terça-feira, janeiro 19Diário online de Braço do Norte

RECUPERAÇÃO ECONÔMICA

Coluna de Antenor Turazi

Os programas governamentais de recomposição de renda têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e até do investimento. Contudo, várias atividades do setor de serviços, sobretudo aquelas mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, permanecem bastante deprimidas. Destacou que ainda há muitas incertezas sobre o rumo dessa retomada, seja por conta da evolução da pandemia do novo coronavírus, também por conta da necessária redução nos auxílios emergenciais a partir do final desse ano. O Comitê ponderou que esta imprevisibilidade e os riscos associados à evolução da pandemia podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma retomada ainda mais gradual da economia, conclui a ata do Copom. O Copom acredita que a natureza da crise provavelmente implica que pressões desinflacionárias provenientes da redução de demanda podem ter duração maior do que em recessões anteriores. Por isso, projeta uma inflação de 1,9% para este ano, de 3% em 2021 e de 3,4% em 2022, em um cenário com o câmbio a R$ 5,20 e uma taxa de juros que encerra 2020 em 2,00% a.a. e se eleva até 3,00% a.a. em 2021 e 5,00% a.a. em 2022.

INSTABILIDADE NOS PREÇOS

O Comitê também avaliou que, com a Selic em 2% ao ano, “já estaríamos próximos do nível a partir do qual reduções adicionais na taxa de juros poderiam ser acompanhadas de instabilidade nos preços de ativos”. O Copom lembrou que a taxa básica de juros tem um potencial limite efetivo mínimo que é significativamente maior em economias emergentes do que em países desenvolvidos, devido à presença de um prêmio de risco, e tende a ser ainda maior no Brasil, “dadas a sua relativa fragilidade fiscal e as incertezas quanto à sua trajetória fiscal prospectiva”. O Copom acredita, então, que os juros baixos sem precedentes podem comprometer o desempenho de alguns mercados e setores econômicos, com potencial impacto sobre a intermediação financeira. Para o Comitê, essa situação pode gerar aumento da volatilidade de preços de ativos e afetar, sem o devido tempo necessário de transição para um novo ambiente, o bom funcionamento e a dinâmica do sistema financeiro e do mercado de capitais. Para o presidente do BC, a recuperação econômica da crise também vai exigir um crescimento mais inclusivo e sustentável, com um foco maior na renda básica, na governança e na sustentabilidade, um avanço cada vez maior das inovações tecnológicas, já que a quarentena acelerou o uso das ferramentas digitais.

TAXA BÁSICA DE JUROS

Mesmo com as informações do Ministério da Economia de que a recuperação econômica da crise do novo coronavírus já começou, essa retomada é parcial e deve seguir de forma “ainda mais gradual”. A avaliação é do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que, por isso, acredita que as pressões desinflacionárias podem ter duração maior do que em recessões anteriores. O Copom também avisou que a taxa básica de juros (Selic) está próxima do seu limite mínimo. E disse que, por isso, eventuais novas reduções na taxa de juros exigiriam cautela e gradualismo adicionais e “poderiam ser temporalmente espaçadas”. A avaliação do BC sobre o cenário econômico brasileiro foi publicada por meio da ata da última reunião do Copom, quando o Comitê reduziu a taxa básica de juros de 2,25% para a nova mínima histórica de 2% ao ano de forma unânime. A ata do Copom explica que os últimos indicadores econômicos sugerem uma recuperação parcial no Brasil, já que os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo.

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Folha do Vale