Eu sou apaixonado pela escrita, por aquilo que escrevo. Uma conversa me inspira a escrever, músicas também. Gosto de quem gosta de filosofar. Numas conversas dessas, alguém diz: “é preciso não perder o encanto pelas coisas mais simples. Sabe, Robson, tento não dificultar a vida, penso sempre positivo. Já fiz terapia e me ajudou, mas eu me ajudei bem mais”.
Nem todos nós pensamos dessa forma. Acho legal quem simplifica a vida, as coisas. Fico imaginando, e se eu perguntasse mais? Acho que diria que gosta de todas as estações do ano. A conversa fluía. A vida com seus significados e as coisas simples são as que mais importam. Todos os dias começamos com infinitas possibilidades, mesmo que a gente não enxergue claramente. Todos os dias, novas possibilidades.
Posso lhe dar um conselho? Aprenda a ouvir mais. E faça suas escolhas alheia ao barulho do mundo, pois, quando silenciamos a cabeça, podemos ouvir coração. A vida pode ter infinitos desfechos, mas lamentar a vida escolhida e ficar sonhando ou se iludindo com a vida não ajuda em nada. Você está onde deveria estar. A única coisa que é possível fazer nesse momento é tentar transformar o dia que virá. A questão é: há motivos que a gente não entende, que nos conduzem a uma decisão, mas sempre é tempo de refletir, por mais que acreditemos que fizemos uma boa escolha. O que está em jogo com essa decisão? Algumas coisas acontecem porque tinham que acontecer. Não importa se você desejou o contrário.
Há desfechos que não dependem da nossa vontade e, por mais que pensemos controlá-los, não controlamos. De repente, a gente percebe que a felicidade se constrói assim. Não existe vida perfeita, mas momentos simples e concretos. Vivemos tempos diferentes, onde todo mundo posta, todo mundo só aparece sorrindo, todo mundo curte. Todo mundo tem a possibilidade de aparecer, sorrindo de preferência, mas logo a gente se dá conta que a gente não é todo mundo. E sentimos falta das coisas mais simples. Um abraço, demorado de preferência, um beijo, um sorriso. Gosto das redes sociais, mas nada substitui o encontro. De vez em quando, é bom submeter ao imprevisível. Aquilo que lhe pega de surpresa. Como esse texto, num dia comum. A vida é uma enorme cocha de retalhos. Com seus imprevistos, sustos, delícias, incertezas. Vá a uma livraria, lá cada livro na prateleira representa uma história. E você tem a possibilidade de ver qualquer ou todas as versões, ficções ou vida real. Alternativas de vidas possíveis. A leitura leva a mergulhar mais profundamente em si mesmo. Lembrando a refletir sobre lembranças, expectativas, obediência, desejos, decepções, decisões. Por fim, a vida de cada um pode ter infinitos desfechos.
Luz entra pela casa, trânsito parado, bar com música, pessoas conversando na esquina, gente caminhando, crianças brincado, movimento intenso. Tudo em movimento. A gente tem que continuar. Diálogos, bom papo e uma boa filosofia da vida. Estava conversando com uma senhora que perdeu marido para corona vírus (quase não se fala mais nisso). Ela triste, falando que sente falta. Entendo e compreendo ela. Ninguém disse que seria fácil, ninguém disse que seria difícil. Tenho uma frase comigo da minha mãe “a gente tem que continuar”. Essa frase é muito minha mãe. A vida e constituída de muitas histórias, e finalizar uma etapa é apenas um capítulo não significa o fim. Quem disse que meu pai, minha mãe e até mesmo minha irmã teriam que estar comigo em carne e osso até esse momento.
A vida é prova. Todas as questões são especificas para seu crescimento. Errar faz parte, deixar a vida passar em branco que não é legal. Somos a leitura que fazemos do mundo. E podemos ler delicadezas, aceitar o espetáculo. Mas, não podemos ter falta de esperança e a ausência da fé. Quanto mais vivemos, mais eternizados ficamos. A vida vai passar e se você fica feliz quando o outro está feliz, você entendeu a vida. A poda é necessária para a planta se fortalecer e equilibrar – o luto ensina e amadurece. Ensina que existe tempo para tudo, e nem tudo tem respostas. Algumas folhas vão cair durante a vida, modificando a árvore e a espécie. Os mais fortes são aqueles que se adaptam. Algumas folhas são desnecessárias, ainda que não se saiba essa compreensão do momento. Ensina a modificar nossa essência.
Enquanto tivermos bons pensamentos, permanecemos jovens. Penso que até o último dia de nossas vidas não descobriremos quem realmente somos. O tempo faz a poda, pode escrever são cada tesouradas, são tantas feridas, algumas não se curam, e você terá que se ajustar a uma nova forma de viver. Quem eu conversava? Foi com Dona Neide. Eu senti que ela precisava conversar, eu também estava afim de um bom papo, não imaginava que viraria um texto. E a vida é uma adaptação constante. Já perdi amigos, me separei de pessoas insubstituíveis, sofri decepções absurdas, descobri que ninguém é perfeito. Todos somos felizes, e se tivermos sorte a cada etapa sairemos melhores. O tempo melhoras as pessoas. Que saibamos perdoar, a pedir perdão e entender que o tempo leva pessoas especiais.
A vida é muito curta e o roteiro só depende de você. É assim que a gente se mantém vivo. Decidindo ser melhor a cada dia. Se permitindo chorar, se permitindo sorrir, se autorizando a se diverti com a própria vida. Todo mundo aprende, não importa como. Ops! Vou reescrever, pois nem todo mundo aprende. Não importa quantos tombos leve. Precisamos compreender que com esforço, empenho e fé somos igualmente capazes de cruzar a linha de chegada. Para depois então relaxar, porque aprendemos a viver a saber que nem todos os dias estaremos bem, mas precisamos levantar e confiar no nosso Deus, no nosso taco.
Dias de outono, logo virá próxima estação. Saímos do verão e ainda não estamos prontos para o inverno. Exigência da felicidade está se tornando a causa da nossa infelicidade. Porque vivemos esperando, buscando, desejando e esquecemos de usufruir, de viver o presente. Da paz acolhedora de um dia, essa que nos reconcilia com a vida e suas possibilidades. Do trânsito parado, das contas a receber, das contas a pagar. Mas, também de ver um gol do filho na escolinha de futebol, do pôr do sol visto da janela de casa, do beijo de boa noite, do fim de semana na praia, no sítio, com chuva ou com sol, do abraço acolhedor. Como diz a música Jota Quest, “vivemos esperando dias melhores”. E esquecemos das conquistas diárias, aquilo que é possível – “só isso”.
A vida não é um presente de grife, embrulhado em um papel bem bonito e especial. Nem laço é de cetim. A vida é um presente gratuito, com cheirinho de mãe de um pai, com um cheirinho familiar. A vida é imperfeita. Nós somos imperfeitos. Quando deixamos de nos iludir com a grama do vizinho e tanta propaganda enganosa, finalmente vivemos melhores e amamos mais. Nossos dias são cheios de altos e baixos, nossos afetos, nem sempre perfeitos. Afetos são conquistados, não são perfeitos. Nosso trabalho, por vezes estressante e cansativo, nossa realidade tão imperfeita e particular. Sofremos porque imaginamos a vida como algo que não temos. Sem querer, desprezamos nossas conquistas. Imaginamos um pote de ouro, além do arco-íris. Eu estou lembrando do nosso delicioso feijão com arroz.
Estar vivo e estar em movimento. O que dá sentido não é o fim, e sim o percurso, imperfeito e simples. Enquanto vivermos de expectativas, sempre haverá a possibilidade de nos frustramos. Mas, isso também é uma escolha, uma opção. A maioria dos dias são comuns, familiares. Claro que temos dias com fortes emoções, músicas com inícios e finais felizes. O que não podemos é nos deixar de se apaixonar por aquilo que é. Aquilo que simplesmente é. Não vamos deixar a exigência da felicidade tornar a causa da nossa infelicidade. Tudo é tão simples, tudo é tão bom. Pausas são necessárias, e uma hora você irá perceber que foi importante ter o freio puxado, o caminho desviado. Se perdoe por ter sido menos entendido, menos amado do que gostaria. Por fim, tenho que terminar esse texto. Vou fazer uma pausa e buscar um café. Logo, terminarei mais um texto, degustarei meu café. Podemos querer muita coisa, mas nada garante que será nossa. Podemos desejar muito um momento, nada garante que será possível. A perfeição dos dias, dos acontecimentos, não nos pertence. Tudo faz parte de uma composição maior, na qual estamos inseridos, como pensamentos coloridos. Temos intenções, supomos nossas escolhas e direções, mas o final pode ser diferente do que imaginamos.
Posso várias coisas, nem todas difíceis, mas não posso tudo. Esse é o drama. Na verdade, existe o incontrolável. O que não posso evitar. Outra parte é o que nós escolhemos. Acredito que somos em partes nossas escolhas. O resto é destino, a sorte ou o azar. Essa é a parte complicada, porque aceitar que podemos tomar decisões significa assumir alguma responsabilidade. Tão bom se os outros decidem e a gente apenas segue feito cordeiro. Mas sim, temos escolhas. Podemos tentar controlar um pouco. Posso ser mais humano, mais delicado, menos preconceituoso, mais gentil, olhar, abraçar, aplaudir, elogiar aqui e a ali. Partilhar sorrisos e gargalhadas, confortar nas horas difíceis, dar colo e ombro. Isto é ver algo além de mim.
Com o tempo, a maturidade, a experiência e alguma ousadia, fui simplificando várias coisas. Com algumas é difícil. Alguém liga e manda mensagem – escreva sobre isso, ou exigindo um artigo no jornal. Livre, eu pelo menos preciso estar livre para escrever. Sou feliz com as horas no computador, lendo algum livro, ou olhando a paisagem de onde vem muita informação. Aquela frase, aquela palavra, a gente sempre pode se ajudar, se corrigir, se pegar no colo e se agradar um pouco. Não vamos ser aquela extrema chatice que só resmunga, só lamenta. Vamos caprichar na escola, no trabalho ser mais interessado, vamos ouvir boas músicas, vamos deixar que nossa mente se abra para o mundo. Posso várias coisas, nem todas difíceis.
Podemos também não poder. Podemos não magoar a pessoa que nos ama, podemos ajudar uma velhinha a atravessar a rua, podemos não nos matar de bebida e droga. Podemos pedir ajuda e construir uma família. Alguém me pergunta se concordo com a teoria de que tudo está predeterminado em nossa vida. Discordo e concordo. Talvez seja meio a meio. Parte é determinada pela família que nascemos, amorosa, fria, violenta ou calma, otimista, pessimista. Bom em matemática ou em português, ou nos dois. Corajoso, tímido. Mil detalhes que formam e constitui um ser humano. E que nem sempre podemos mudar. A outra parte são as nossas escolhas, somos em partes nossas escolhas. O resto é destino. De verdade, não posso esquecer. Existe o incontrolável. Por fim, o que eu e você temos a oferecer? Quantas chances a gente perde? Talvez a sua jornada agora seja só sobre você. E que na verdade, não tem nada perdido, é só a vida te apresentando uma nova possibilidade pra você encarar e seguir em frente. Uma das coisas que mais aprendi foi a importância de assumir a responsabilidade das minhas escolhas, das minhas atitudes e dos meus erros. Quando você aceita que a culpa foi sua, você consegue segurar a própria mão e ir em busca de uma versão melhor.
Sobre escrever e ter sentido o que se escreve. Agora é o momento de você ficar com você. Ler é divertir-se. Eu escrevo sobre afeto, atenção e emoção. Respeito o que eu sinto. A intenção é direcionar todo meu sentimento para o papel. Para pessoas que têm o interesse de receber. Eu não estou culpando a sua preguiça de ler (não podemos generalizar) e sua falta de atenção com a arte, com as palavras escritas. Talvez seja o momento para você parar e respirar, sabe? Talvez seja o momento para SENTIR. Para priorizar aquilo que você sempre quis fazer, seus planos, seus projetos pessoais. Nesse texto, é só a vida te mostrando uma nova possibilidade pra você seguir em frente.
Escuto a música In My Place, Coldplay. Um dos melhores show da vida. Já fui, e acompanhei a galera do Brasil inteiro nos shows. Recebi vídeo ao vivo de alguns amigos. Toda essa ânsia de viver e ver as pessoas vivendo, pessoas desbravando o mundo, conhecendo lugares, pessoas, músicas com significados interessantes. Eu aqui compartilho o meu com você. Toda essa vontade que cresce a cada minuto. Toda essa vontade que tô sentindo em entregar nas tuas mãos o que eu guardo comigo... as palavras escritas te convidam pra gente estimular essa energia em forma de afeto, toda essa potência que eu sinto no meu coração, no meu peito, eu queria que você sentisse o mesmo.
Eu sei, talvez eu queira demais, o Brasil é um país que lê pouco. E, diante disso, preciso recolher tudo. Semana passada, meu texto ganhou o estado de Santa Catarina, criou asas e fiquei bem feliz. Talvez porque tenha trazido ocasiões um pouco mais fortes, lembrando das emoções de um jogo de futebol. Por isso que escrevo... eu só quero destinar tudo de lindo que eu tô sentindo pra alguém que realmente tenha interesse em receber. Eu sempre falo o que sinto, aprendi isso na terapia, expressar o que se sente. Eu falo mesmo e mando mensagem. Eu gosto a qualquer hora do dia e da semana. Eu escrevo e, algumas vezes, recebo retorno de volta.
Por fim, existem pessoas boas no mundo, gente como a gente que merece a nossa atenção e nossos sentimentos. Dizer o que se sente é perceber que o mundo importa sim. Eu sei, fomos ensinados a “não” sentir. Hoje eu sinto saudades de mim, não do outro. Quando você sabe ser você por inteiro, você se sente mais leve e livre pra expor o que sente. Isso deve ser um exercício diário. Nem sempre é fácil. In My Place, no meu lugar...

Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo (CRP 12/05587) e autor de vários livros de autoajuda. @robsonkindermannsom