sábado, janeiro 23Diário online de Braço do Norte

O que encanta na gente

Coluna de Robson Kindermann

O que surpreende na gente não são braços fortes e nem pernas bem torneadas. O que encanta na gente é a maneira que somos tratados e reconhecidos pelo outro. O que conforta e saber que ali a gente encontra “conforto”, segurança e reciprocidade. Tem gente que tem um corpo incrível, e não se tem nada de errado nisso. Mas, isso por si só, não “vale” muito. O que vale é o que você sente. Até mesmo beleza não se discute. Cada um com a sua. Mas, não são os braços fortes, nem a bunda grande que prende uma pessoa. Beleza atrai, sim. Mas, para criar raízes, só ficamos por outras qualidades e outros atributos.
Você é o que você sente. Ah, as conexões. Tem gente que chega de mansinho e vai criando laços, devagarinho, com a calmaria de um fim de tarde. Tem gente que dura uma vida inteira. Tem gente que chega no verão e vai embora na quarta-feira de cinzas. Tudo ensina, todo encontro ensina. Uma lembrança bonita, um aprendizado importante, uma cicatriz. Até os encontros que machucam são necessários. Tudo é benção ou lição. Tudo tem hora, porque é aprendizado. Todas as conexões e os encontros e sua forma de levar (viver a vida) contribuíram para ser quem você é hoje.
Às vezes as coisas ficam imperceptíveis a olho nu. Em outros momentos é preciso olhar com mais carinho e atenção. O que encanta em tudo isso é a maneira que somos tratados. Não é um dia, não é um momento exato (pontual). São os pequenos detalhes, são os pequenos gestos, que encantam. De novo, não são bundas e nem braços. É a importância que você tem na vida do outro (ou a não importância). Vejo tanta gente se desvalorizando nas relações com o outro. Tem aquela música que diz: “Libera ela”, ou “ele” no caso. Libera, você é o outro de um relacionamento “sem importância” não prenda mais o outro. Não se engane, não se iluda. Ninguém consegue enganar seus sentimentos por muito tempo.
A vida é o companheirismo, mesmo nos momentos bons para os não tão bons assim. É carinho no trato, atenção a qualquer momento. É ser apoiado mesmo quando falta o chão. É saber ser o apoio. É saber ser colo. É querer proteger. É multiplicar as alegrias e dividir as tristezas que fortalece as relações. É o carinho com o outro. Em meio a uma sociedade que valoriza tanto o material, tanto o externo, não é por acaso que a literatura e a arte lutam, e lutam muito, por um pequeno espaço. É preciso reaprender apreciar o que o que é interno, o que é do coração.

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Folha do Vale