O cenário da economia mundial

Confira o destaque semanal da coluna de Antenor Turazzi

Diante da piora nas previsões para a economia mundial em virtude da Covid-19 e da dificuldade de compreensão de autoridades para a seriedade da crise que está se formando, as chances de o país entrar em recessão são certas. Mas pode ser pior, na avaliação da economista Monica De Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE), de Washington.
Para ela, as medidas que o governo tem sinalizado não serão suficientes para recuperar a atividade econômica. “O país pode entrar em depressão. Recessão é certa”, afirmou em entrevista ao Correio Braziliense. O quadro que o mundo enfrentará é de retração econômica, que reflete uma situação de guerra, como o presidente Emmanuel Macron (da França) falou. No caso do Brasil, será pior, alerta. A depressão consiste em um período longo de crise, como a que ocorreu em 1929, com o crash da Bolsa de Nova York. Esse cenário que é o pior dos mundos na economia, porque considera um elevado índice de falência de empresas, aumento acentuado do desemprego, escassez de crédito no mercado, baixos níveis de produção e de investimento, queda nas transações comerciais, alta volatilidade nas bolsas e no câmbio, além de hiperinflação e, obviamente, crise de confiança no governo. Monica lembra que haverá uma paralisação generalizada da atividade econômica por conta do confinamento das pessoas. “Estamos falando da possibilidade de uma crise de insuficiência aguda de demanda e de oferta por mais de um ano. Tamanha ruptura nós jamais testemunhamos. Essa crise é inédita”, alerta.

CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL

Em reunião extraordinária o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou  medidas para facilitar a renegociação de dívidas de empresas e das famílias, no valor de até R$ 3,2 trilhões. Foi a forma que o Banco Central encontrou para enfrentar os estragos promovidos pelo novo coronavírus na economia. Pela primeira medida, estão aptas à renegociação de empréstimos as empresas e as famílias com boa capacidade financeira e que  mantêm operações de crédito regulares, sem atrasos nos pagamentos. A meta é permitir “ajustes de seus fluxos de caixa, o que contribuirá para a redução dos efeitos temporários decorrentes da Covid-19”, informa o comunicado do BC. A repactuação dos empréstimos poderá ser feita pelos próximos seis meses, e, segundo a autoridade monetária, cerca de “R$ 3,2 trilhões de créditos” devem ser “qualificáveis”. Trata-se de uma forma de evitar que o país mergulhe em nova recessão. Há projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) apontando para crescimento de apenas 0,5% neste ano.

OUTRA MEDIDA

 A segunda medida expande a capacidade de utilização de capital dos bancos (diferença entre o capital efetivo e o capital mínimo requerido), reduzindo o colchão do Adicional de Conservação de Capital Principal (ACPConservação) de 2,5% para 1,25% pelo prazo de um ano. Isso ampliará a folga de capital do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em R$ 56 bilhões. Ou seja, os bancos terão maior capacidade para a concessão de até R$ 637 bilhões em novos empréstimos. Após este período, o ACPConservação será gradualmente restabelecido até 31 de março de 2022 ao patamar de 2,5%. Essas ações são somadas à redução da alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo e, segundo o BC, aperfeiçoam as regras do Indicador de Liquidez de Curto Prazo (LCR) visando a redução da sobreposição entre esses instrumentos. “O efeito prático e conjunto dessas medidas é uma melhora das condições de liquidez do SFN em torno de R$ 135 bilhões, o que irá contribuir, nesse momento, para suavizar os efeitos do COVID-19 sobre a economia brasileira”, afirma o BC em nota.


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