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Queda no consumo de derivados de leite afeta setor

Produtores estão descartando animais e antecipando a secagem de vacas leiteiras  

Com a queda no consumo do leite e seus derivados, os produtores da região estão sendo aconselhados a diminuírem a produção, descartando para o abate algumas vacas mais velhas e secando prematuramente alguns animais.

Em Braço do Norte, os cerca de 450 criadores proporcionam uma produção média diária de 320 mil litros de leite, o que caiu drasticamente nas últimas semanas para 250 mil litros por dia, que são consumidos pelos cinco lacticínios instalados no perímetro municipal e além de outros na região. Com o início da estiagem, momento em que o pasto começa a ficar escasso, há uma diminuição natural na produção leiteira de 10%. Porém, a redução brusca no consumo dos derivados do leite, com o fechamento de restaurantes e pizzarias, fez com que os lacticínios ficassem com suas câmaras frigoríficas abarrotadas. Sem ter como estocar e para quem vender, orientaram os criadores de leite a diminuir a produção em até 40%.

É o que está fazendo o criador Márcio Kniess que, além de produtor, transporta o leite de diversas propriedades até os lacticínios. Dos 115 animais da raça Jersey criados em sua propriedade na localidade do Azeiteiro, apenas 50 estão em lactação. “Antecipei a secagem de alguns animais”, revela que com isso também diminui as despesas com o gado. “Já encaminhamos para o abate aqueles animais um pouco mais antigo e aqueles que já estavam com pequena produção de leite”. Já na área do transporte, observou uma redução de 20% a 40% na produção, conforme a linha que recolhe o leite. “É um momento de adequar a produção”, resume o secretário de Agricultura de Braço do Norte, Adir Engel.

Com a estiagem prolongada, o pasto diminuiu e o reforço da silagem é obrigatório, o que fez crescer os custos com a alimentação. Além disso a ração concentrada, com milho, casca de soja e minerais tiveram aumentos significativos nos últimos dias. Por outro lado, o preço pago ao produtor, esta semana, passou da média de R$ 1,50 para R$ 1,43 o litro, pois depende muito da negociação de cada produtor.

Quanto aos prejuízos, Márcio diz que depende muito dos custos da produção. “O meu sistema de criação é de semiconfinamento. Portanto, apesar custos terem aumentado nos últimos dias, e do preço pago pelo litro do leite estar diminuindo a cada mês, ainda consigo ter um pequeno lucro. Porém, posso garantir que aqueles que criam gado confinado já estão tendo prejuízo”, lamenta Márcio.

Secagem das vacas

A secagem de vacas leiteiras é um processo que interrompe a lactação, ou seja, o animal não pode ser ordenhado. Secar uma vaca é importante para a regeneração dos tecidos secretores do leite, que dura 60 dias e que ocorre entre o fim da lactação e o parto.

Laticínios vivem realidades diferentes

Os lacticínios que tinham como principais clientes as pizzarias e restaurantes, que têm nos derivados do leite, como queijo, nata e requeijão sua fatia de mercado, reduziram a produção ou mudaram de segmento para não fecharem. “Nossos clientes são, na sua maioria, pequenos e médios mercados e mercearias que, de certa forma, estão vendendo até um pouco mais neste momento”, explica Bianca Becker, proprietária do lacticínio Da Nona, do Rio Carolina, em Braço do Norte.

Mesmo readequando as vendas que era voltada aos restaurantes para atender os pequenos mercados, Bianca foi obrigada a diminuir em 10% a produção, além de ter que reduzir o preço de alguns produtos. “Na parte de restaurantes e pizzaria, tivemos que renegociar com alguns estabelecimentos que optaram em permanecer fechados até que possam voltar a operar normalmente. Mas tudo dentro de uma expectativa de curto espaço de tempo”, detalha.

A empresária não vê grandes problemas no seu setor se o consumo se manter assim por mais 60 dias. “O problema será se isso se prolongar por muito tempo, até julho, por exemplo”, alerta. Para ela, será difícil as fábricas estocarem os queijos, que tem prazo de validade, já que a produção de leite é constante e o consumo cai.

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Folha do Vale