quarta-feira, janeiro 27Diário online de Braço do Norte

Nós escolhemos as nossas prioridades

Coluna de Robson Kindermann

Agente sempre acha que vai dar tempo de visitar o pai e a mãe. Escolhemos colocar o trabalho à frente de qualquer coisa. A gente sempre pensa que terá tempo de sobra. Nos acomodamos nos pensamentos vagos e nem tudo estará ao nosso alcance. Filho que hoje tem 5 anos, amanhã terá 15. A filha que tem 10 anos hoje, num piscar de olhos terá 20 e estará na faculdade. Os filhos crescem, as pessoas se despedem, os amigos vão embora e as oportunidades de se encontrar e se abraçar podem não voltar mais. Quando um amigo ou um conhecido nosso morre, todos vamos ao encontro – por obrigação ou por amor. Mas, é bom que seja assim também.
Isso é um alerta para aqueles que acham que terão tempo de sobra. Infelizmente, a verdade é que não temos esse tempo de sobra. Quando meu pai infartou, aos 60 anos, parece que ele sabia que não teria mais muito tempo. Meu pai não durou muito tempo e, claro, que eu achava que teríamos mais tempo no futuro. Mas, não tivemos. Meu pai sempre dizia para priorizar a família e os amigos. O fato é que escolhemos aquilo que queremos priorizar. Muitas vezes, deixamos para depois pessoas e momentos importantes para ficar no sofá. Tem momentos que nunca mais irão voltar. A falta de tempo já virou desculpa para muita coisa.
As pessoas vão ao encontro daquilo que elas priorizam, aquilo que elas acham que merecem atenção, envolvimento e tempo. Eu sei, nem sempre a gente faz escolhas acertadas, um dia poderão perceber que privilegiavam coisas supérfluas. Priorizar e privilegiar um texto, um encontro. Que você priorize coisas certas, eternas e valiosas. Doutora Ana Claudia Quintana Arantes escreve em seu livro que os maiores arrependimentos das pessoas antes de morrer são: “Eu não devia ter trabalhado tanto” e “Eu gostaria de ter ficado mais tempo com meus filhos e meus amigos”. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo.
Depois… depois o café esfria, os filhos crescem e a casa fica vazia, as paredes denunciam, as músicas do bom e velho rock são substituídas por barulhos novos. Depois o prato quebra, o copo escorrega e a xicara se vai. Então não deixe para depois o que merecer ser dito, amado e vivido.
Não adie o beijo de boa noite, a conversa no boteco, troque o sofá por encontros felizes. E nunca se esqueça que a conta que vale a pena ser vivida são baseadas nas experiências vividas, nos laços criados e as prioridades escolhidas.

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Folha do Vale