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COLUNISTAS

Acolhimento: aquilo que realmente sustenta a vida

19/01/2026 11h11 | Atualizada em 19/01/2026 11h09 | Por: Robson Sombrio

A vida não vem com receita pronta. Não aponta qual é o melhor caminho, nem entrega respostas claras sobre o que fazer em cada encruzilhada. Neste fim de ano, ao reler passagens da Bíblia, especialmente as palavras de Jesus Cristo, o “JC” como gosto de chamá-lo, me veio a imagem de alguém profundamente humano: um bom ouvinte, acolhedor, atento às dores alheias. Em certo momento, ele diz algo como: “falando, vocês não aprendem”. Talvez porque algumas coisas só se aprendem vivendo, sentindo e se relacionando.

No dia 20 de janeiro teremos um churrasco com os amigos. Amigos que já são irmãos. E o bom da vida é isso. Esses encontros não resolvem nossos problemas, não tornam o caminho mais leve automaticamente, mas fazem algo fundamental: nos ajudam a acordar e viver melhor nos dias seguintes. É uma turma que cresce, mas cresce sustentada por uma palavra simples e poderosa: acolhimento.

A neuropsicologia confirma aquilo que a vida sempre ensinou. Somos seres sociais. Nosso cérebro se desenvolve, se organiza e encontra sentido na relação com o outro. Não fomos feitos para viver sozinhos. Precisamos pertencer, ser aceitos, ser inteiros diante de alguém. O vínculo reduz sofrimento, fortalece a saúde emocional e nos ajuda a enfrentar a complexidade da existência.

No fim das contas, talvez a vida não precise ser tão complicada. Rir das mesmas coisas, se divertir com o banal, estar junto sem grandes explicações. Não é assim que a vida deveria ser? Simples, humana e compartilhada. Porque, se pensarmos bem, o que realmente precisamos não é de respostas prontas, mas de encontros que acolhem.
 

Enquanto a chuva passa, a gente fica 

15/01/2026 08h45 | Atualizada em 15/01/2026 08h45 | Por: Robson Sombrio

Como começa um bom texto? Talvez comece com uma pergunta. Ou com uma verdade simples: a vida não vem pronta. Nem tudo está resolvido, nem tudo estará. E está tudo bem. Há coisas que realmente importam e outras que só parecem importantes. A vida é feita de aprendizados constantes, e ninguém passa por ela sabendo tudo.

A vida não é fácil. Tem dias difíceis para todo mundo. Dias em que o peso parece maior do que a gente consegue carregar. Mas eu aposto com você: os dias felizes também existem. E é sobre eles que eu quero falar. Ou melhor, escrever.

Todo início de ano a gente se encontra. Os amigos da adolescência. Você já deve imaginar como é: risadas soltas, histórias repetidas, lembranças que só fazem sentido para quem viveu. E talvez seja isso que a vida tenha de mais bonito: os encontros. As alegrias compartilhadas. Os dias em que a gente percebe que não está sozinho.

O bom da vida são as pessoas. Gente que só de estar perto já faz bem. Gente que, num olhar, sabe se você está triste ou feliz. Gente que se preocupa, que cuida, que permanece. E aí fica a pergunta: que tipo de pessoa você tem sido para os outros?

Eu estou feliz por escrever este texto. O sol brilha bonito enquanto escrevo, e carrego comigo uma frase simples, mas poderosa: “Sempre que choveu, parou.” Assim são as nossas dificuldades. Elas passam. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de um ombro amigo dizendo que vai ficar tudo bem. Muitas vezes, o que a gente mais precisa é ser acolhido.

Hoje é quinta-feira, 15 de janeiro. Dia de encontro da Turma do Tio Parça. Pessoas incríveis tentando ser ainda melhores para si mesmas e para os outros. Aqui ninguém ri de ninguém. A gente ri da gente mesmo. E isso é libertador. Me diz: há quanto tempo você não ri de verdade?

A amizade que construímos é rara. É forte. É verdadeira. E sim, a gente sabe: ela provoca inveja. Não por ostentação, mas porque é real. Porque é leve. Porque é abrigo. Amizade assim muda vidas. Sustenta dias difíceis e multiplica os dias felizes.

No fim das contas, é isso que fica: as pessoas, os encontros, os risos e a certeza de que, mesmo quando chove, sempre passa. E enquanto passa, a gente passa junto.

Acorde seus sonhos

29/12/2025 17h00 | Atualizada em 29/12/2025 18h06 | Por: Robson Sombrio

Acorde seus sonhos. O melhor convite para começar um novo ano. Deitado em casa, comecei a pensar: qual é o meu maior sonho? O que ainda me impede de chegar até ele? É curioso perceber que, quando a gente finalmente para, quando o mundo silencia um pouco, os sonhos começam a falar. Eles não gritam, eles sussurram. E é nesse sussurro que a gente percebe o quanto estava distante de nós mesmos.

Na correria do dia a dia, a gente vai se perdendo sem notar. Vai esquecendo do que gosta, do que desperta alegria, do que dá sentido às manhãs. Aos poucos, vamos desligando a emoção e vivendo apenas no modo automático. A neuropsicologia nos mostra algo muito bonito e muito sério: o cérebro também precisa de sentido, de motivação, de propósito. Sonhar não é exagero emocional, é necessidade humana. Sonho alimenta memória afetiva, fortalece emoções saudáveis e estimula o cérebro a continuar acreditando na vida.

Desistir de sonhar é quase como se afastar da própria essência. Claro, existem situações em que a depressão e o sofrimento nascem de fatores biológicos e precisam de cuidado profissional. Isso é real, é sério e merece respeito. Mas em muitos outros casos, o que faz a alma adoecer é a desistência de sentir, de desejar, de acreditar. Como diz a música do Skank: “a gente é diferente quando sente”. E é verdade. A gente não tem se permitido sentir.

Quando a gente desacelera, sente. E quando sente, a vida volta a pulsar. Sonhar reacende o cérebro, reacende o coração, reacende a existência. Então, neste novo ano, permita-se sonhar de novo. Dê espaço para aquilo que faz sentido, mesmo que seja simples, mesmo que pareça pequeno. Porque a vida muda quando a gente desperta por dentro.

Desperte seus sonhos! Não para escapar da realidade, mas para construir uma realidade em que sua alma tenha prazer em permanecer.

Quando o silêncio também abraça

22/12/2025 07h00 | Atualizada em 20/12/2025 08h54 | Por: Robson Sombrio

Às vezes a vida nos coloca diante de um Natal quieto, sem barulho de gente, sem mesa cheia, sem aquela fotografia perfeita de família reunida. E tudo bem. Este ano, provavelmente estarei sozinho no dia 24 e 25. Não falo isso com tristeza profunda, mas com a sinceridade de quem aprendeu a tirar força de lugares que nem sabe onde ficam. Tenho amigos que lembram de mim, que mandam mensagem, que convidam para dividir a noite. Sou grato por cada gesto. Mas também aprendi a respeitar meus silêncios. Talvez um dia eu volte a ter aquela “família de comercial”: filhos, cachorro, padrinho, madrinha… ou talvez a vida siga outros caminhos. Ela é difícil mesmo, e nem sempre nos entrega o que queremos na hora que queremos.

Nessas datas, eu faço meu ritual: preparo minha playlist, abro minha cerveja e deixo a escrita me encontrar. É curioso como, quando o mundo está comemorando, minha veia artística parece pulsar mais forte. Enquanto alguém revela amigo secreto, enquanto alguma família discute quem vai cortar o peru, eu escrevo. E observo. Porque no fundo, família também é lugar de suportes – e, muitas vezes, de suportar. A verdade é que tem muita gente que nem olha mais nos olhos de um parente e ninguém sabe exatamente por quê. Somos oito bilhões tentando se entender… e falhando. E tudo bem, de novo. Família não existe pra gente amar todo mundo intensamente; às vezes existe pra gente aprender convivência, limites e paciência.

Tem histórias se desenrolando agora que ninguém vê: famílias passando o primeiro Natal sem a mãe; outras sem o pai; irmãos fazendo falta na mesa porque a vida foi mais rápida do que todos esperavam. Talvez você esteja lendo isso dias depois, talvez meses. Não importa. Às vezes a gente só precisa de uma frase que alivie a pressão que carregamos no peito. Estamos todos lutando contra guerras internas que ninguém conhece. E se tem algo que aprendi é que o Natal não exige sorriso. Exige humanidade.

Vivemos na era das promessas fáceis, das religiões milagrosas, das frases prontas que prometem curar tudo. Mas o que mais vejo é gente carregando raiva, inveja, rancor, enquanto tenta pregar amor. Não faz sentido. Cura começa dentro. Começa quando a gente admite que sente, que dói, que falta, que machuca. Depois disso, as palavras boas fluem. Não porque são obrigatórias, mas porque são verdadeiras. Se neste Natal te faltar companhia, que não falte honestidade consigo mesmo. O silêncio também abraça. E, às vezes, é nele que a gente volta a ser inteiro.

Quando é preciso levantar da mesa

18/12/2025 07h30 | Atualizada em 18/12/2025 07h39 | Por: Robson Sombrio

“Sentar-se à mesa para almoçar!” Pensemos no almoço, mas poderia ser qualquer refeição. É uma declaração silenciosa de amor que fazemos a nós mesmos. É um gesto de cuidado, quase um afago. Um tempo em que escolhemos nossa própria companhia e, sem pressa, permanecemos ali.

Um amigo, dono de um dos melhores restaurantes de Santa Catarina, me liga:

— Preciso de ti. Tenho que servir um almoço fora da cidade. Pode ir lá me ajudar?

Eu nunca havia vivido essa experiência. E aceitei.

— Bora.

Desde aquele dia, venho pensando no ato de servir. Estamos neste mundo para isso: servir uns aos outros. Servir é a essência das relações. É doação, presença, amizade. Amizade que oferece ombro, tempo, silêncio. Sem modéstia alguma, amizade de verdade.

Esse é o tipo de autoconhecimento que a escrita me proporciona. Enquanto recomponha pratos, levava o churrasco até o buffet e servia quem ali estava para festejar, eu também revisitava sentimentos verdadeiros. Em um momento, a colher caiu no prato e sujou. Nunca tinha passado por aquilo. Rapidamente, retirei e coloquei outra limpa. Meu amigo me olhou e disse:

— Tá ligado, né?

Sim, eu estava. Servimos um banquete farto e delicioso.

As luzes ainda estavam acesas, mas a festa havia terminado. O salão, agora vazio, era puro silêncio. Música, drinks, alegria, gente feliz. Tudo já tinha ficado para trás. Ainda assim, uma moça permanecia sentada à mesa. Talvez se apegasse às lembranças daquela noite. Ou quem sabe às de uma festa anterior.

Aproximei-me e perguntei:

— Posso recolher seu prato?

— Sim, sim, respondeu.

A festa havia acabado. A banda não voltaria a tocar. As comidas já tinham sido recolhidas. Nada mais voltaria a ser como antes. A vida é assim.

Aquelas mesas não seriam novamente ocupadas. Nenhum garçom viria servir outra bebida. É difícil levantar da mesa e despedir-se quando ainda existe a esperança de que tudo possa voltar a ser como era. Vivemos momentos lindos na vida. Talvez, nunca mais experimentemos nada parecido. Ainda assim, que bom que a vida nos fez felizes, mesmo que por alguns instantes.

— Vem, pensei em silêncio. Levanta da mesa. Vamos pra casa. Precisamos fechar o salão.

Sem mais palavras, a moça se levantou. O que havia ali era saudade, não abstinência. E talvez, se ela fosse firme e corajosa o suficiente para recusar porções rasas de afeto, o jogo pudesse virar ali adiante.

Às vezes, amadurecer é isso: entender que houve um banquete, agradecer por ele e, então, ter coragem de levantar da mesa.

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