Ministro da Economia está otimista

A análise sempre importante de Antenor Turazi

O ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstrou otimismo com a retomada da atividade brasileira após a recessão que está se formando em torno da pandemia de Covid-19, provocada pelo novo coronavírus. Ele evitou dar números e falou que as previsões atuais são meros chutes, porque nenhum modelo econométrico consegue prever a intensidade e a duração dessa crise, mas garantiu que o Brasil vai surpreender na retomada. “Os modelos econômicos estão equivocados”, disse ele em uma teleconferência organizada pelo BTG Pactual. “Qualquer economista sabe que houve mudança do regime e todos os modelos não funciona. Qualquer um que está fazendo previsão está patinando em gelo fino”, afirmou. O ministro fez questão de afirmar que, no começo do ano, antes de o coronavírus chegar ao país, o Produto Interno Bruto (PIB) uma curva ascendente, enquanto o mundo estava desacelerando. Guedes apostou em uma recuperação mais acelerada, com a curva em V, ao contrário do que os economistas mais cuidadosos estão prevendo. A nossa volta pode ser em V e vamos surpreender o mundo. Ano passado, ninguém acreditava com a nossa capacidade de lidar com diferentes opiniões a aprovamos a reforma da Previdência, contou ele, minimizando as críticas em relação à velocidade das medidas que o governo vem adotando para evitar a crise.  O barulho é diário, mas as medidas estão avançando e o Brasil está progredindo, garantiu.

(Brasília-DF, 06/05/2019) Ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Isac Nóbrega/PR

“O coice externo na economia ainda não veio”

Durante a apresentação na teleconferência, Guedes tentou demonstrar um otimismo que não tem sido comum para os agentes de mercado que estão vendo o sobe e desce das bolsas devido ao manancial de incertezas econômicas e políticas no país. O que pode nos deixar um pouco otimistas em relação aos outros é que o Brasil estava em recuperação cíclica no primeiro trimestre, sinalizando reformas estruturais. Não posso esquecer isso. O país estava indo para cima e o mundo está indo para baixo, disse. Segundo o ministro, todos estão sendo testados nesse período de turbulência, pois “o coice externo na economia ainda não veio”. A crise vai tirar de cada um de nós o que temos de melhor, por isso, precisamos ser resilientes, afirmou o ministro durante uma apresentação de quase duas horas e acrescentou que ele tem evitado entrar em brigas.  “Estou sempre com a mão estendida”, disse. O chefe da equipe econômica ainda defendeu uma cooperação de todos como forma de tentar minimizar as polêmicas causadas pelo presidente com os demais poderes e que aumentaram as incertezas no mercado. “Nós temos que nos ajudar. Não é hora de desentendimento de brasileiros”, acrescentou.

CORONAVÍRUS

A estimativa do Instituto Butantã, de São Paulo, é zerar a fila acumulada de testes para o novo coronavírus nesta semana. Em 7 de abril, 17 mil amostras estavam pendentes de análise. O diretor do Instituto, Dimas Covas, justificou a fila como resultado da dificuldade de obter insumos e da centralização dos exames no Instituto Adolfo Lutz. Por isso, no início do mês, o governo do Estado criou uma rede com outros hospitais e hemocentros estaduais da capital e do interior para acelerar as análises. “A situação estava um pouco complicada”, disse Covas ao Jornal O Estado de São Paulo. Com essa força-tarefa, a rede realiza cerca de 5 mil testes por dia. “Vamos chegar a 8 mil muito rapidamente”, garante. A testagem é voltada a amostras de pacientes mortos ou com casos graves associados aos sintomas do novo coronavírus. Além disso, com o aumento da capacidade estadual, será estendida a todos os profissionais de saúde, mesmo que em quadros leves. A projeção é de que os resultados saiam em até 48 horas. Desta maneira, São Paulo, onde está concentrada a epidemia, as autoridades terão melhores informações na tomada de decisões.


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