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Sai a condenação para trio que arrombou a gruta

Apoucos dias para 12 de outubro, quando o Brasil celebra a sua Padroeira, o juízo da Vara Criminal da Comarca de Braço do Norte anunciou a condenação de três homens por terem furtado dinheiro da Gruta de Nossa Senhora Aparecida da comunidade de Rio Pequeno, às margens da rodovia SC-370, em Grão-Pará. Na madrugada de 29 de março de 2012, segundo os autos do processo, eles arrombaram a caixa de doações com o uso de uma picareta e de um machado e subtraíram uma quantia estimada entre R$ 800,00 e R$ 1.200,00.
Zelita Peron Webber, moradora da comunidade, conta que naquele dia todos ficaram consternados com o ocorrido. “Minha cunhada, que mora aqui perto, ouviu o barulho durante a noite, mas não imaginou que poderia ser alguém tentando arrombar a caixa de doações. No dia seguinte, vimos o que tinha acontecido e todos ficaram realmente muito tristes, inconformados com aquilo. Ainda bem que já havia a câmera de segurança no local e, então, foi possível encontrar quem tinha feito aquilo”, conta. “Essa não foi a primeira vez que roubaram a capela. Já tinha acontecido pelo menos outras duas vezes”, acrescenta.

Milagre às margens da estrada

A família de Zelita foi uma das doadoras do terreno onde foi construída a gruta. Conta ela que, no dia 2 de outubro de 1966, num domingo, um caminhão com a carroceria cheia de torcedores do Esporte Clube Paula Ramos, retornava, após um jogo de futebol, da localidade de Rio Cachorrinhos, quando ficou sem freios e despencou ribanceira abaixo. Naquele momento, um dos ocupantes do veículo, o então capelão da comunidade Bernardo Bloemer teria gritado: “Minha Nossa Senhora, protegei-nos!”
“Eram umas 60 pessoas naquele caminhão. E todos saíram com vida, alguns com poucos machucados. Foi mesmo um milagre. Pela graça de todos terem ficado bem, então foi construída uma pequena gruta no exato local do acidente. Minha família, juntamente com a de um dos meus cunhados, doou o terreno para a construção. Com o passar dos anos, as visitas e a grande quantidade de pessoas que vinham nos dias de celebração obrigou a comunidade a ampliar a gruta. A última obra foi a construção dos quiosques na parte que fica atrás da capela. Agora o pessoal pode até mesmo fazer um churrasquinho”, relata.
Zelita lembra das celebrações movimentadas que neste ano não poderão ser realizadas. “Costumavam realizar missas e outros eventos aqui. Mas agora, por causa da pandemia, não tem mais acontecido. A gente nem sabe o que vai ser daqui para frente, quando o povo poderá vir para prestar honra à Nossa Senhora. Mesmo assim, a gruta continua sempre movimentada. Todos os dias, muitos motoristas param aqui para fazer a sua oração e pedir proteção. Moradores da região também caminham até aqui, bem como os ciclistas visitam o local”, diz.

A condenação
O trio que arrombou a Gruta de Nossa Senhora Aparecida foi condenado pelos crimes de “furto qualificado, com requintes de sacrilégio, mediante rompimento de cadeado e da tampa da caixa de doações e concurso de pessoas”. A sentença foi proferida pela juíza substituta Tiane Lohn Mariot. Eles cumprirão pena de um ano e quatro meses de reclusão, inicialmente em regime aberto, além do pagamento de multa. Ainda cabe recurso à sentença.

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Folha do Vale