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Pai e filho se reencontram após 13 anos

Osni Barcelos, morador de Rio Fortuna, teve um filho há 20 anos, mas não teve mais notícias dele depois do fim de relacionamento

Osni e o filho Erick se reencontraram em Rio Fortuna depois que o jovem decidiu entrar em contato para conhecê-lo

Um reencontro que levou 13 anos para acontecer. Caminhoneiro por profissão, Osni Barcelos, de 61 anos, hoje morador de Rio Fortuna, já conheceu praticamente todo o Brasil. Há 20 anos, quando se mudou para Guarulhos, em São Paulo, para trabalhar para uma empresa de transportes, conheceu Elisabete Carlos, com quem namorou durante algum tempo. Desta relação nasceu Erick. Quando o casal se separou, o garoto estava com cerca de sete anos e a mãe se mudou, sem avisar, para Pirituba, também em São Paulo, e não deu mais notícias de seu paradeiro para o antigo parceiro.
Osni voltou para Santa Catarina e, garante, nestes anos, sempre pensou na criança da qual se separou. Para sua surpresa, no início de fevereiro recebeu a grande notícia: o filho que há tanto tempo não via mais, entrava em contato com o pai. “Por telefone, ele me contou que estava me procurando e o que fez para poder me encontrar. Que havia pesquisado por pessoas com sobrenome Barcelos no Facebook aqui na região.Até que entrou em contato com a minha irmã, Neusa. Perguntou se ela conhecia alguém ou tinha algum parente chamado Osni. Ela respondeu que tinha um irmão com esse nome. Minha irmã, então, providenciou o contato entre nós dois”, conta o motorista.
O telefonema encheu de alegria o coração do velho caminhoneiro. Nestes anos em que esteve separado do filho, sempre procurou saber sobre o garoto. Osni também procurava nas redes sociais e em contato com pessoas que ele conhecia em São Paulo. Mas não obtinha sucesso. “Eu não sabia que sobrenome ele estava usando e, na minha cabeça, o nome dele era Érico. Então, eu sempre procurava por Érico. Mas aí, quando ele me ligou, explicou que seu nome era Erick e contou a sua história. Aí tudo fez sentido e a emoção que eu senti na hora não tenho como explicar”, comenta.
Os dois, no telefone, se deram tão bem, que combinaram de se ver. Erick, hoje com 20 anos, morando com a mãe em São Paulo, ansioso, decidiu visitar o pai o quanto antes. O reencontro aconteceu no último fim de semana de fevereiro. “Ele saiu de São Paulo e, por conta própria, veio me encontrar”, diz Osni, não escondendo a felicidade

Experiência diferente

“Está sendo uma experiência bem diferente para mim. Porque é como encontrar uma pessoa desconhecida. É tudo uma novidade, é uma sensação nova. As pessoas costumavam perguntar sobre ele para mim e eu sempre imaginava que, se nesses anos ele não me procurou, provavelmente não tinha interesse em me conhecer. Mas depois eu decidi entrar em contato com ele, mais por curiosidade, e agora está sendo essa experiência totalmente diferente”, comenta Erick.
Neste reencontro, o jovem passou alguns dias com a família do pai, conheceu tios, primos e até os irmãos por parte de pai. “Ele me contou como foi sua infância, falou da mãe, que o criou muito bem. Me trouxe um recado dela, pedindo desculpas por também não ter entrado mais em contato comigo depois que nos separamos. Foi um grande presente de Deus. Porque eu já tinha perdido um filho em um acidente de trânsito e, agora, ganhei o Erick de volta. E o que eu posso dizer, nesses dias em que a gente está se conhecendo, é que ele é um menino de ouro. Teve uma infância bastante humilde. Mas foi muito bem cuidado pela mãe”, ressalta o pai. Disse que o filho estava trabalhando em uma transportadora, mas não pôde continuar porque estava morando muito longe do serviço e a empresa não cobria as despesas de transporte. “Mas também contou que já tem outras empresas interessadas em contratar ele. Ele é muito responsável e muito educado. Só tenho coisas boas para dizer sobre ele”, diz, orgulhoso, o pai.
Erick já foi embora. Seguiu para São Paulo na última quarta-feira, dia 4. Mas Osni não o deixou ir sem que fizesse algo significativo para marcar o reencontro. Com ele foi até o cartório de registro civil e o reconheceu oficialmente como filho. O jovem, por sua vez, adotou o sobrenome do pai e passou a se chamar Erick José Carlos Barcelos.

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Folha do Vale