terça-feira, dezembro 1Diário online de Braço do Norte

Qual sua prioridade?

Levantei. Fui tomar café da manhã. Como todos os dias, esta refeição é o momento onde aqui em casa conseguimos estar todos juntos. Momento em que estabelecemos conexão. Hoje, domingo, estou em Braço do Norte, residência de meus pais. A mesa está posta, temos frutas, ovos mexidos, torradas, a família está presente – sei que não é em todas as famílias que este horário coincidirá. Minha intenção, ao final, é demonstrar a importância de compartilhar momentos. Conhecer os filhos, observar comportamento.
Ao terminar o café, o Henrique sai para brincar com Theo, e eu sento em frente ao computador em busca de um tema para o artigo desta semana. Lembro de uma palestra que há muito havia assistido. Faço uma busca no Youtube e a encontro. Em breves relatos, o professor Mário Sérgio Cortella expõe que, após uma de suas palestras, dirigiu-se ao aeroporto da cidade em questão e, como ainda não havia almoçado, resolveu lanchar antes de voar. Escolheu sua mesa. Ao sentar depara-se com uma garotinha barulhenta e sua mãe na mesa ao lado. Tal menina corria entre as mesas, derrubava copos, ligava seu tablete no volume máximo e a mãe passiva a tudo isso, nada argumentava, apenas aceitava. Neste momento, o professor se dirige a plateia e questiona: “Que filhos e filhas estamos deixando para este mundo?”
Não poucas vezes presenciei cenas de birra em locais públicos, como eu mesma vivi com meu filho. Augusto Cury, em seu livro “20 regras de Ouro Para Educar Filhos e Alunos,” declara já na introdução: a Humanidade está ferida. Faz observações de que a irritabilidade e a inquietação da juventude atual são provocadas em grande parte pelo sistema social doentio e pelo rapidíssimo universo digital que construímos, e não pela carga genética. Logo, o desdobramento do sistema que a criança está inserida contribuirá para sua formação e conduta em comunidade.
A criança relatada por Cortella refaz um fiel retrato de uma realidade próxima. Uma mãe cansada, onde acredita que ceder ao mau comportamento evitará que a criança se revolte e inicie uma cena de choro e gritos em meio ao restaurante.
Nós, pais, temos que deixar de lado o medo de dizer não. É fácil ficar com vergonha, pensar que por se tratar de uma criança a atitude é natural. Não é. Em ambientes públicos temos ainda mais que reforçar nosso bom comportamento em comunidade. Entenda-se autoridade, não autoritarismo, conversar com a criança para que se sente e faça a refeição. Sim, dá trabalho. Mas é essencial. Conversar, explicar.
Aqui em casa, antes de sairmos para lugares públicos, tento situar o Theo. Por exemplo: se vamos ao shopping, sei que ele vai querer ir nos carros elétricos. Observo que deixarei, mas, depois que acabar o tempo ele não pode chorar, tem que ficar feliz por ter ido. Ainda alerto, se chorar irá “perder a chance” de retornar em outra oportunidade comigo. Ele tem três anos. Ele entende.
O mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende muito dos filhos que vamos deixar para este mundo. Meu pensamento retorna ao café da manhã e nos demais momentos que junto partilho com meu filho. Existe a troca de experiências. Tudo ele observa. É importante estar junto. Não importa o tempo.

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Folha do Vale