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O ANO DE 2020

Coluna de Antenor Turazi

Estamos caminhando para o final do ano de 2020. O ano iniciou com um cenário promissor, muita fé e muita esperança de desenvolvimento na economia, indicadores positivos em vários cenários. Desde março tudo mudou por conta de um problema mundial chamado de coronavírus. Este tal Covid-19 se instalou no mundo, afetando a nossa vida, nossa saúde, nosso comportamento, nossos hábitos, nossa economia. Os números da pandemia são assustadores e dessa forma iremos terminar o 2020 e começar o 2021.


Vou encerrar os meus comentários e informações desta coluna neste ano, passando as sugestões fornecidas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de que o Brasil tem possibilidades de enfrentar uma recessão profunda e prolongada, como a década perdida nos anos 1980, ou uma recuperação econômica “lenta e decepcionante”, caso não retome o ajuste fiscal e destrave as reformas econômicas no pós-pandemia. O alerta consta no Relatório Econômico da OCDE sobre o Brasil 2020. O documento explica que a pandemia de Covid-19 “mergulhou a economia em uma recessão profunda” e calcula que, por isso, o Brasil vai acabar este ano com uma queda de 5% do Produto Interno Bruto (PIB). A OCDE ainda projeta um déficit primário de 10,7% do PIB e um endividamento de 91,4% do PIB para o país, por conta do aumento dos gastos e da redução de receitas provocada pela pandemia. E conclui que melhorar os resultados fiscais continua sendo um dos principais desafios do Brasil.


A questão fiscal já era desafiadora e agora espera-se um acréscimo de 20 pontos percentuais do PIB na dívida pública bruta. De acordo com nossas projeções, a dívida ficará ligeiramente acima de 100% do PIB em 2026. O desafio reside em gastar melhor, em vez de gastar mais, alertou o secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría. A OCDE recomenda que o Brasil reveja subsídios ineficazes, regimes fiscais especiais e gastos tributários, melhore a eficiência dos gastos públicos, ajustando as despesas com o funcionalismo, reduza a rigidez orçamentária por meio da desvinculação e da desindexação do Orçamento. Para a organização, isso é necessário para que o país garanta o cumprimento das regras fiscais, como o teto de gastos, e diz que um eventual abandono dessas regras “poderia inviabilizar a recuperação”. Além disso, a OCDE afirma que o país precisa avançar nas medidas econômicas que podem melhorar o ambiente de negócios, como a reforma tributária, pois entende que “sem profundas mudanças estruturais para aumentar a produtividade, a recuperação será lenta e decepcionante”.


Segundo alguns consultores, o ano de 2020 está fadado a ser um dos piores para a economia global em mais de 70 anos. Possivelmente a China será a única grande economia a registrar algum crescimento prevendo que a economia dos EUA encolherá em cerca de 4%, com os mercados desenvolvidos como um todo e os mercados emergentes (exceto a China) retraindo em 5 a 6%. Dos investidores, 48% estão bastante ou um pouco otimistas quanto ao cenário para a economia global nos próximos 12 meses, mas esse número aumenta para 66% em uma perspectiva de cinco anos. Independente disso, a expectativa é de que 2021 será um Ano de Renovação. A atividade econômica na China já se normalizou amplamente. E, após dados iniciais animadores de eficácia da vacina, existe a confiança de que as vacinas estarão amplamente disponíveis até o segundo trimestre de 2021. Isso deve colocar a Europa e os EUA nas vias para uma recuperação sustentável. Com estas hipóteses, acredita-se que os lucros das empresas se recuperem rapidamente e os lucros dos mercados desenvolvidos se aproximarão dos níveis de 2019 em 2021.

Para concluir, estima-se que as empresas de mercados emergentes lucrarão cerca de 15% mais em 2021 do que em 2019, impulsionadas por um robusto crescimento dos lucros na Ásia. O que nos resta é desejar, boas festas!

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Folha do Vale