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Pesquisa: 76% dos pequenos negócios já estão funcionando

Em março deste ano, quando estourou a pandemia do novo coronavírus, Alex Oliveira, gerente administrativo da Molduras Oliveira, de Braço do Norte, estava preocupado com continuidade da empresa. A demanda havia caído drasticamente e os 40 funcionários que a fábrica possuía tiveram que ser reduzidos para 20.
“Além da diminuição do quadro de funcionários, tivemos também que cortar a carga horária dos demais, por meio do programa de ajuda oferecido pelo Governo Federal, e alguns outros benefícios. Realmente estava muito preocupado se poderíamos continuar se a situação perdurasse por muito tempo”, lembra Alex.
As semanas foram passando e, aos poucos, as coisas foram melhorando. A empresa foi se adequando à nova realidade, buscou a manutenção da sua carta de clientes e, com o retorno da demanda por seus produtos, investiu na produção. “Aproveitamos o momento para nos reorganizar, modernizar alguns processos. Também fizemos investimentos na produção e adquirimos uma nova máquina, e essas mudanças têm dado certo, graças também à compreensão e o apoio dos nossos colaboradores. Nosso principal mercado, que é São Paulo, voltou a procurar nossos produtos, e já estamos readmitindo pessoal. Hoje, além dos 20 funcionários que permaneceram, temos mais sete, que estão em período de experiência”, diz satisfeito e esperançoso de que tudo deve melhorar ainda mais nos próximos meses.
A esperança de Alex com relação à fábrica molduras é o que vem sendo sentido em todo o Brasil. Pela primeira vez desde o início da pandemia no país, apresentaram uma melhora no otimismo quanto ao retorno à normalidade da economia. Com a flexibilização do isolamento social em todo o país e o movimento de reabertura dos estabelecimentos em grande parte dos estados, as micro e pequenas empresas começam a dar sinais de reação diante da crise.
Esse retrato mais favorável é revelado pela 6ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, em parceria com a FGV, entre os dias 27 e 30 de julho. No levantamento, 76% dos 6.506 empresários participantes, afirmaram que os negócios voltaram a funcionar, sendo a maioria (63%) de forma diferente da que funcionava antes da crise.
A pesquisa também constatou que houve uma melhora no nível de endividamento dos pequenos negócios. Enquanto no, final junho, 40% dos empresários possuíam empréstimos ou dívidas em atraso, um mês depois, esse percentual caiu para 36%.
A 6ª pesquisa de impacto colheu dados de forma online de empresários de todos os 26 estados e DF, sendo 57% Microempreendedor Individual (MEI), 38% Microempresa e 5% Empresa de Pequeno Porte.
O levantamento do Sebrae também revelou um expressivo crescimento na proporção de empresas que buscaram empréstimos desde o início da crise. Entre a última semana de março e a última semana de julho, o percentual de pequenos negócios que buscou crédito saltou de 30% para 54%. Entretanto, observa-se que esse aumento na procura não tem sido acompanhado, na mesma velocidade, pela oferta de recursos por parte do sistema financeiro. A pesquisa mostrou que 56% dos empreendedores tiveram seus pedidos de empréstimo negados.

Inovação

Ainda de acordo com a pesquisa, a busca pela inovação e digitalização das empresas (em especial dos canais de venda), deixou de ser uma tendência e se tornou realidade para 66% dos pequenos negócios. Entre as diferentes plataformas, a versão comercial do WhatsApp é a ferramenta digital mais procurada. 46% dos empresários ouvidos já usavam o aplicativo antes da crise e 12% aderiram a esse sistema após a chegada da pandemia.

Outros dados da pesquisa

Houve redução de 84% para 81% na proporção de empresas que afirmam que estão sofrendo uma diminuição no seu faturamento. O volume dessa perda de faturamento também registrou uma pequena redução de -51% para -50%.
Entre os segmentos mais afetados pela crise, o Turismo apresentou uma leve melhora nas perdas do faturamento, de -76% para -74%.
Outros segmentos que apresentaram melhoras no faturamento: Indústria de Base Tecnológica (de -45% para -35%); Saúde (de -46% para -36%), Moda (de – 56% para -50%), Serviços de Alimentação (de -56% para – 51%), Indústria Alimentícia (de – 40% para – 37%).
Entre os segmentos que tiveram piora destacam-se: Pet Shop e Serviços Veterinários (de – 24% para – 37%), Agronegócio (de -37% para – 45%), Energia (de – 49% para – 57%), Artesanato (de – 44% para – 47%) e Logística e Transporte (de – 53% para – 58%).
A maioria das empresas (62%) conhecem e já implementaram os protocolos de segurança definidos pelo poder público para o funcionamento da sua atividade.
As empresas em locais com maior risco de aglomeração têm mais dificuldade de funcionar. Sendo assim, as empresas que funcionam dentro de feiras ou shopping populares e aquelas que funcionam em algum veículo como Uber e Transporte Escolar, estão sofrendo mais com a pandemia.
41% dos Microempreendedores Individuais (MEI) trabalham em casa e 52% das micro e pequenas empresas funcionam em loja/sala de rua.

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Folha do Vale