terça-feira, janeiro 26Diário online de Braço do Norte

Tragédia nacional

Artigo de Luno Volpato

A tragédia remonta à antiguidade grega onde pontificavam Sófocles, Ésquilo, Eurípedes… Entre outros tantos, a tragédia foi um dos grandes legados desta rica cultura para a humanidade. Era um verdadeiro show, e tinha como função primeira despertar no espectador um quadro de emoções. O cidadão experimentava uma espécie de terapia e saía verdadeiramente comovido, em estado de catarse. Evidentemente, tudo não passava de uma apresentação teatral. Mas era um grande e rico espetáculo, sem dúvida!
O que ocorre, hoje, em nosso país, é uma tragédia sem precedentes em sua história. Outras tragédias: já houve e, só para lembrar, a gripe espanhola, logo depois da 1ª Guerra Mundial, matou aproximadamente cinquenta milhões de pessoas. Que desastre! Causa arrepios, só em pensar.


Como noticiam os meios de comunicação, a toda hora, o corona vírus surpreendeu os institutos, encontrou-os despreparados, sem respiradores e outros equipamentos imprescindíveis. E com uma evolução indesejada que pode levar o sistema de saúde ao colapso total! Qualquer especulação é temerária. Isto quando, e se, a praga desaparecer, arrastando consigo a insolvência da economia com a queda vertiginosa do PIB. Porém, antes de tudo, com absoluta prioridade, as vidas devem ser preservadas. Sim, as vidas humanas!


A pandemia atual está muito próxima de nós. Está em nossa cidade, em nosso bairro, em nossas ruas, ali na esquina, em nossas casas, em nossa cozinha… Está em nosso vizinho que, muitas vezes, é mais prestativo, mais presente, mais solidário, quiçá mais importante até do que propriamente um membro da família. E que, na falta de um remédio eficaz, pelo menos, oferece um colo, um consolo, uma palavra de conforto, um sorriso, um abraço que seja… Isto se chama solidariedade!
A cada dia, são centenas de novos casos anunciados… É muita coisa! O ritmo com que se propaga é avassalador! Isto para não falar na subnotificação, uma incógnita sem controle, mas real. O certo é que ninguém, absolutamente ninguém, está imune. E, como se percebe, o vírus não tem freios ou limites. Alastrou-se por todo nosso território. Nunca houve nada parecido! É portador do caos, da destruição, da fatalidade. Não faz acordos, pactos e nem assina tratados… É cruel por natureza e não se deixa seduzir. Não dialoga, impõe regras! Pouco lhe importa os gritos de dor e as lágrimas de desespero pelos corpos caídos ao longo do caminho. Tem certa predileção pelos recordes, dia após dia… Matar mais e mais é sua missão prioritária. Percorre celeremente as áreas mais remotas e desconhecidas e determina seu poder e agressividade. Não tem complacência, nem concede privilégios. Não pede aplausos, não implora sorrisos… Sua missão unilateral é destruir, matar… Mais e mais…


Eu me coloco no lugar destes familiares que, de uma hora para outra, perdem um membro da família que, até ontem, estava de bem com a vida, sem qualquer problema aparente. E o pior, numa circunstância absolutamente caótica da economia…
Paira sobre as famílias, de qualquer classe social, diga-se de passagem, o fantasma da incerteza ante a crueldade de uma catástrofe, sem hora para terminar. E sem qualquer perspectiva de um remédio com a necessária eficácia para derrotar este monstro agressivo e letal. As notícias assustam e causam perplexidade. O mundo está literalmente em estado de pânico. E de joelhos!


A única coisa a se fazer (que tristeza!) é torcer para que o mal não bata em nossas portas. Não existe prevenção, além dos cuidados básicos divulgados, à exaustão, pela mídia nacional e de todo o mundo. E, neste quadro de angústia, um sintoma qualquer, uma tosse, um espirro, falta de ar e o caos se instala e o pânico assalta os familiares e amigos.

E o Brasil, pelo que se pode observar, caminha célere para bater todos os recordes desta pandemia. Que marca trágica! Deus nos guarde, a todos, e mantenha este monstro distante de nossas portas. E lares! Esta é uma tragédia sem rosto, sem história, sem carimbo, sem antecedentes, sem CPF, sem CNPJ… E, lamentavelmente, parece uma tragédia sem fim!…

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Folha do Vale