Plano Safra e a pandemia. A agricultura e pecuária em destaque esta semana

A coluna de Antenor Turazi desta semana transcreve parte da entrevista da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, concedida ao Correio Braziliense.

A senhora lançou em solenidade comandada pelo presidente Jair Bolsonaro, o Plano Safra. O que os pequenos produtores podem esperar?

O Plano Safra foi concebido em cima dos planos de investimento e de custeio dos pequenos e médios produtores rurais, que são a maior parcela da nossa agricultura. Ano passado já foi o maior Plano Safra dos pequenos e este ano conseguimos aumentar em quase 13% a quantidade de recursos.

Esse plano vem com juros menores. Quando o produtor pagará?

Depende da faixa, porque nós temos vários planos. Quem está no Pronaf, que são aqueles pequenos agricultores familiares, terá juros de 2,75% até 4% ao ano. Os médios terão 5%. Os grandes terão acima de 6% e investimentos, como compra de máquinas, chegam a 7,5%. Mas, a parcela maior é de juros entre 2,75% a 4%.

Tem uma linha de financiamento também para os bioinsumos?

Lançamos há 15 dias uma política nacional de bioinsumos. É um segmento que está crescendo, vai trazer ganhos espetaculares para produtores e consumidores. Na soja temos, há anos, uma tecnologia que já permite a fixação de nitrogênio no solo. Isso traz uma economia e o solo fica biologicamente mais correto, trocando fertilizantes de produtos fósseis por fertilizantes biológicos. É uma grande conquista da Embrapa. Precisa ser feita uma estrutura nas propriedades, pequenas fábricas para deixar esses produtos prontos para serem aplicados nas lavouras. Algumas linhas, dentro do Plano Safra, vão financiar essas ferramentas.

Como a senhora vê o papel do setor privado no financiamento à agropecuária?

Temos um mercado muito travado, temos dificuldades com juros livres de mercado. Esse Plano Safra vai balizar outras instituições que aplicam em agropecuária para cobrar juros menores. A agricultura não parou durante a pandemia. O impulso da economia pós-coronavírus com certeza passa pelo setor, que vai ser uma opção segura para bancos e investidores. O setor mostrou para a sociedade urbana o que fazia, mas sempre ficou muito escondido. Agora, isso ficou claro para nós que vivemos na cidade e dependemos dos alimentos para viver.

O fechamento de restaurantes na pandemia atingiu o segmento de hortifrutigranjeiros. O que vem para esse setor?

Quando a pandemia chegou, montamos um grupo de acompanhamento para os setores que teriam mais problemas. Esse, por incrível que pareça, se adaptou e está dando a volta por cima. Infelizmente não são todos os produtores, mas a maioria. Nós prorrogamos as dívidas de custeio do setor para agosto. Agora em julho, os produtores podem tomar esse novo crédito para não parar as atividades. Também tivemos R$ 500 milhões em recursos novos para compras da agricultura familiar, que é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O mercado de flores foi muito afetado por causa do cancelamento de eventos. Há alguma linha especial para esse setor?

Eles entram na faixa em que estão inseridos, pequenos, médios ou grandes. Não conseguimos uma linha especial para eles. Estamos tentando ver se conseguimos algo específico. Eles foram atendidos, mas não na medida que precisavam.

A pandemia pode atrapalhar as exportações brasileiras?

Pode. Vivemos em um momento novo e diferente. Tenho a certeza de que o mundo será outro após a pandemia e a exigência pela qualidade dos alimentos será maior. O ministério terá, ainda, mais responsabilidade na fiscalização dos produtos que exportamos. Esse é um papel que já temos, mas nossa responsabilidade cresce.

Como a agricultura pode ajudar o país na geração de empregos após esta crise?

Essa é a grande preocupação do governo. A agricultura desempregou pouco e pode gerar muitos empregos. Achamos que teremos um aumento de área plantada, mas ainda estamos fazendo levantamentos. O aumento de tecnologia no campo traz a geração de mais empregos, o que é extremamente positivo.


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