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O amor em uma história breve, mas eterna

“Meu anjo na terra” é como Rejeane descreve Dom, que a guiou em direção ao seu propósito.

08/06/2023 08h30 | Atualizada em 10/06/2023 10h05 | Por: Redação
Rejeane e o filho Gabriel com a foto de Djhonas, que faleceu em 2014

São poucos os que têm a sorte de poder dizer, em alto e bom som, que já encontraram a sua alma gêmea. Mas Rejeane Ceolin, moradora de Braço do Norte, é uma destas pessoas abençoadas. Apesar de sua história de amor ter sido interrompida pela partida precoce de Djhonas Momm Antikieveski, aos 25 anos, foi pura e profunda o suficiente para reverberar para além da vida. “Foi curto, foi intenso e foi verdadeiro. Ele era tudo o que eu pedia para Deus. Eu falo isso com o maior orgulho porque ele era perfeito para mim. Durante todo o período em que ficamos juntos, sempre senti frio na barriga”, descreve. O casal se conheceu em 2011 e, em novembro de 2014, ele faleceu. Na época, o filho deles tinha apenas seis meses.

Dom, como era chamado, atuava como eletricista e caiu de uma altura de oito metros após sofrer um choque elétrico. Além de perder seu companheiro de vida e pai do seu filho, Rejeane precisou lidar com o luto pelos planos futuros, que também foram interrompidos. Em fevereiro daquele mesmo ano, eles haviam se mudado para a casa recém-adquirida e, em abril, Gabriel nasceu, fatores que tornaram o processo ainda mais difícil. “Eu não lembro desse período dele bebê. A dor do luto era tão forte que apagou da minha mente”, diz.

O primeiro beijo e a primeira loucura

O destino liga uma pessoa à outra de maneiras inusitadas. No caso de Rejeane e Dom, ela ministrava aulas de catequese e, por semanas seguidas, quando chegava no trabalho, ele estava prestando serviços de eletricista no depósito da empresa. Porém, não trocaram palavras neste momento, apenas olhares. Tudo mudou quando Rejeane recebeu uma ligação feita por Dom, o que causou estranheza por parte dela. Esta foi a primeira conversa, o primeiro beijo e a primeira loucura de amor. Ela foi surpreendida quando ele disse que estava em frente à casa dela. “Tais ficando louco?”, questionou. Com medo de que ele acordasse seus pais, ela resolveu dar uma chance. Rejane abriu a porta, enfrentou a noite fria e conheceu o homem que seria o amor da sua vida.

De que forma se materializava este amor?​

Desde então, o contato permaneceu e a relação evoluiu. “É até difícil descrever tudo o que ele representava pra mim, ele era meu anjo na terra. Eu tive a oportunidade de viver um amor verdadeiro ao lado dele”. Além do companheirismo e parceria, Dom também despertava nela o desejo de vivenciar novas experiências. “Ele era quatro anos mais novo que eu e tinha muito pique de viver a vida. O que eu mais admirava nele era a educação e paciência que tinha. E o nosso filho, além de ser fisicamente parecido com o pai, também é como ele neste sentido. Está toda hora dizendo que me ama, que sou especial e que sou linda”, relata.

A presença física cessa, mas um anjo se apresenta

Quando Dom partiu, Rejeane passou a questionar sobre a razão de isso ter acontecido. Ela então partiu em busca de respostas no catolicismo e no espiritismo. Mas sua visão acerca disso passou a mudar de fato quando experimentou o chá de Ayahuasca, uma bebida preparada através da infusão do cipó-jagube e arbusto-cacrona, utilizada em rituais religiosos. “Eu fui por curiosidade e, nesta vivência, me veio uma visão muito forte. Uma pessoa estava lendo um livro para mim e, com isso, eu consegui rever cenas da minha da minha vida, desde a infância. Eram memórias que eu jamais seria capaz de lembrar senão desta forma. Eu não conseguia identificar quem era essa pessoa, mas tudo iluminava à medida em que ela sorria”, descreve. Após repassar todos os momentos, Rejeane relata que o vô dela, que já havia falecido, apareceu e a questionou se ela gostaria de saber quem era, afinal, essa pessoa. “Quando eu respondi que sim, ele me levou para um caminho, onde havia pés de laranjeira, que dava para um rio. Este era um lugar onde a gente passava férias na casa dele no Paraná, quando eu tinha por volta de 10 anos”, conta.

Assim que ela olhou em direção ao rio, se deparou com uma imagem que, ainda hoje, a emociona. “Quando olhei para frente, Dom estava sorrindo, vestido de branco. Ele tinha duas asas enormes. Neste momento, entendi que ele era o anjo da minha vida e, a partir dali, não parei mais de buscar entender tudo o que aconteceu”, recorda ainda comovida.

No enfrentamento ao luto, surge um novo caminho​

“Eu despertei pela dor e, graças a ele, me reconectei com quem sou hoje. Hoje, entendo que tudo faz sentido”, afirma Rejeane, com certo alívio. “Entendi que chegou a hora dele e, de alguma forma, ele sabia que partiria ainda jovem”, conta ela, acrescentando que era algo que ele costumava dizer, mesmo que em tom de brincadeira. Rejeane mergulhou tão a fundo nesta jornada de aprendizado, que acabou encontrando o que de fato ama fazer. Ela transformou seus conhecimentos em um propósito e, por meio dele, influencia positivamente outras vidas. “Hoje, entendo que ele foi fundamental para me direcionar para o meu caminho e possibilitar que eu ajude outras pessoas a se reconectar também”, conclui. “Foi a partir disso que descobri minha mediunidade e comecei a fazer o curso de Reiki. Ele me direcionou e eu sempre sentia ele me amparando e me dizendo o que eu precisava fazer.  Hoje, tenho um espaço chamado Dom Gabriel Terapias porque Dom era o apelido dele e Gabriel é o nome do nosso filho. Para mim, Dom Gabriel é a junção de um amor verdadeiro”, declara. No local, são realizados serviços de saúde alternativos e holísticos, incluindo Barras de Access, Reiki, Tarot e Constelação Familiar.

O que o luto ensina?

Rejeane ressalta que cada pessoa vive o processo de luto de acordo com sua própria realidade. Superar isso é mais desafiador para alguns e, para quem está em volta, é fundamental que ofereça apoio sem julgamento ou sem forçar uma recuperação. “Respeitar o luto de cada é imprescindível. O meu processo foi muito intenso, mas foi extremamente importante passar por tudo isso para me reconstruir”, observa.

Somos apegados e entra toda a questão de sonhos e de estar construindo e idealizando um projeto para uma vida inteira. Hoje, vivo o presente e tento não criar tantas expectativas. Eu já projetei uma vida que não deu certo, então hoje foco muito mais no aqui e no agora”, acrescenta.

Em relação ao momento em que se encontra atualmente, ela acredita que esteja na fase da aceitação. “Estou em paz com isso e sei que ele está na luz. Tenho uma conexão muito forte com Deus, nutro essa relação com Ele. Então só entrego e confio nos planos que foram feitos para mim, no tempo de Deus, tendo paciência para esperar”. E sobre a possibilidade de entrar em um novo relacionamento, Rejeane não descarta, mas também não tem pressa. “Estou solteira até hoje porque é uma escolha minha. Eu vivo sem ansiedade por encontrar alguém, pois sei que o que é meu vai chegar no momento e no tempo certo. Não adianta entrar em uma relação que não é verdadeira ou que não faz sentido por pura carência. Precisamos apreciar, acima de tudo, nossa própria companhia, nos amar em primeiro lugar. Saí da solidão para entrar na solitude”.

“Se fizer sentir, faz sentido”

Por fim, a mensagem que Rejeane deixa é: “acredite no amor”. Afinal, sua história é a prova de que ele existe. “A gente precisa ter fé. Estamos vivendo momentos tão difíceis e desafiadores. Se não acreditarmos, tudo fica muito superficial. As coisas acontecem da melhor forma possível e quando precisam acontecer”, aponta. “Tenho uma tatuagem com a frase ‘se faz sentir, faz sentido’. Para mim, ela é muito forte. Se eu amo e sinto no coração, se a minha intuição diz, é porque é verdadeiro. Só a gente sabe o que nosso coração está sentindo, então precisamos assumir as responsabilidades, sem desistir do amor”, acrescenta.

Para ela, é um desperdício deixar de se permitir vivenciar isso por medo de que algo possa dar errado. “Eu tenho muito orgulho de dizer que vivi uma história de amor com a minha alma gêmea e sou grata a Deus por isso. Fui imensamente realizada com ele e posso dizer que sou feliz. Somos seres completos e ninguém vem para nos completar, mas sim para transbordar. Era muito mágico. Até hoje, sinto frio na barriga ao falar dele”, finaliza.

Folha do Vale

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