Taxa de Juros deve ser reduzida novamente

Coluna semanal de Antenor Turazi

A taxa básica de juros (Selic), que já foi reduzida de 3,75% para 3% ao ano na semana passada, deve ser cortada novamente nas próximas semanas por conta da pandemia do novo coronavírus. A percepção consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Para a próxima reunião, condicional ao cenário fiscal e à conjuntura econômica, o Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19, afirmou o Copom, indicando que a Selic pode ser cortada em até 0,75% na sua próxima reunião, que, por enquanto, está marcada para os dias 16 e 17 de junho. Na ata, o Copom explica que neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado. Mas classifica o corte de 0,75% da Selic anunciado na semana passada como um ajuste moderado. 

INCERTEZAS SOBRE A ECONOMIA

O Copom lembra que “a pandemia da Covid-19 está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos”. E diz que o cenário é especialmente desafiador para economias emergentes como a brasileira, visto que a saída de capitais registrada nesses países é “significativamente superior à de episódios anteriores”, “apesar da provisão adicional de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias, e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros”. “Indicadores de maior frequência e tempestividade, referentes ao mês de abril, mostram que a contração da atividade econômica será significativamente superior à prevista na última reunião do Copom”, revela o Comitê, que acrescenta: “Estamos diante de um cenário que aponta para uma recessão global com poucos precedentes históricos”.

CENÁRIO FUTURO

Para o Brasil, por exemplo, o Copom avalia que embora haja poucos dados disponíveis para o mês de abril, há evidência suficiente de que a economia sofrerá forte contração no segundo trimestre deste ano. E ressalta que a menos de avanços médicos no combate à pandemia, é plausível um cenário em que a retomada, além de mais gradual do que a considerada, seja caraterizada por idas e vindas. O cenário básico considerado pelo Copom passou a ser de uma queda forte do PIB na primeira metade deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre deste ano, diz. O Copom ainda afirma que o impacto da pandemia sobre a economia brasileira será desinflacionário e associado a forte aumento do nível de ociosidade dos fatores de produção. Isso porque a elevação abrupta da incerteza sobre a economia deve resultar em aumento da poupança precaucional e consequente redução significativa da demanda agregada. O Comitê também admite que, por conta disso, a inflação corre o risco de ficar fora da meta prevista para este ano, que é de 4%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. As projeções de curto prazo experimentaram revisões relevantes e incorporam a perspectiva de deflação significativa nos próximos meses.


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