Primeira ponte de BN já deveria ter sido construída no local da nova

A população de Braço do Norte vive a expectativa da liberação completa da nova ponte de concreto sobre o rio da que dá nome à cidade, ligando o Centro ao bairro Lado da União. A obra é uma antiga reivindicação da comunidade. Tão antiga, que há relatos de que é naquele local, da nova estrutura, que deveria ter sido construída a primeira ponte do município, onde atualmente passa a rodovia SC-370.
Quem conta é Jair Kuerten, de 80 anos, morador durante quase toda a sua vida nas proximidades do cruzamento entre a Avenida Senador Nereu Ramos e a Travessa Adolfo Konder. Filho e irmão de ex-prefeitos do município (respectivamente Fredolino Kuerten e Luiz Kuerten, o “Tilico”), lembra, com certa propriedade, a respeito das discussões que, há mais de 50 anos, envolveram a definição do local onde seria executada a importante a obra que ligaria o Centro de Braço do Norte a Orleans e Grão-Pará.
“Acredito que tenha sido durante o primeiro mandato do meu pai (prefeito de 1956 a 1961 e de 1966 a 1970). Naquela época, existiam dois principais partidos, a UDN (União Democrática Nacional) e o PSD (Partido do Social Democrático). Meu pai era da UDN. Quando surgiu a possibilidade de se construir uma ponte sobre o Rio Braço do Norte, a ideia inicial sempre foi de que fosse onde hoje está a ponte nova. Afinal, o Lado da União, que ainda pertencia a Orleans, já era bastante desenvolvido e, do outro lado, era a sede de Braço do Norte, que não deveria ter muito mais que 4 mil habitantes”, recorda.
A rivalidade política, porém, não permitiu que a primeira ligação de concreto entre as duas margens fosse no local então idealizado. “O Governo do Estado era administrado pelo outro partido, diferente do partido de meu pai (Celso Ramos, do PSD, governou Santa Catarina de 1961 a 1966). Aquela região onde acabou sendo construída a primeira ponte não era desenvolvida. Quase ninguém morava lá. Mas havia um morador que era do partido do Governo e, dizem, que ele conseguiu influenciar na definição do local da obra. Desde então, a comunidade do Lado da União tem lutado por esta nova ponte”, conta Kuerten.
Não parte de Kuerten esta informação, mas os comentários, que sempre estiveram na lembrança dos moradores mais antigos, dava conta que existiam dois postos de gasolina na cidade. Se a ponte saísse antes de alcançar o estabelecimento, que estava localizado depois da igreja matriz, este comércio seria prejudicado.
Apesar da discordância entre as forças políticas da época, Jair acredita que a decisão final não foi ruim para a cidade, pois, permitiu o desenvolvimento de toda uma nova região, pois o Centro não passava de onde está instalado o Banco do Brasil hoje, e facilitou a ligação entre Braço do Norte e Orleans e, consequentemente, Grão-Pará. “Eu recordo bem que, quem vinha de Grão-Pará costumava atravessar uma balsa localizada onde hoje é o Bairro Vila Nova. Já quem morava no Lado da União atravessava uma outra balsa, localizada algumas dezenas de metros rio abaixo da ponte nova. E a travessia era constante, pois as pessoas precisavam ir até Braço do Norte para comprar mantimentos, roupas e tudo mais”, relata.
Jair ainda lembra das histórias que seu avô, Augusto Kuerten, contava dos tempos em que os tropeiros passavam pela região, transportando charque e outros produtos. “Meu avô dizia que muita gente morreu atravessando o rio. Os tropeiros vinham da Serra de mula e, naquele tempo, nem mesmo balsa existia. Quando a correnteza estava forte, alguns acabavam sendo levados na hora da travessia”, diz.
Os anos se passaram. Muita água passou por debaixo da ponte, e também por cima. Em 1974, a enchente que atingiu toda a Bacia do Rio Tubarão destruiu a estrutura. Uma segunda ponte foi então construída no mesmo local. Nos dias de hoje, com a nova ponte prestes a ser liberada para o trânsito, Jair Kuerten afirma ter orgulho da história da qual seu pai, e tantos outros prefeitos, fizeram parte. “Todos os prefeitos que vieram depois do meu pai fizeram um bom trabalho. Acredito que cada deu a sua contribuição para o desenvolvimento de Braço do Norte. Mas, é um orgulho que tenho do meu pai, por ter participado do início de tudo e, depois de tantos anos, de tantas tentativas, vermos essa obra finalmente virando uma realidade”, celebra com nostalgia.

Iluminação será
entregue hoje

Aos poucos a ponte, que levará o nome do empresário Celso Kindermann, ex-presidente da Cerbranorte, é entregue para o uso dos moradores. Desde meados de agosto, ciclistas e pedestres já podem utilizar as duas passarelas laterais. A partir de hoje, sexta-feira, a ponte ganha iluminação, dando mais segurança a quem transita por ela no período noturno.
A chuva que cai nos últimos dias prejudica a finalização da pintura e a sinalização, para que os veículos também possam trafegar sobre a passagem. O prefeito Beto Kuerten Marcelino acredita, porém, que no domingo, 27 de setembro, entregue a obra para a circulação de automóveis.

Ponte Celso Kindermann

Início da obra: junho de 2018
Valor: R$ 4.764.311,54 por meio de convênio com o Governo do Estado
Extensão: 150 metros
Largura total: 15 metros
Largura das pistas: 12 metros
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