Nunca uma pelada foi tão importante para a suinocultura

De cancelamento de jogos ao fechamento de pizzarias e restaurantes, a falta que o consumo faz para a produção de carne suína

Sabe aquela “pelada”? Aquela partida de futebol com os amigos que sempre terminam com um salaminho e uma cerveja? Pois é! Há 15 dias todos os encontros e aglomerações estão suspensos para evitar a transmissão em massa do coronavírus Covid-19, assim como o fechamento de restaurantes e pizzarias e as confraternizações que acabavam em uma janta, que garantiam o consumo da carne suína, deixaram de acontecer, despencando o consumo de certos alimentos.

“Nessa segunda-feira fui informado que alguns frigoríficos tiveram o cancelando de seus pedidos de cargas, ou seja, não estão vendendo”, confirma o secretário Municipal de Desenvolvimento Rural, Adir Engel que cita, como exemplo para a queda do consumo, o “sagrado” futebol entre os colegas. “A conta é simples. Pegue a quantidade de jogos de futebol nos campinhos pelo Brasil afora. Todo dia, de segunda a sábado. Todos eles usam de 10 quilos a 15 quilos de carne. Quando não tem futebol, muito pouco deste pessoal consome carne. Comem outra coisa de noite, principalmente pão. Esses jogos não estão existindo, estão todos cancelados”. Adir lembra que quem não está recebendo pelo seu trabalho, está comprando o estritamente necessário. “Feijão, o arroz… nada mais”.

A notícia boa, nisso tudo, é que as exportações se mantiveram, por enquanto. “As agroindústrias não diminuíram o preço pago pelos suínos porque, na questão dos leitões, as exportações estão indo bem. Agora a economia local baseada no suíno e no leite, é preocupante”, acrescenta.

Sem futebol, sem consumo

“O que Adir fala sobre futebol, tem lógica”, defende o empresário e ex-atleta profissional Fernando Lessa, que dirige a Figueira Centro Esportivo no Bairro Vila Nova, em Braço do Norte. Sem abrir o campo e queimar carvão desde 18 de março, Lessa acredita que eram consumidos 45 quilos por semana entre segunda a sexta-feira somente para os 11 grupos de amigos que jogam no local. “Sem falar que tivemos que cancelar, em março, quatro grandes jantares que teriam a carne como prato principal”, ressalta.

“Estamos trabalhando com somente 30% de nossa capacidade”, revela Janete Tenfen Peron, da Jane Alimentos. A charcutaria e frigorífico que dirige está localizado no Alto Travessão, em Braço do Norte e recebeu um bom pedido dos mercados assim que a crise do Covid-19 chegou ao Estado. “Os supermercados ficaram preocupados com o possível desabastecimento e fizeram pedidos em excesso, há cerca de 15 dias. Na semana passada já diminuíram as compras e esta semana está muito parado”. Ela revela ainda que a situação é idêntica na maioria dos pequenos e médios frigoríficos de Braço do Norte. “Com o fechamento das pizzarias, restaurantes e hotéis, boa parte nossos clientes, a tendência era, realmente, diminuir as vendas, ainda mais que o povo só compra o extremamente necessário neste período. O que acaba afetando muito o giro dos produtos nos supermercados”, ratifica. A empresária esclarece que está produzindo conforme a demanda, para conseguir ofertar sempre produtos “frescos”. “Estamos trabalhando com todos os cuidados necessários de higiene e dedetização diariamente. Mas, por outro lado, também ficamos com medo e preocupados com nossos colaboradores e com nós mesmos com toda essa situação que estamos vivenciando. Estamos à espera de dias melhores”, torce.


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