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Setembro Amarelo: um alerta contra os suicídios

O tema é quase sempre um tabu. Mas, nesses dias modernos, em que o cotidiano das pessoas é cada vez mais atribulado e a saúde mental e emocional correm grande risco de ser atingida, o suicídio necessita de ser discutido, entendido e, assim, possa ser prevenido.
Em Braço do Norte, neste ano, 6 pessoas já tiraram a própria vida. Um número bem superior aos apenas dois casos registrados no ano passado. Com a chegada do Setembro Amarelo – campanha realizada para a alertar sobre o suicídio – a questão tende a ser mais debatida e, espera-se, possa reduzir o ritmo das ocorrências.
As estatísticas relacionadas ao suicídio são do CVV (Centro de Valorização da Vida), uma ONG que atua em todo o Brasil e que possui uma sede em Braço do Norte. No município, a entidade é coordenada pela enfermeira Eliane Cristina Martins e oferece uma série de serviços, cursos e atendimentos voltados à busca de equilíbrio emocional.
A principal ferramenta do CVV, porém, é o 188, um plantão telefônico que funciona 24 horas. Pessoas com pensamentos suicidas podem ligar a qualquer hora. Um plantonista voluntário atenderá. Especialmente treinado, ele oferecerá suporte e apoio emocional àqueles que precisam de ajuda.
“Normalmente, a vontade de acabar com a própria vida vem em um momento de grande perda, de grande ruptura, em que a pessoa precisa muito de suporte emocional. O atendimento realizado pelo CVV por meio do telefone é totalmente sigiloso e anônimo. Um pessoa de Braço do Norte, por exemplo, é atendimento por alguém de São Paulo. Eles não se conhecem, e isso pode facilitar a conversação. Porque, muitas vezes, o suicida apenas quer ser ouvido, que sua dor seja compreendida, e nossos atendentes estão especialmente capacitados para essa situação”, explica Cristina.

Setembro Amarelo intensifica uso de camisetas

Dentro das atividades que envolvem a prevenção do suicídio, o nono mês do ano é conhecido como ‘Setembro Amarelo’. No período, são intensificadas campanhas e ações pela valorização da vida.
Em Braço do Norte, o CVV ganhou 400 camisetas alusivas à campanha, doadas pelo empresário Walmir Casagrande, o “Bilica”, proprietário da K2. “No dia 7 de setembro, vamos participar do Desfile Cívico. Estamos ainda preparando ações e eventos de divulgação para ampliar ainda mais a discussão a respeito da valorização da vida”, informa a coordenadora. Elas estão sendo comercializadas ao valor de R$ 20 para ajudar na manutenção dos trabalhos do CVV em Braço do Norte.
O Setembro Amarelo foi criado 2015 pelo CVV, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês escolhido se deve ao dia 10 de setembro ser considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Já a cor é em homenagem ao adolescente americano Mike Emme, que, em 1998, tirou a própria vida a bordo de seu carro, um Mustang 68 amarelo. Os pais e amigos do jovem começaram então a utilizar uma fita da mesma cor do carro para representar o combate ao suicídio, símbolo que se espalhou pelo mundo.

 

Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida surgiu no Brasil em 1962, em São Paulo. Desde então, a entidade cresceu e tem participado ativamente das discussões e implantações de políticas públicas voltadas para prevenção do suicídio. Em Braço do Norte, o posto de atendimento foi implantado em 2016. Naquele ano, 10 pessoas decidiram tirar a própria vida. “Era um índice muito alto. Muito maior que a média nacional para cidade de 30 mil habitantes, a maior taxa de Santa Catarina. Algo a respeito precisava ser feito”, lembra a enfermeira.
Foi quando ela, juntamente com outros profissionais da saúde e voluntários tomaram conhecimento do trabalho realizado pelo CVV. A unidade foi então implantada em Braço do Norte, sendo atualmente mantida com apoio da Casa dos Voluntários, da Secretaria Municipal de Saúde, do Conselho Municipal de Saúde, Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e outros. “Com esse trabalho, conseguimos reduzir consideravelmente os suicídios no município. Chegando, em 2018, ao número de apenas dois. Entretanto, neste ano esse índice se elevou novamente e, portanto, precisamos atuar ainda mais na prevenção. Além do número de suicídios em si, é necessário ater-se também às tentativas de suicídio, que é muito subnotificada” ressalta a coordenadora do CVV.
Além do atendimento telefônico, o órgão presta outros serviços diretamente à população, abertas à toda a comunidade e relacionados a apoio emocional. São 17 profissionais e mais de 20 voluntários que atuam junto ao órgão, oferecendo cursos, tratamentos e dinâmicas que buscam estimular o autoconhecimento e a melhor convivência em grupo e consigo mesmo. “É necessário se conhecer, estar ciente da sua história, dos seus sentimentos a respeito de si mesmo e das pessoas com quem se relaciona. E cada tem o seu jeito de trabalhar seus sentimentos, suas emoções e como externá-las”, destaca Cristina.

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Folha do Vale