terça-feira, janeiro 19Diário online de Braço do Norte

“Parece que as pessoas tiraram férias do coronavírus”

A afirmação do secretário de Saúde da Prefeitura de Braço do Norte reflete a preocupação de todos os municípios da Amurel: uma nova onda de contágio em função do relaxamento das medidas preventivas neste período

Na sexta-feira da próxima semana, dia 15 de janeiro, completa dez meses do início da pandemia decorrente do alastramento do coronavírus na Amurel. Braço do Norte foi a primeira cidade a registrar casos da doença.

Hoje, conforme dados do governo catarinense, a região segue com risco potencial considerado gravíssimo. Ou seja: as chances de mais pessoas contraírem a doença e terem enormes problemas ou morrem é altíssima.

O fato de não haver um tratamento específico e a vacina ainda não ser uma realidade, torna o perigo ainda maior. O que não falta são motivos para que todos continuem com as medidas de segurança e prevenção, como o uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos.

Contudo, com o período de férias, calor e sem qualquer expectativa quanto ao retorno das aulas presenciais, não é exatamente isso que se percebe na região, especialmente nas cidades praianas. Há, sim, um visível relaxamento em relação às medidas preventivas.

Outro desafio das prefeituras é a conscientização da população: muitos acreditam que como já há confirmação de uma vacina não faz mais sentido prevenir. “Um erro que pode ser fatal”, alerta o secretário de saúde da prefeitura de Braço do Norte, Sérgio Fernando Domingos Arent.

Sergio: “Parece que as pessoas também tiraram férias do coronavírus”

“Parece que as pessoas também tiraram férias do coronavírus. Mas precisamos que todos fiquem vigilantes. Realmente tivemos uma queda considerável no número de casos e a explicação mais plausível é o período de festas de fim de ano e férias. Tem muita gente fora da cidade, nas praias”, argumenta.

O número da taxa de ocupação hospitalar também diminuiu no fim do ano. Até esta quarta-feira, 6 de janeiro, o Hospital Santa Teresinha (HST) está com 72% dos leitos para Covid ocupados. A questão é: quando as pessoas retornarem das férias será que continuará assim?

A possibilidade de uma nova onda de casos e até mesmo um colapso do sistema de saúde, em especial quanto aos leitos de UTI na região deixa o município em alerta máximo.

“Temos que considerar todos os cenários e esta é uma possibilidade. Por isso já tratamos de ampliar os recursos e reforçar a equipe no centro de triagem. Hoje atuamos por 12 horas, com três médicos. Também providenciamos uma equipe de retaguarda. Nosso estado está na matriz de risco gravíssimo e as pessoas precisam entender isso: a pandemia não passou”, avisa o secretário.

Notícias sobre a vacina tiram o foco da prevenção

Um dos pontos que fez com que a população perdesse um pouco o medo do coronavírus são as recentes notícias sobre as vacinas contra o vírus da Covid-19. Contudo, apostar no que muita gente já classifica como “a salvação e o fim da pandemia” é um erro nesse momento.

Nenhuma empresa ainda pediu o registro definitivo ou a autorização para o uso emergencial

Apesar dos diversos anúncios e até mesmo da apresentação rasa do plano nacional de operacionalização da vacina contra a Covid-19, feita pelo Ministério da Saúde em 16 de dezembro, a verdade é que até o momento não há vacina registrada e liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em resumo: nenhuma empresa pediu o registro definitivo ou a autorização para o uso emergencial de uma vacina para a agência até esta quarta-feira.

“Recebemos com ânimo as notícias sobre a possibilidade de vacinar a população catarinense. Mas não sabemos se virá mais de uma vacina, quando ou até mesmo a quantidade de doses. Continuamos a recomendar que todos sigam as diretrizes de prevenção. No momento é a única arma que temos”, avisa o secretário de saúde da prefeitura de Braço do Norte, Sérgio Arent.

Mesmo sem muitas informações a respeito de um plano de imunização em Santa Catarina, a prefeitura de Braço do Norte tratou de reforçar também as salas de vacinação. A medida visa tornar o processo mais organizado, rápido e seguro.

“Sabemos que haverá vacina este ano. O fato de não sabermos quando não frustrou nossos planos de deixar tudo pronto. Ampliamos a quantidade de insumos e também de câmaras de armazenamento. Desta forma, não importa o ‘quando’, pois já estamos preparados”, valoriza Sérgio.

No plano nacional está previsto que a vacinação inicie ainda este mês. Porém, não há uma data para isso. Em Santa Catarina, um acordo com o Instituto Butantan pode garantir a chegada das primeiras doses de uma vacina contra o coronavírus no estado ainda este mês.

Assinado em dezembro, em São Paulo, entre o instituto paulista e a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), o protocolo reserva 500 mil doses da Coronavac para serem adquiridas diretamente pelos municípios catarinenses.

As doses serão destinadas prioritariamente aos profissionais de saúde. Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, a Coronavac está sendo produzida no Instituto Butantan através de uma parceria com a empresa asiática.

No momento os testes estão na fase final. Se os resultados forem satisfatórios, será feito o pedido de liberação da vacina à Anvisa.

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Folha do Vale