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COLUNISTAS

Entre bailes, muros e magias

14/02/2026 09h12 | Atualizada em 14/02/2026 09h13 | Por: Robson Sombrio

Neném, Valdemar Cândido, foi, antes de tudo, um construtor de caminhos. Um homem generoso, visionário e apaixonado pela música, que acreditava nas pessoas e no poder dos encontros. Muito mais do que um dos fundadores da banda Matusa, ele foi alguém que fez acontecer, que abriu portas, que aproximou artistas, públicos e sonhos. Sua presença era simples, mas marcante; sua postura, sempre respeitosa; e sua forma de trabalhar, feita com verdade, dedicação e amor pelo que fazia. Lembro com carinho da única vez em que conversamos, no Cabana Grill, em Braço do Norte. Uma conversa breve, mas suficiente para perceber o quanto ele era humano, acessível e inteiro no que acreditava.

O Matusa fez parte da nossa formação afetiva. Não foi só trilha sonora; foi encontro, foi abraço, foi identidade. Arrastava gente de tudo quanto é canto e, sem exagero, era o melhor show nacional que a gente podia viver naquela fase da vida. A banda marcou uma geração inteira e ajudou a escrever a história dos nossos fins de semana, das nossas amizades e da nossa juventude. E hoje é impossível separar essa memória da figura do Neném, que esteve nos bastidores, sustentando sonhos para que a magia do palco pudesse existir.

Fica aqui a despedida de alguém que viveu com alegria e que levou felicidade aos bailes da vida. Porque ninguém vive sem arte. A música tem esse poder silencioso de encantar pessoas, aproximar histórias e atravessar gerações. Lembro como se fosse hoje: “galera, vai ter Matusa em Orleans”, “O Matusa vai tocar em Urussanga”… e todo mundo ia. Teve até uma vez em que a vontade de estar lá era tanta que, sem dinheiro no bolso, a gente pulou o muro. Éramos jovens querendo viver a vida. Eu sei que o certo a gente não fez, mas era o que a nossa juventude conseguia naquele momento.

Os bailes tinham seus encontros, seus encantos e também suas imperfeições, como a própria vida. Este texto nasce para deixar algumas palavras de carinho e conforto aos amigos e familiares do nosso ídolo, que ajudou a construir tantas memórias felizes. E, para encerrar, deixo um verso que hoje soa como despedida e como gratidão, na voz dos Titãs, na canção Marvin:
“A vida é pra valer, eu fiz o meu melhor… e o meu destino eu sei de cor.”

Folha do Vale

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