domingo, março 7Diário online de Braço do Norte

Procura-se o Tobe

Moradora de Gravatal procura por cachorro desaparecido

Por Fernando Freitas
Jornalista e Publicitário

“Oi, bom dia. Vi a reportagem sobre animais e meu cachorrinho sumiu aqui de casa faz uns nove meses. O nome dele é Tobe, procurei muito por ele. As esperanças foram acabando e hoje, olhando o face, vi a senhora com o cachorrinho parecido com o meu no colo. Como faço pra chegar até ela? Vocês me ajudam?” A mensagem foi recebida pela fanpage da Folha do Vale pouco antes das 7 horas da manhã de quinta-feira, 10 de abril. Foi envidada por uma moradora da comunidade Indaial, interior de Gravatal, que fica a somente cinco quilômetros de Capivari de Baixo. Chirley Effting acreditava que a foto do cão que ilustrava a matéria da Folha do Vale, adotado por uma moradora de Braço do Norte, seria o seu animalzinho que desapareceu de sua residência.

A Prefeitura de Braço do Norte, há cerca de 30 dias, recolheu boa parte dos cachorros de rua da cidade. Eles foram vacinados e chipados, o que permite sua identificação caso sejam localizados na rua novamente. Uma campanha de doação foi realizada na Praça da Igreja Matriz e um, dos dez animais adotados, foi acolhido pela administradora Iully Torres. Casada e “mãe” da Lara, uma poodle de quatro anos que ganhou de presente, Iully ficou sensibilizada com a campanha de adoção e a vontade de ter mais um cãozinho a levou até a praça naquela manhã de sábado. Desde pequena, sempre foi apegada a cachorrinhos. É comum parar para brincar com os bichinhos na rua e dar comida. É do tipo de gente que é gente. Que se comove com os abandonados. Sentiu que era a hora de ter mais um cão. Na hora da escolha ficou na dúvida entre dois. Mas só teria espaço para mais um em seu coração, neste momento. Olhou para uma feminha e para o machinho. Chegou perto dos dois e foi o cachorrinho que deitou a cabeça sobre a sua mão. Num gesto que poderia estar dizendo “me leva pra casa, vai”, Iully não teve dúvidas. Era aquele cão, sem raça definida, que seria seu novo amigo. O cão foi batizado com o nome do deus nórdico do trovão: “Thor”. Talvez o mais popular deus da mitologia nórdica. A alegria dos dois ficou eternizada na foto que chegou a ser utilizada pela Folha do Vale para ilustrar a matéria da adoção.
Nossa equipe de jornalismo se sensibilizou em logo aproximar Chirley e Iully, que além de “y” no final do nome, poderiam ter mais uma coisa em comum. A jornalista Jéssica Simiano criou um grupo no Whatsapp para que as duas pudessem conversar e ali ser construída a história deste reencontro.
Na mesma manhã Chirley mandou um áudio para Iully contando como Tobe havia desaparecido. No comovente relato, recorda que o vira-latas, que hoje deve ter uns quatro anos, fazia muito barulho quando ficava preso na corrente no pátio da casa. “Não parava de latir”. Por isso, decidiram deixá-lo solto. Quando isso acontecia, era a felicidade da família e do filho mais velho. Pois o cãozinho chegava a acompanhar a criança até na escola. Como estavam construindo uma casa nova, há poucos metros da residência onde moravam, era comum o Tobe ficar em uma e na outra casa. Porém, em certa manhã, ele não foi mais localizado. Foram diversos dias de buscas e muita espera. “Sempre tive a esperança que um dia ia encontrar o meu cachorrinho”, relatou o áudio. Iully prometeu mandar uma foto do cãozinho assim que chegasse em casa. Nela Thor aparecia belo e formoso, já ambientado em sua casa nova. Aliás, Thor, deixou de ser um cão de rua, porque agora tem teto e sua casa própria fica na garagem da residência de Iully. Solto no pátio, faz questão de acompanhar sua “mãe”, diariamente até o portão da casa. Quando ela retorna, Thor já está no portão esperando.
Com a foto no grupo, Iully explica que o veterinário acredita que o Thor deva ter no máximo um ano e meio, o que não coincide muito com os quatro anos do Tobe. Mas, vai saber! As cicatrizes são idênticas. Aquela no rosto, inclusive, de uma confusão que Tobe se meteu com cachorros de rua e apareceu todo ensanguentado. Mas, o rabo entregou! Tobe era potoco. Seu rabo havia sido cortado e na foto Thor exibia seu peludo e comprido rabo. Para tirar das dúvidas que Tobe não era Thor, um vídeo foi gravado em que Thor é chamado de Tobe. Nem mexe o rabo.
Para Chirley ficou a esperança de ainda rever seu Tobe. “Que deve ter sido adotado por alguém, pois era muito querido”. Para Iully, sobrou muito amor e uma história para contar!

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Folha do Vale