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Renda de Bilro é ensinada em Armazém

Costume artesanal chegou ao Brasil com os portugueses. Durante gerações, a técnica foi passada de mães para filhas

TRADIÇÃO foi passada em curso através da Casa da Cultura

Uma tradição que se recusa a morrer. Assim é a prática da renda de bilro, que se entrelaça com a história dos açorianos que vieram para Santa Catarina há 270 anos, colonizaram todo o nosso litoral e espalharam este tear pelo Estado. No começo, a renda era a profissão de muitas mulheres, colaborando com os ganhos da família.
Durante gerações, a técnica foi passada de mães para filhas. Mas, hoje poucas são as crianças e jovens que se interessam pelo artesanato local. Para que a tradição não se perca e possa conti-nuar contribuindo como fonte de renda para as famílias, um projeto tenta revitalizar a prática do artesanato tradicional em Armazém.
Mais de 40 alunas, divididas em turmas com horários e turnos alternados, concluíram, na quinta-feira, 12 de dezembro, os cursos de Renda de Bilro e de Pintura em Tecido. As aulas foram oferecidas pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte, através da Casa da Cultura.
O Curso de Renda de Bilro contou com o apoio pedagógico da professora Cleir Pinter Corrêa Preis, com a participação especial das moradoras do Bairro Nossa Senhora Aparecida, Olga Viana, Terezinha Viana e Valdeli Oliveira, a “Valda”, que contribuíram com orientações sobre a técnica de rendas feitas de Bilros.
O interesse de várias pessoas, até mesmo alguns jovens, em aprender as técnicas, levou a realização deste curso”, explica a professora Cleir. “A Olga e sua cunhada Terezinha vieram de Laguna, há mais de 50 anos, e trouxeram esta tradição aqui para Armazém. Com o passar dos anos, ela foi sendo esquecida. Para não deixar desaparecer, realizamos este primeiro curso, que teve 40 horas de duração”, diz. O sucesso do curso foi tamanho que um novo já está programado para acontecer em 2020. “A empresária Ana Maria Renan, aqui mesmo de Armazém, vai ministrar o próximo curso”, conta Cleir. Segundo ela, Ana, que é proprietária de uma pizzaria e uma sorveteria na cidade. Aos 4 anos de idade, aprender a tear e fazia renda de bilro para ajudar na renda familiar.
A Renda de Bilros é um costume artesanal que chegou ao Brasil com os portugueses. É produzida pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios têxteis, executado sobre o pique (cartão com o padrão do desenho a ser tecido) e com a ajuda de alfinetes e dos bilros (pequenas peças de madeira torneada). Uma das extremidades do bilro tem a forma de pera ou de esfera, e o fio está enrolado na outra extremidade. Eles são manuseados aos pares, em movimentos rotativos, orientados pelos alfinetes. O pique é fixado sobre uma almofada feita com palha ou algodão, apoiada sobre um suporte de madeira ajustável, de forma a ficar na altura do trabalho da rendeira.
A origem dessa renda é controversa, mas a cidade de Peniche, em Portugal, é citada por seu elevado nível em arte e produção. Em meados do século XIX, existiam em Peniche quase mil rendeiras, e as oficinas particulares ensinavam crianças a partir dos quatro anos de idade.

Pintura

O Curso de Pintura em Tecido, com 60 horas de duração, foi conduzido pela professora Cleir Pinter Corrêa Preis e tem a proposta de trabalhar a autoestima dos participantes nas diversas faixas etárias, contribuir para o aumento da renda familiar, bem como valorizar o potencial artístico de cada um.

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Folha do Vale