Judoca Willian Lima, prata em Paris 2024, treina karatê ao lado da atleta local Letícia Cardoso e destaca a cidade como ambiente decisivo para sua recuperação, foco e evolução
Atleta revelou que veio ao estado motivado pela busca de evolução técnica e, principalmente, mental O medalhista olímpico Willian Lima, 26 anos, um dos principais nomes do judô brasileiro na atualidade, está em Braço do Norte para uma etapa especial de sua preparação visando os próximos Jogos Olímpicos. Prata na categoria até 66 kg nos Jogos Olímpicos de Verão de 2024, o atleta revelou que veio a Santa Catarina motivado pela busca de evolução técnica e, principalmente, mental, a partir do contato com o karatê e da convivência com a judoca Letícia Cardoso, atleta da cidade e destaque nacional na modalidade kata.
Segundo Willian, a aproximação com o karatê aconteceu de forma natural, a partir da amizade e da admiração pelo trabalho desenvolvido por Letícia.
“Comecei a ver no karatê algumas formas de evolução, tecnicamente e até mesmo mentalmente, acompanhando um pouco o trabalho da Letícia, vendo como ela competia, vendo a mentalidade dela. Isso me inspirou de algumas formas e começou a agregar na minha vida e na minha carreira”, afirmou.
O judoca revelou ainda que atravessava um momento difícil e encontrou, no processo de treinamento ao lado da atleta catarinense, um apoio importante.
“Hoje a Letícia é uma das pessoas que mais me ajuda e me apoia também”, completou.
Letícia Cardoso, de 20 anos, é um dos principais nomes do karatê brasileiro na categoria kata, modalidade baseada na execução de sequências padronizadas de movimentos contra adversários imaginários. Incentivada pelos pais desde a infância, ela acumula um currículo expressivo: é hexacampeã brasileira de karatê (kata sub-21), tricampeã sul-americana e vice-campeã pan-americana.
.jpg)
Para a atleta, receber o medalhista olímpico em Braço do Norte e, especialmente, na academia da família, tem um significado que vai além do treinamento. Ao lado do pai, Carlos Augusto Cardoso, conhecido como Kall, e da mãe, Kenya, Letícia dirige a tradicional academia Multiação no município.
“É difícil o aluno acreditar quando a gente fala. Mas, quando a gente mostra, é uma prova viva de que é possível, de que o esforço vale a pena”, destaca.
Segundo ela, a convivência com Willian representa um exemplo direto para crianças e jovens que iniciam no esporte.
“Se torna muito mais fácil, tanto para nós atletas como para as crianças acreditarem que é possível, que o esporte, além de saúde, nos possibilita viver momentos inesquecíveis, conhecer lugares, culturas, pessoas e línguas”, afirma.
Para Letícia, a troca diária com um atleta olímpico reforça o papel do esporte como ferramenta de formação humana.
“Ver ele treinando com outros atletas de Braço do Norte vai além das artes marciais. É um momento excepcional, principalmente pelo exemplo que ele representa.”
Willian reforça que a medalha olímpica não se resume a uma conquista pessoal.
“Ela não para só em uma conquista. A gente tem que deixar um legado, tem que conseguir passar essa experiência para a frente. Essa crença, de ajudar qualquer criança, seja de Braço do Norte ou de qualquer outro lugar, a acreditar nos próprios sonhos”, defende.
O judoca lembra que também precisou de referências ao longo da carreira.
“Encontrei pessoas que me ajudaram a enxergar meu potencial, que me levantaram quando eu estava num momento difícil e me fizeram lembrar do porquê eu comecei”, relata.
Para ele, o maior valor da medalha é a possibilidade de comunicação com as pessoas.
“Quando você escuta de um medalhista olímpico que a mente é o poder de tudo, a crença é o poder de tudo, isso ganha outro peso. E é fundamental se cercar de pessoas que querem o seu bem e acreditam em você”, aconselha.
Segunda visita e conexão com a cidade
Esta é a segunda vez que Willian Lima visita Braço do Norte. Natural de Mogi das Cruzes, há 12 anos morando na capital paulista, o atleta destacou a acolhida da cidade, principalmente a comida, e o impacto do ambiente em sua preparação.
“A paz que Braço do Norte trouxe para mim é sem palavras. É muito bom chegar em um lugar calmo, com pessoas que me acolheram mesmo sem me conhecer. Em meio à Corrida Olímpica, isso faz muita diferença.”
Willian integra o programa de alto rendimento da Marinha do Brasil, na patente de terceiro-sargento, dedicando-se integralmente ao esporte.
“O treinamento é uma agressão mental o tempo todo. Tem muita cobrança, muita abdicação. Encontrar paz em meio a esse turbilhão é muito bom”, resume.
Prata em Paris, Willian chegou à final olímpica e foi superado pelo japonês Hifumi Abe, bicampeão olímpico e multicampeão mundial. Após os Jogos, fechou a temporada como líder do ranking mundial da International Judo Federation na categoria até 66 kg. O próximo grande objetivo do atleta são os Jogos Olímpicos de Verão de 2028, que acontecerão entre 14 e 30 de julho.

De volta aos treinos após um período afastado por cirurgia, Willian afirma que tem se inspirado na postura de Letícia dentro e fora do tatame.
“A forma como ela trata os alunos, com amor, disciplina e carinho, tem me feito evoluir como pessoa. Além de ser uma atleta excepcional, tem sido uma amizade muito boa”, elogia.
Letícia também ressalta a importância dessa troca.
“É muito bom ter pessoas que entendem o processo, que ajudam a crescer, principalmente em treinamento e em competição.”
O judoca vai além e faz uma projeção ousada sobre o futuro dos dois atletas.
“Em Los Angeles, eu vou estar nas Olimpíadas sendo campeão. E, em 2032, na Austrália, ela vai estar sendo campeã olímpica lá também”, afirma.
Principais conquistas de Willian Lima
Ouro
– Campeonato Pan-Americano e Oceania – Rio de Janeiro (2024), individual
Prata
– Jogos Olímpicos de Paris 2024 – individual até 66 kg
– Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023 – equipes mistas
– Grand Slam de Antalya 2022
Bronze
– Grand Slam de Tbilisi 2024
– Grand Slam de Tashkent 2024
– Grand Slam de Antalya 2023
– Grand Slam de Brasília 2019
– Grand Slam da Hungria 2020
Em 2023, também conquistou medalhas de bronze em etapas pan-americanas/pan-oceânicas e no Pan-Americano individual.