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Pensamentos fluem

Coluna de Robson Kindermann

Pensamentos fluem. As ideias aparecem em mais um dia das minhas escritas nesse jornal. Várias vezes repeti, pensei e escrevi. Este texto escrevo em homenagem ao Tom de Oliveira, quem nos deixou. Para onde vão as pessoas que morrem? Nesse ano, alguns amigos, outros conhecidos. Pai e mãe arrancaram um pedaço de mim cedo – se recolheram (ou se libertaram, se expandiram?). Nesse “outro lado”, seja o que for, dependendo da crença, da filosofia de vida. Será que os mortos estão pedindo licença para morrer? Fácil escrever, difícil viver, mas a gente consegue. O sol clareia no horizonte. Mesmo enlutado, se acalma. Daqui a pouco começa outra batalha, outros descaminhos e desconcertos. Talvez seja momento de se curar tantas desnecessárias feridas. Divisão, hostilidade, afastamento até de pessoas que se amam.


Números de mortos nos cercam, perto ou longe. Nos empurram para o canto, mais uma vez. Quantos agora? Um, dez, cem, mil? Nenhuma dúvida que a humanidade anda muito louca, a Terra, o clima, o estresse, tudo. Eu posso ser a próxima vítima, você pode ser a próxima vítima. As pessoas não vão acreditar enquanto um familiar seu não pegar. Ou seja, as pessoas só acreditam quando acontece próximo a elas. As empresas realmente não podem fechar, as pessoas precisam trabalhar. Seja como for, querendo ou não, a senhora morte nos espera no fim do corredor. Cedo ou tarde, cedíssimo às vezes, ou tardíssimo quando temos idade avançada. Mortes coletivas, e os responsáveis sabiam do perigo, fugiram, ignoraram, arriscando – e destruindo a vida de centenas de pessoas. Na verdade, somos todos culpados, não existe “um” culpado.


Vida de funcionários, de amigos, de parentes, de vizinhos. De uma vida inteira. De um pequeno país, ou de um país grande. Tudo sumiu. Não vi, em minhas décadas de vida, um tempo com tanto mortos, com tanto medo, com tanta facilidade de divergências de opinião. Pode isso? Pode sim, está acontecendo, e confesso que é difícil entender. Como misturar afetos com política. Essa vida incerta e insegura já mudou o rumo e ainda vai mudar, porque a vida é assim, povos são assim, política é assim. O que não se ameniza é o sofrimento emocional. Talvez estejamos cansados, estou percebendo que somos imaturos, não sofremos o suficiente. Povo não educado e não informado. Talvez sejamos muito alienados, e estamos tentando se organizar em bandos.

O mundo de hoje é uma ideia global. E apesar de muitos pensamentos diferentes, de muitos avanços e muito atrasos, ainda é fascinante e acolhedor viver aqui. E muito mais quando se corrigem a miséria, a ignorância, a doença, o isolamento e os ódios rasteiros, essa desinformação turbulenta. Por fim, a vida pode machucar mais que imaginamos. Pode quebrar, destruir, arrasar. Quem sabe não estamos levando suficientemente a sério. Estou escrevendo para entender alguma coisa. E querendo inventar um sentido para a vida.

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Folha do Vale