Não dá para entender essas duas (ou talvez dê). Na verdade, elas foram feitas para não caber em rótulos, caixas ou expectativas alheias. Foram feitas para transbordar dedicação, fé e propósito. Georgia, há 27 anos, dedica-se à Casa Lar (Asacad). Amélia já soma 25 anos de serviço à APAE. Ambas vivem para o outro, com trabalhos voluntários que ultrapassam qualquer limite.
E é isso que faz delas seres humanos especiais. Eu sei que esse transbordamento muitas vezes incomoda. Mas é justamente aí que Deus age: no incomum, no improvável, naquilo que não se adapta, mas transforma.
São mulheres especiais, distantes de qualquer definição de “comum”. São aquelas que dizem “vai dar tudo certo” e arregaçam as mangas para fazer o que for preciso, garantindo que o dia termine bem. Enquanto escrevia, fiquei pensando na causa que cada uma abraça. Quantos dias difíceis já enfrentaram - aqueles que as redes sociais não mostram - ? Mesmo assim, seguem firmes, porque suas causas são nobres. Lutam porque amam. Rezam porque acreditam. Dão o melhor de si porque têm fé. E a sociedade, todas as famílias, agradecem. Nosso muito obrigado por tamanha dedicação a um mundo melhor.
No início, falei da música A única exceção. A canção fala de alguém que não acreditava mais no amor, mas encontrou uma pessoa que mudou essa visão. A vida precisa ser assim. Somos seres sociais: nascemos para viver em comunidade, precisamos uns dos outros.
Este texto é dedicado a todas as mulheres. Uma mulher especial olha no espelho e aceita suas imperfeições com bom humor, confiante de que pode driblar os obstáculos. Uma mulher especial se presenteia de vez em quando. Uma mulher especial pode ser sua avó, sua mãe, sua tia.
Elas estão em todos os lugares: num sorriso tímido no supermercado, num banco da praça, na igreja ou no shopping. Carregam suas alegrias e suas dores, seus sonhos e suas desistências. Tropeçam, caem, levantam e recomeçam. Amam e desejam o bem.
Na vida, precisamos de mais Georgias e Amélias.
Ao viajar na função de psicólogo da Coordenadoria Regional de Educação de Braço do Norte, compartilho dores e alegrias. Quanta felicidade na recepção de uma taça de vinho oferecida pelo hotel. Um dos pilares da felicidade é conseguir estar presente. Estar escrevendo é uma das minhas felicidades — e nada mais importa neste momento.
Estávamos todos reunidos: psicólogos e assistentes sociais. Orgulho-me de ser catarinense. Sentamos à mesma mesa, fizemos as mesmas brincadeiras, pertencemos ao mesmo Estado e ao mesmo país. Cumplicidade e camaradagem talvez sejam as palavras certas para definir esse tipo de amor. Um amor que começa na prevenção e segue vida afora.
Compreendo os traumas ocultos, as dores disfarçadas, a raiva acumulada. Mas juro: a gente não é só isso. A gente é alegria. É felicidade em forma de gol aos 45 minutos do segundo tempo — ou logo no primeiro minuto de jogo. Somos a vitória, a arte, o belo e o bom. De longe, eram as mesmas mãos que se reconhecem e se apoiam. Mesmo sem palavras, havia entendimento. Todos aqueles, vindos do Estado inteiro, com um olhar cúmplice.
Sou integrante da equipe NEPRE — Política de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola. Uma rede que nos levanta e nos aquece. Ações que nos justificam e nos validam. A beleza da vida mora nesses encontros de conhecimento e paz. Temos muito a melhorar — mas lembremos de tudo o que já melhoramos.
Tanta coisa nos divide na vida: política, religião, futebol. Poucas coisas, no entanto, nos acolhem. E ali, naquele encontro, encontramos. Fizemos a diferença. Somos lembrança. Nada de mim está mais lá, apenas a memória de velhos (e bons) encontros.
A vida não é de quem acorda feliz, é de quem acorda grato. Gostaria que essas palavras chegassem aos amigos do NEPRE SC. Que chegassem à leitura de Clarice Zanetti, Valdiceia Klausen, Anderson Floriano. Obrigado pela oportunidade única. O bem acordou — e o mal não vai vencer.
A vida não é o tempo do relógio — é o tempo do coração. E a vida sempre será muito criativa em distribuir seus momentos. A vida é barulhenta, dentro e fora de nós. Nada se aquieta.
Não fui eu quem escreveu a letra de "Dentro de um Abraço", do Jota Quest, mas bem que poderia ter sido. Ali, naquelas palavras simples e doces, reside uma verdade que atravessa o tempo: o abraço é o nosso primeiro e último abrigo.
Martha Medeiros também já disse que um abraço é o melhor lugar do mundo. E é verdade. Dentro de um abraço, a vida desacelera. A gente se escuta mais, se entende mais, se perdoa mais. O abraço não precisa de legenda, não pede explicação. Ele só quer presença. E é justamente isso que mais falta no nosso dia a dia: presença.
Vivemos apressados, distraídos, digitais demais. Esquecemos o valor do toque, da proximidade, da emoção que cabe em dois braços estendidos. No entanto, o abraço continua sendo aquele gesto silencioso que diz:
"Você não está sozinho", "Eu me importo", "Estou aqui".
Abraçamos pouco. E, quando o fazemos, é rápido demais. Como se o tempo tivesse medo de parar. Mas dentro de um abraço verdadeiro, o tempo não corre — ele repousa. Ali, encontramos consolo, reencontramos a alegria e, por um instante, somos inteiros.
Talvez seja hora de reaprender a abraçar. De transformar o abraço em hábito, não em exceção. De fazer dele um ponto de encontro, um refúgio, uma forma de cura. Porque dentro de um abraço reside a humanidade que, muitas vezes, nos falta.
Que a gente não economize afeto. Que a gente abrace mais, com mais intenção, com mais tempo. Porque dentro de um abraço, tudo é melhor.
Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo
Tipos de Mãe
No Dia das Mães, celebramos muito mais do que um papel: celebramos presenças, histórias, abraços, silêncios compreensivos, forças ocultas e amores incondicionais.
Cada mãe carrega dentro de si um universo único, feito de batalhas diárias, sonhos adiados, risos sinceros e uma sabedoria que não se aprende nos livros.
Hoje, queremos olhar para cada uma delas com carinho e gratidão, reconhecendo suas particularidades e suas formas tão singulares de amar.
Porque mãe não é apenas quem gera, mas quem cuida, acolhe, ensina e transforma o mundo à sua volta com gestos simples e profundos.
A seguir, falamos um pouco sobre essas mulheres extraordinárias que fazem a diferença em nossas vidas... Que tipo de mãe você é?
Mãe Lucinda, sou o Henrique. Sou a Olívia.
A tua luz, mãe, ilumina até quando tudo parece escuro. Tu és farol. És calor. És céu aberto. Que sorte a nossa ser teus filhos.
Mãe Adriane, sou a Dora. Sou o Antônio.
A gente te vê. Te vê mesmo quando você acha que ninguém nota o esforço. Te vê cansada, mas firme. Obrigado por tanto. Você é gigante.
Mãe Eloísa, sou o Marcos. Sou o João Guilherme. Sou a Helena.
O que vem de ti, mãe, é amor em forma de voz. É doce, é firme, é vida. Tu és poesia com os pés no chão.
Mãe Mari, sou a Vitória. Sou o João.
A gente sente teu amor de longe. Ele é gigante, do tamanho de um abraço que não cabe em palavras. Teu amor por nós é sagrado. O nosso por ti também.
Mãe Cássia, sou o Iago. Sou o Ian.
Ter você é ter tudo. É saber que existe alguém no mundo que não desiste, que sempre cuida, que ama sem pedir nada. Mãe, que bom ter você.
Mãe Rosi, sou a Helena. Sou a Paula.
Você é linda. Por dentro, por fora, por tudo o que é. Obrigada por cada cuidado, cada gesto, cada silêncio cheio de carinho. A gente te ama.
Mãe Raquel, sou o Tiago. Sou o Rafael.
Quando penso em força, penso em você. Em dedicação, em comprometimento. Você construiu a gente com amor e coragem. Te admiramos tanto.
Mãe Cilane, sou o Iago.
Eu sei, você cuida demais de mim... Mas, mãe, é que você é puro amor. Às vezes até digo que não precisa, mas, no fundo, amo esse teu jeitinho. Eu te amo demais.
Mãe Mirian, sou o Renato. Sou a Miriane.
A gente sabe: tudo que somos tem você por trás. Tua força nos fez caminhar. Teu colo foi nosso chão. Obrigado, mãe.
Mãe Aline, sou o Eduardo. Sou a Júlia.
Você sempre achou que precisava ser perfeita. Mas, mãe, você já é maravilhosa do jeitinho que é. A gente ama sua verdade, sua leveza, sua coragem.
Mãe Ediseia, sou o Igor. Sou o Guilherme.
Você é dedicação em pessoa. Tudo o que fez, tudo o que enfrentou. A gente tem tanto orgulho de ser teus filhos. Obrigado por nunca desistir da gente.
Mãe Andressa, sou o Rafael. Sou a Sofia.
Você é nosso mundo. A gente te acha incrível, te ama, te admira e carrega você em tudo o que faz. Você é essencial, mãe.
Mãe Márcia, sou a Gabriela. Sou a Graziela.
Teu jeitinho doce é nosso refúgio. Você é ternura. É leveza. Obrigada por ensinar a amar sendo amor.
Mãe Maiara, sou o Sebastian.
Mãe, não chora. Eu sou muito bem cuidado. Eu sou amado. Não me falta nada. Porque eu tenho você. E, se eu tenho você… eu tenho tudo.
Mãe Regi, sou a Júlia.
Mãe, você é linda. E eu carrego você comigo. No meu jeito, no meu olhar, no meu coração. Que sorte a minha.
Mãe Paula, sou o Pedro.
Eu sou teu xerox, né? Você sempre cuidou tão bem de mim. Mas fala sério… posso ir almoçar aí? Tem almoço? Empresta o carro? Eu te amo, mãe. Você é tudo pra mim.
Mãe Carmem, sou o Liedson. Sou a Júlia. Sou o Juliano.
Mãe, desculpa por tantos sofrimentos, por tanta dor. Mas, sem você… a gente não sobreviveria. Você é nossa força. Você é inteligente, incrível e única.
Mãe Fabi, sou a Luiza. Sou a Maria Clara.
Você é nossa inspiração. Você se entrega, se doa, cuida tão bem. Mãe, não precisa ser perfeita. Só precisa continuar sendo você. Porque a gente já te ama exatamente assim. E sempre vai te amar.
Você acabou de ler aquilo que a gente muitas vezes sente, mas nem sempre consegue dizer.
Mãe, acredita nisso: a energia que vem de você é uma força que transforma o mundo.
E você, mãe... é o nosso mundo.
Feliz Dia das Mães!
A felicidade nos é apresentada como um produto — esse é um assunto que gosto de instigar. Para a sociedade, o prestígio e o acesso às coisas são muito valorizados — isso materializa o sucesso de forma bastante tangível. Este texto surge da essência de saber quem somos, em uma direção própria e bem definida. Às vezes, somos como máquinas programadas para desejar o que os outros têm.
Quem somos nós? Figura e fundo.
Verão – A alma intensa
Personalidade: vibrante, calorosa, apaixonada.
O verão é energia em estado puro. Representa pessoas que vivem com intensidade, sentem profundamente e não têm medo de se mostrar. São aquelas que aquecem os outros com sua presença, que amam viver e são movidas pelo entusiasmo. Também podem ser impulsivas, pois o sol que aquece também queima.
Primavera – A alma que floresce
Personalidade: otimista, renovadora, esperançosa.
A primavera representa o renascimento. Pessoas com essa alma são aquelas que, mesmo após tempos difíceis, sempre encontram forças para recomeçar. Têm brilho nos olhos, espalham alegria, cultivam sonhos e inspiram mudança. Como flores desabrochando, elas são símbolo de novos começos.
Inverno – A alma profunda
Personalidade: reservada, resiliente, contemplativa.
O inverno é o tempo do silêncio, da pausa. A alma invernal mergulha em si mesma, encontra força na solidão e sabedoria no recolhimento. Pode parecer fria, mas guarda dentro de si um mundo inteiro. É nesse tempo que as raízes se fortalecem — são pessoas que crescem por dentro, discretamente.
Outono – A alma reflexiva
Personalidade: introspectiva, sensível, madura.
O outono é tempo de desapego. As folhas caem para que o essencial permaneça. Pessoas com essa alma sabem que a beleza está na simplicidade e que é preciso deixar ir para crescer. Elas contemplam, pensam antes de agir e têm uma sabedoria silenciosa, como quem já viu muitas primaveras passarem.
Cada um de nós carrega um pouco de todas essas estações. Às vezes, somos verão em um sorriso, outono em um adeus, inverno em um silêncio e primavera em um recomeço.
Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo (CRP 12/05587) e autor de vários livros de autoajuda. @robsonkindermannsom