dizer um simples obrigado. É a elegância que nos acompanha e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa e nem precisa postar no Instagram. É possível detectar nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E, quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas boca a boca. É elegante dizer “bom dia”. É elegante não ser folgado demais. É elegante não mudar o “jeito de ser” apenas para se adaptar ao outro. É elegante retribuir carinho e solidariedade. 

Não existem palavras que ensinem a ter uma percepção elegante do mundo. Começo a pensar que ser elegante é uma habilidade, ou melhor, é um dom que abrange bem mais do que imaginamos. Quem é elegante? Pessoas que evitam assuntos constrangedores. Pessoas que ouvem mais e falam menos. Tudo é um aprendizado. Nariz empinado não substitui a elegância do gesto. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver. Independentemente de status social, a sinceridade é ainda mais elegante do que a arrogância. Eu penso que, pra viver, o que menos se precisa é de frescura. Eu estou achando que a educação (ou a elegância) está enferrujando por falta de uso.
 

Sobre a vida

19/01/2024 08h00 | Atualizada em 18/01/2024 14h21 | Por: Robson Sombrio

A vida é tão maravilhosa quanto um café coado na hora, com aquele bolo de sua preferência. A vida é feita de colo, de um abraço bem quentinho. As feridas com o tempo cicatrizam, as dores diminuem, amigos riem e choram contigo. Tem pessoas que usam todo seu potencial criativo para melhorar a qualidade de vida de pessoas que nem conhecem. A vida é feita de recados que a gente nem espera. Os aviões diminuem distâncias, os carros também. As bicicletas atravessam a cidade. Coisas boas acontecem todo dia. Uma conta paga, o balançar da rede, o gol do seu time do coração. Um recado no Whatsapp recheado de saudades.

Diariamente, chego à conclusão que a vida, mesmo quando difícil, é boa. A vida é feita de abraços, de carinho, como já escrevi (de colo). Existem pessoas gostáveis, amorosas e carinhosas. Existem pessoas amargas, rabugentas e chatas. Cada um escolhe o que quer ser. O que você escolhe? Porque tudo é uma escolha. Já percebi pessoas chatas ficarem legais, já vi pessoas legais ficarem chatas. Eu escolho não ser mal-educadas e chato. Gosto de pessoas altamente generosas, existem pessoas mal educadas que buzinam sem necessidade. Tem pessoas preocupadas com você e com a sociedade. 

A vida é tal como é, uma maravilha. Prefiro ver o lado bom, as coisas gostosas da vida. Temos pessoas apaixonadas e apaixonantes. Pessoas que entregam, pessoas que chegam para curar. Pessoas com palavras e poemas. Com sorrisos e lições. A vida é tão intensa e tão maravilhosa que, mesmo em dias tristes, os felizes compensam. A vida compensa por ela mesma. Outra coisa, não espere aplausos e elogios. Se vier, que bom, comemore, mas, se nada vier, comemore também. Nem todos ficaram contentes com a sua vitória. Nem todos celebraram as suas conquistas e sua felicidade. Tenha cuidado, contigo e com seus amigos. 

Seja discreto com a sua felicidade. A felicidade se acha em horas de descuido. A vida é um grande abraço. A perfeição mora longe da felicidade. Viva a sua vida, romantize. A vida é sua e os momentos são seus. Lembre-se: você é o personagem principal. Coloque sua música favorita, acenda velas cheirosas, prepare um prato especial, leia um livro. A vida é sua, o momento é o seu. Se der vontade, fotografe e poste. Sua vida não é melhor do que ninguém. Mas, se você fica feliz em compartilhar, compartilhe e, se quiser, poste. 
 

Só filosofia

14/12/2023 15h23 | Atualizada em 14/12/2023 15h23 | Por: Robson Sombrio

“Tens que vir mais vezes aqui”. Entre risadas e diversão, lá estava eu em um bar, aprendendo a filosofia de um boteco. Confesso, é bem divertido. Não gosto quando vem julgamento da vida alheia, mas quando um pega no pé do outro, por distração, por motivos banais, é alegria na certa. Afinal de contas, todos gostamos de filosofar e o bar é um excelente lugar para isso. A gente ria e eu pensava: tudo isso é filosofia. Uma atividade crítica e reflexiva. Um conjunto de conhecimento e saberes. É ali que acontece o debate da cidade – resolvemos problemas de caráter social, cultural, moral e religioso. É aqui que a vida acontece. A lealdade era o respeito pelos próprios sentimentos. Um pessoal leal que age de forma respeitosa. 

A bebida estava gelada, o ambiente agradável e a amizade acontecia. Na vida, a gente tem que ser parceiro de quem é parceiro da gente. Linguagem descontraída e bem humorada. Comecei a pensar que muitos acontecimentos humanos passam pelo bar, muitas coisas são discutidas ali. Em meio a tantas informações, alguém diz: “Robson, eu leio o que você escreve e gostei muito do texto (relação ao texto sobre beach tennis)”. Foi um texto que escrevi e foi publicado no jornal na última edição. Nesse bar, temos um grande e forte empresário que não lê nada, mas tem aquelas pessoas mais simples que leem. Agilidade e praticidade.  

Tem coisas que a gente vai falar na mesa do bar mesmo, tem outros assuntos que é na terapia. Tem assuntos que a gente pode falar com os amigos e tá tudo bem. A felicidade é uma viagem filosófica. Ser feliz é aprender a escolher. Os prazeres, os amigos, os valores sobre os quais queremos estabelecer nossas vidas. Tudo isso para nos ajudar nas buscas da história e dos pensamentos e na companhia de grandes sábios. O bar é uma forma de busca de nós mesmos. Um bar é o poder da alegria, um manual para um mundo imprevisível. É o local de sensibilidade, é a facilidade de demonstrar os sentimentos ou falar sobre eles. Por fim, no boteco ou em um bar ou em qualquer lugar podemos encontrar um pensador. Filosofia e literatura. Me fez refletir sobre a existência humana e seus dilemas. Eu sei que esse texto vai rodar em quase todos lugares e bares. Não quero aqui incentivar a dependência alcoólica. É uma doença e tem que ser respeitada. Esse é um assunto sério e precisa ser tratado em outro dia e de outra forma. Hoje, é um texto para uma distração. Afinal de contas, a vida anda séria demais e a gente precisa rir para nossa própria diversão. 
 

A vida

09/11/2023 09h40 | Atualizada em 09/11/2023 09h41 | Por: Robson Sombrio

A vida acontece já quando a gente abre o olho de manhã. Levanta, escova os dentes, lava o rosto, toma café, agora se inicia mais um dia da sua vida, mas é a sua vida mesmo. Parece que foi ontem que era criança e passeava pelas ruas da cidade. E, assim, os anos se passaram. Éramos crianças inocentes e protegidas pelos pais. Depois, vem a adolescência, sem celular e o começo da internet discada. A adolescência é um caminho amplo, exagerado e sozinho. Existem pais que passam muitas dificuldades com filhos nessa fase. 

Agora, a vida passou... você amadureceu? A vida traz escolhas pra gente fazer. Exemplo: as relações amorosas, dúvidas, dívidas, filhos para educar. Além disso, a finitude para lidar e posicionamentos exigidos pela sociedade. A vida tem um preço alto. Quem está preparado para encarar esse preço? Eu sei, com tempo você encara a coragem que nem imaginava que tinha, você assume sua identidade, uns mais agressivos, outros mais tranquilos, uns mais ansiosos, outros menos ansiosos. Depois de um tempo, dá um trato no seu medo e começa a sua história. Trabalha, mas trabalha muito. Rala para comprar um carro, rala para ter uma grana para passear. 

Ficar sempre no mesmo trajeto da vida que não é legal. Na vida, a gente trabalha, rala, sofre, fala, cala, constrói, destrói, se expõe, se impõe, mas constrói mesmo uma vida legitima. Sua. De mais ninguém. Na fase adulta, não tem ninguém te esperando no portão, mas tem um caminho excitante, rumo a um caminho de construção. A vida tem um prazer só pra quem arrisca, conhece. O prazer da independência. Já escrevi que muita coisa dá errado, mas não posso esquecer que muita coisa na vida dá certo. Ou seja, as coisas dão certo, mesmo quando dão errado. Hoje, a vida tem o prazer da sua assinatura, avalizando cada detalhe de sua conquista.

Toda caminhada da vida tem choro, risadas, tropeços, quedas, conquistas, tem-se tudo, pra todos. Tudo cobra um preço emocional - no início, no meio, no fim. Os questionamentos são muitos, a vida desestabiliza, mas então a coisa feita chega depois, aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres aos nossos olhos. É no olhar que se percebe a vida eterna, a juventude eterna. O que dá brilho no nosso olhar não é o médico que faz a plástica e puxa, repuxa. Ele não te dá brilho. O que dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar. 
 

As coisas humanas

11/10/2023 08h20 | Atualizada em 11/10/2023 08h51 | Por: Robson Sombrio

Quem escreve se arrisca. A se expor, a ser aceito, não ser aceito, a ser admirado ou não... Como todas as coisas da vida. Tudo tem um risco. Um namoro pode dar certo, pode dar errado. Tudo com seu tempo e seu momento. Todo dia acontece alguma coisa, todo dia alguém está de aniversário. Viver é sim um risco. Tenho aprendido muito, mas confesso que sou um eterno aprendiz. Gosto de escrever, gosto de estar aqui na frente do computador. Eu espero que quem leia goste também. Ficarei muito feliz se alguém ler e comentar. Mas, se não tiver nenhum retorno, ficarei feliz também. Hoje de manhã, ouvi a frase “a gente tem que ser feliz sozinho”. Concordo e assino embaixo. 

Escrevendo sobre nós humanos. É que a gente nasce sem querer, numa família não escolhida (ou cada um escolhe a sua?). Viemos com uma bagagem de genes – lançados no grande mundo. Todos estamos tentando desempenhar melhor o nosso papel. Corremos entre acertos e trapalhadas, dor e alegria, tateando em um nevoeiro de confusões, emoções, razões e desesperos – ou contentamento? Eu acho que nem Deus sabe o que vai ser de nós. Somos atores sem preparos, sem roteiro, sem papel. Dias difíceis nos matam de tristeza, de tédio, de medo, de solidão. No geral, gostamos da vida. A gente vive do jeito que dá, desde que começa a ter consciência (Google não me deu a certeza). 

A vida se impõe com deveres, promessas, conselhos, agrados, nem sempre há uma ordem em tudo. O fato é que a gente tem que se adaptar. Todo mundo devia ser calmo. Caminhei pela casa, vi uma foto da minha mãe. Ah, as perdas... Amigos se vão, jovens ou já velhos. Os afetos nos enriquecem, mas coisas maravilhosas chegam: filhos, netos, novos amigos, velhos amigos permanecem, os livros, os filmes, os quadros, as músicas, a serra, o mar, as horas de encantamento, as viagens de volta pra casa, a doce “zona de conforto”. Tem o acolhimento do nosso quarto, os lençóis cheirosos. A segurança dentro do possível neste mundo que o crime compensa. Depois do inverno, a primavera. Hoje, numa brilhante manhã e clara, olhei para o céu enquanto tomava meu café (com doce de leite e torradinhas). Vim ligar meu computador porque tenho que trabalhar. Escrever é mexer, tudo vem à superfície. Vamos celebrar às coisas boas e belas – a família, amores, leituras, arte, natureza e amizade. Pra você, meu leitor, meu fiel imaginário, espero que esse seja um texto de claridade e que, apesar de tudo, ressoe, aqui e ali, a benção da alegria do que foi vivido e do que ainda há por viver.
 

Folha do Vale

Rua Manoel Neves, 470, Bairro Tiradentes, Gravatal, CEP: 88.735-000 - Santa Catarina.

Folha do Vale © Todos os direitos reservados.
Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Ok, entendi!