Um amor incrível entre o pai e a filha adotada

Evaldino não queria adotar a criança, mas ela agarrou em sua mão e não largou mais durante toda a conversa no Forum

VALERIA no dia do batismo: novo nome, antes se chamava Suzi Cleide

Evaldino Becker Preis tens 64 anos e nasceu em Santa Rosa de Lima. É terceiro filho de um total de oito. Perdeu o pai, Davi, quando tinha apenas oito anos. Sua mãe, Lídia Becker Preis, juntou a família e veio morar em Braço do Norte. Nunca mais casou. Para poder dar conta da subsistência, Lídia ofereceu para adoção duas de suas filhas, apesar de nunca afastar o convívio entre elas e os irmãos.
Com muito sacrifício, Evaldino trabalhou na roça e, assim que teve força e tamanho, começou a atuar nas granjas de suíno da região. Assim foi por 36 anos, até se aposentar por invalidez, com desvio na coluna.’
Em 1982, em Braço do Norte, Evaldino casou com Erica Bloemer Preis e foram morar no Rio Pequeno. Sempre pretenderam dar à luz uma criança, mas quis o destino que o casal não pudesse ter filhos. Isso causou um grande vazio no peito dos dois, que depois de sete anos casados, decidiram entrar na Justiça com um pedido de adoção. O que parecia simples, levou cinco anos para acontecer, pois o casal queria um recém-nascido.
Em 1994 veio a grande notícia: a chance de adotar uma criança tinha batido às portas. Porém, a menina já tinha três anos de idade. Quando ia até o Fórum para conhecer a criança, foi chamado a Criciúma, onde também tinha deixado o nome para adoção. Lá sim, uma recém-nascida o esperaria. Ao chegar no hospital de lá, ficou sabendo que o alarme era falso. A mulher grávida, não teria ainda dado à luz. Então voltou a Braço do Norte para comunicar aos responsáveis pela adoção, que não teria mais interesse em ficar com a criança de três anos. E aí começa a nossa história.

COM A chegada da neta, família ficou ainda mais feliz

“Cheguei no Fórum e o João Prudêncio, que trabalhava com a adoção, me mostrou a criança. Nunca me esqueço, porque fiquei assustado. Era feinha. Magra, estava com o cabelo que parecia que tinham colado chicletes. Eu falei que não ia levar a criança”, recorda Evaldino. Neste momento, a pequena, que se chamava Suzi Cleidi, foi em direção a Evaldino, segurou forte em sua mão e não largou mais. “Era incrível. Quando alguém tentava tirar ela do meu colo, chorava forte. Não aceitava que ninguém chegasse perto”, recorda.
Evaldino levou a menina para casa, e o que seria apenas uma semana para ver se se adaptavam, tornou-se uma grande história de amor entre pai e filha. “Ela que escolheu a gente e assim que começou a falar conosco, já nos chamava de pai e mãe. Aquele vazio que estava em nossos corações começava a ser preenchido”, diz. “Porque uma família sem filho é como um jardim sem flor”, poetiza.

(Continua depois do anúncio)

O nome Suzi Cleide, ficou pra trás. A menina ganhou nova casa, nova vida e novo nome. Hoje com 27 anos, Valéria Bloemer Preis já é mãe. Vendedora, é balconista em Rio Fortuna, casada com Marcelo Grubert, de 25 anos. Há dois anos eles tiveram a filha Gabrielle que fez aumentar a família. “Nós moramos todos juntos, na mesma casa, e a chegada da neta só fez crescer o amor”, diz Evaldino, que curte a Gabrielle com a mesma emoção que viu crescer a filha adotiva. “Aliás, até maior, porque eu e minha esposa podemos, agora, dar mais atenção. Na época da Valéria, tínhamos que trabalhar bastante para dar conta”, diz o pai e avô orgulhoso, que passa a maior parte do dia paparicando a neta em sua casa no bairro São Francisco de Assis.

“Lembro que a gente passava muita fome”

Valéria Preis nasceu em Canta Galo (PR). Sua mãe abandonou a família e deixou seu pai com mais dois filhos, quando ela tinha apenas 11 meses. “Então, fui internada no hospital e o médico descobriu que eu tinha era vermes, quase morri”, recorda. Quando eu estava com três anos, o meu irmão do meio de cinco anos, em uma brincadeira de criança, colocou fogo na pequena casa que a gente morava no Paraná, o que obrigou a gente a deixar tudo e vir para Braço do Norte, onde morava a mãe do meu pai, na localidade de São José”, explica.
Valéria diz que o pai juntou a irmã mais velha, com oito anos, e os outros dois irmãos no colo e, com uma trouxa de roupas, caminharam diversos quilômetros até pegar uma condução para poder vir para Braço do Norte. “Só chegamos na cidade graças ao padre Antônio Henkemeier que pagou as passagens. Ele era amigo da minha avó e nos ajudou”, acrescenta.
Os vizinhos da avó é que sustentavam a família. “Uma imagem que não sai da minha cabeça foi a de uma pessoa que morava perto de nossa casinha trazer um pão de milho para a gente. Estávamos passando fome. Ela deu um pedaço para cada um e colocou o resto amarrado na viga do telhado, onde a gente não poderia alcançar, pois sabia que, pela fome a gente comeria tudo, e aquele pão era para o café, mas também a janta daquele dia”, recorda emocionada. Foram os próprios vizinhos que denunciaram ao Conselho Tutelar, na época, o abandono das crianças, já que o pai deixava elas sozinhas em casa para ir trabalhar. Todos os três foram adotados.
“Não tenho raiva nenhuma do meu pai e da minha mãe biológicos. Se não fossem eles, eu não teria nascido e não estaria nesta família maravilhosa. Não tenho trauma algum e sou muito feliz. Amo meu ‘paizinho’ e peço a Deus que ele, ao lado da mãe que me adotou, fiquem bem velhinhos ao meu lado. Quero ainda abraçar eles por muitos anos”, reconhece agradecida pelo acolhimento. “Tem gente que só enxerga o lado ruim das coisas. Eu, com as dificuldades, aprendi a ver sempre o lado bom e isso me faz bem”, prega.

 

(Continua depois do anúncio)

 

“Melhor escolha que fiz na vida. Seguir o caminho do meu pai”

Luan e seu pai, Laureci, contam sobre como a rotina de trabalhar juntos ajuda no relacionamento.

 

Comemorado no segundo domingo de agosto, o Dia dos Pais é o momento de aproveitar o tempo em família, de homenagear pessoas queridas e fortalecer os laços familiares, já que na boa parte dos casos, pais e filhos não estão tão próximos no dia a dia, seja por distância entre os lares, ou por falta de tempo para se rever.

Luan, de 17 anos tem o prazer de poder conviver diariamente no trabalho com o seu pai, Laureci

Diferente situação vive Luan Santos da Luz, de 17 anos. Ele tem o prazer de poder conviver diariamente no trabalho com o seu pai, Laureci Vieira da Luz, de 44. Pai e filho aproveitam a rotina para fortalecer os laços.

Desde novo, Luan trabalha como encarregado de produção na empresa em que seu pai é proprietário, Agrocel, e conta que seguirá os passos de seu pai, cuidando do estabelecimento com muito orgulho. “Melhor escolha que fiz foi a de seguir o caminho do meu pai”, destaca ele. “Sempre me identifiquei com o trabalho e gostei de estar perto dele, temos uma relação e parceria que é fortalecida diariamente pela rotina de trabalho”, acrescenta.
“Fico muito feliz que ele tenha feito essa escolha com tanta convicção. Convivendo com ele, diariamente no trabalho, tenho plena certeza que, com a nossa parceria, a empresa estará em ótimas mãos”, conta Laureci, emocionado. “O tempo que passamos juntos agrega muito na nossa relação”, conta Luan, que pretende cursar Processos Gerenciais na faculdade para continuar cuidando do estabelecimento familiar.

“Sempre discutimos nossas opiniões, para chegar em um consenso do que é melhor para a empresa, de forma tranquila e amigável”, descreve Luan. “Trabalho na empresa há 20 anos, e há 6 tive a oportunidade de me fazer proprietário do estabelecimento, e o Luan me ajuda na empresa desde cedo, sempre muito prestativo e responsável”, relata o pai.

“O Dia dos Pais é uma data comemorativa muito especial. Dia ter bons momentos com a família e que deve ser passado com quem representa a figura paternal para nós”, expõe Luan. “Sempre comemoramos o Dia dos Pais na casa do meu avô, com muito churrasco, conversas, e, no final, o dia sempre rende uma história pra contar”, diz alegre.

 

 


Leave a Comment