Um gesto de sacrifício e esperança

Comerciante Roger de Oliveira, morador de Braço do Norte, relata experiência que passou de doar medula óssea

Recentemente, o comerciante Roger Virtuoso de Oliveira, de 44 anos, morador de Braço do Norte, passou dois dias internado em um hospital de Curitiba para um procedimento cirúrgico. O incômodo físico da situação era evidente. Mas, diferentemente das maioria dos internos daquele estabelecimento, Roger estava feliz, satisfeito. Pois ali estava para extrair e doar uma porção da sua medula óssea e, assim, dar esperança de vida a outra pessoa.

HÁ MAIS de 10 anos Roger é um frequente doador de sangue

De volta para casa e já em pleno exercício das suas atividades cotidianas, conta como foi essa experiência única.
Há mais de 10 anos, Roger é um frequente doador de sangue. Seu tipo sanguíneo, “O”, possui grande demanda pelas instituições hospitalares. Assim como a maioria dos doadores habituais, também permitiu que seus dados genéticos fossem cadastrados no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea). Qual não foi a sua surpresa quando, no final do ano passado, recebeu a notícia de que haviam encontrado um receptor compatível, um portador de leucemia que precisava da sua medula.
“Em dezembro fui contatado e me disseram que eu era compatível com um paciente a espera de transplante. Fiquei extremamente feliz e ansioso. Ainda em dezembro, realizei o primeiro exame. O segundo foi feito em janeiro deste ano, e, em abril, foi o terceiro. Tendo dado tudo certo, eu estava apto a doar a medula”, relembra.
Os últimos exames foram no dia 9 de setembro. No final do mês, Roger seguiu para Curitiba, onde realizou procedimento de extração da medula. “No dia 23 de setembro, eu subi para a sala de cirurgia. A medula foi extraída do osso da bacia. No dia seguinte, já recebi alta e fui para casa. Após mais uma semana de repouso, já estava pronto para trabalhar”, detalha.
O comerciante não sabe quem será beneficiado com o transplante da sua medula. Pode ser qualquer pessoa em todo o território nacional, ou até mesmo de fora do Brasil, que esteja na fila de espera. Caso tudo corra bem com o receptor, após seis meses, se forem de suas vontades, ambos poderão se conhecer.
O que não é nenhum segredo é a satisfação de poder ajudar alguém em um momento tão crítico. “Quando uma pessoa recorre ao transplante de medula, seja por causa de leucemia ou de alguma outra doença, é porque os outros tratamentos não deram certo. O transplante de medula é o seu último recurso. Então é muito bom, muito gratificante, poder dar esperança a essa pessoa. Não vou dizer que é um procedimento agradável, mas não é nada perto do fato de que podemos dar uma nova vida a alguém. Porque quando um paciente recebe uma medula, todo o seu sistema imunológico é zerado, não há anticorpos. É como se fosse um recém-nascido. Por isso, costuma-se dizer que é uma nova vida, como nascer novamente, não só para o paciente, como para sua família”, diz esperançoso.

Registro Nacional

O que permitiu que Roger fosse encontrado para doar sua medula óssea foi o fato de ter se cadastrado no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Um sistema mantido pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer), órgão público vinculado ao Ministério da Saúde. Para se cadastrar, basta procurar um hemocentro ou posto de coleta de sangue. Na região, os pontos de coleta do Hemosc mais próximos ficam em Tubarão e em Criciúma.
O sistema é totalmente público. Em caso de transplante, doador e receptor não têm qualquer custo. O doador, caso tenha que se deslocar, tem todas as suas despesas cobertas – transporte, hospedagem, alimentação e despesas médicas – inclusive do seu acompanhante.
Atualmente, há quase 5 milhões de doadores em potencial registrados, um dos maiores cadastros do mundo. Acredita-se que 850 pacientes estejam em busca de doador em todo o Brasil.

Doação de órgãos

Doar medula óssea ou um rim são procedimentos que costumam ser feitos com o doador ainda em vida e voluntariamente. Quando a captação de um órgão envolve um doador recém falecido, a situação é mais delicada. Entre os municípios que integram a Amurel, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão, é o que está habilitado a captar diversos órgãos para transplante.
A instituição conta com a Comissão Hospitalar de Transplante, uma equipe multiprofissional da área de saúde que organiza uma série de rotinas e protocolos que possibilitam o processo de doação de órgãos e tecidos para transplante. Por meio técnicas específicas, os familiares do paciente recém falecido e potencialmente doador são acolhidos e abordados a respeito.
Em caso de morte encefálica, quando cérebro para de funcionar, mas o coração ainda bate momentaneamente, os órgãos que podem ser retirados são o coração, os dois pulmões, o fígado, os dois rins, o pâncreas e o intestino, podendo assim ajudar até oito pacientes à espera de um transplante. Tecidos e células, como córneas, válvulas do coração, ossos, pele, sangue, medula óssea e cartilagens, também podem ser doados.
Pessoas que desejam doar seus órgãos devem sempre expressar essa vontade aos seus familiares. São sempre os parentes próximos que autorizam a captação.

Para ser doador de medula

z Ter entre 18 e 55 anos;
z Estar em bom estado geral de saúde;
z Não ter doença infecciosa ou incapacitante;
z Não apresentar doença neoplástica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico;
z Algumas condições de saúde não são impeditivas para a doação, sendo analisado cada caso.


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