sexta-feira, janeiro 15Diário online de Braço do Norte

Redes sociais

Coluna de Robson Kindermann

Acompanho a dieta alimentar de pessoas conhecidas e até de estranhos. Fico sabendo que meu amigo está de férias na praia. Fiquei sabendo que um vizinho meu está viajando pela Itália, a trabalho. Mando condolências pela morte da avó de alguém que mal conheço. Vejo fotos de mulheres grávidas, logo já sei se será menino ou menina. E me comovo. Sinto como se fosse íntimo da pessoa que acabou de postar no Facebook ou no Instagram. Sinto-me enxugando suas lágrimas, que aparecem ser somente de alegrias. Só que não estou perto da pessoa. Muitos, eu nem sei quem são, mas descobri tudo isso apenas lendo comentários deixados na postagem.
Nunca fomos tão íntimos de todos. Já postei meus textos, o que eu penso que não precisamos estar bem todos os dias (aliás, nem estaremos). As redes sociais estão mostrando (ou nós que estamos mostrando), sufocando e fazendo acreditar que todo dia tem que acontecer algo incrível. Como não chamá-la para um próximo churrasco aqui em casa? E o reino encantado das confidências? Sou contra as milhares de postagens diárias. Esse é o mundo irreal é o faz de conta. Intimidade, a gente tem com poucas pessoas. O que temos é uma aproximação fantasiosa. As pessoas amam você, mesmo sem conhecer você? Eu gostaria de ser a pessoa que você pensa que eu sou. Só que sou cheio de fraquezas e erro muito.
As redes sociais trazem uma intimidade disfarçada. Eu penso que será uma ferramenta que ficará obsoleta, até que venha a próxima. É o reino encantado do faz de conta. Intimidade, para valer, exige tempo, paciência e também convivência. Nas redes todo mundo está ou se faz de feliz ali. Ok. Acredito que Deus fez para que a gente seja feliz. Deus quer que sejamos felizes, não me resta dúvidas disso, só que temos que aprender a ser felizes fora das redes sociais. Ali, a sensação é que todo mundo é feliz, que ninguém tem problemas. Eu acho que humanos inventaram uma ótima ferramenta para lidar com seu EGO.
Quem está realmente perto de você todos os dias? Eu não quero escrever que não temos que postar, ou que não devemos procurar sonhar, que não devemos procurar coisas melhores. A vida alterna em ciclos. Tem momentos que é mais interessante olhar para dentro para enxergarmos nossos pontos fortes e fracos. É que eu estou achando estranho seres humanos seguindo outros sem que jamais venham a pertencer a vida do outro. Eu sei que as redes sociais também ajudam um monte a gente ser gente e deixar de ser bicho que vive só dentro de casa. Seguimos um e o outro, ofertamos um like, ganhamos um amigo que talvez nunca conheceríamos. E que nas redes sociais dificilmente haverá ou existirá uma intimi¬dade de verdade.

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Folha do Vale