quarta-feira, janeiro 27Diário online de Braço do Norte

Mercado volta a contratar em BN

Ultrapassar a crise econômica amplificada pelo avanço da Covid-19 é tão desafiador quanto se proteger do vírus. Para muitos empresários, o momento é de cautela. Alguns, para não amargar dívidas, dão o passo mais difícil: fechar as portas.
Negócios maiores, com mais de 100 funcionários, precisaram demitir. Empresas de turismo e de eventos, dois dos segmentos mais afetados pela pandemia, seguem o mesmo caminho. Neste caso o prejuízo é ainda maior, pois ambos os setores não têm nenhuma perspectiva de quando a situação será normalizada a ponto de as atividades serem plenamente retomadas.
Com uma média de mil atendimentos por mês, entre atestados demissionais, admissional, retorno ao trabalho, periódico e troca de função, a clínica Valemed, de Braço do Norte, funciona como um termômetro, ainda que de maneira informal, sobre o nível de empregos na maior cidade do Vale.
Conforme o responsável pela empresa, Paulo Cesar Leandres, os atendimentos para atestados demissionais aumentaram desde março. “Em junho, passaram 312 pessoas por aqui. Cerca de 90% foram para atestados demissionais. Os atendimentos in loco também cresceram, são aproximadamente 250 por mês”, enumera.
Em junho, três empresas utilizaram os serviços da Valemed para demitir todos os funcionários e fechar as portas. São negócios maiores e que não conseguiram manter suas atividades em função da baixa na economia.
“Em Braço do Norte, a maioria das empresas são de pequeno e médio porte. É um comportamento natural de preservação: está bom, contrata. Está ruim, demite”, avalia.
Paulo também integra o Lions Club Vale do Braço do Norte. Desde o começo da pandemia, em março, o grupo busca auxiliar as famílias mais necessitadas com cestas básicas e outros itens essenciais. Desde então, já distribuíram pelo menos 20 toneladas de mantimentos em Braço do Norte.
Apesar do cenário ainda obscuro, os números divulgados nesta terça-feira, dia 28, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) surpreenderam. Braço do Norte registrou aumento no número de empregos pela primeira vez desde o início da pandemia.
Conforme o levantamento do Ministério da Economia, houveram 317 contratações no período contra 271 desligamentos. Um saldo positivo de 46 vagas de trabalhos abertas e preenchidas em junho. No mês anterior, maio, o saldo havia ficado negativo: foram 175 postos de trabalho fechados na cidade.
Num primeiro momento, as duas informações podem parecer contraditórias, mas não são. Ao mesmo tempo em que ocorreram demissões, o mercado voltou a contratar, pois muitos empresários passaram a inovar e apostaram em mecanismos on-line ou de delivery, por exemplo.
Outros resolveram apostar em suas habilidades e tornaram-se Microempreendedores Individuais (MEIs). “O movimento está maior agora, se comparado com março, abril e maio. Em junho, prestamos 63 atendimentos”, afirma o responsável pela Sala do Empreendedor de Braço do Norte, Laércio Guesser.
O canal de suporte fica dentro da Associação do vale do Braço do Norte (Acivale) e funciona desde outubro do ano passado. Desde então, mais de mil atendimentos foram feitos.
O número é considerado alto, pois o espaço foi inaugurado no fim do ano e, quando todos acreditavam que 2020 deslancharia, após o Carnaval, a pandemia estourou.
Também responsável pelo Procon da cidade, Laércio acredita que esta alta pode ser justificada principalmente por dois motivos. O primeiro é que o empreendedorismo está no DNA de Braço do Norte. O segundo é a liberação de linhas de crédito para microempreendedores individuais, o que tornou a abertura do negócio próprio viável e atrativa. “Sem contar que MEIs regularizados contam com todos os benefícios, como o INSS”, lembra.

Rio Fortuna, Grão-Pará e Santa Rosa de Lima mostram maior estabilidade em relação ao nível de emprego

O esforço das cidades do Vale do Braço do Norte em manterem a economia aquecida começa a surtir efeito. Tanto que em junho, o mercado voltou a diferente dos primeiros meses de pandemia (março, abril e maio), o mercado voltou a contratar.
A alta é tímida e não resolve o problema, mas é uma mostra clara de que empresários e funcionários querem voltar a trabalhar e a produzir. Em Rio Fortuna, o saldo de empregos foi positivo após dois meses de queda (abril e maio).
Neste junho, a cidade teve 26 contratações e 23 desligamentos, ou seja, três vagas a mais criadas e preenchidas. Entre abril e maio, o saldo era negativo: um total de nove vagas fechadas no total.
Em Grão-Pará também há registro de melhora, ainda que o saldo tenha continuado negativo. Em junho houve 38 contratações e 49 desligamentos: 11 vagas a menos de trabalho. No mês de maio foram 18 vagas a menos.
Já em Santa Rosa de Lima o saldo ficou negativo em duas vagas. Com a economia basicamente centrada no campo, o número negativo é pela sazonalidade. Em maio, o saldo ficou positivo justamente em duas vagas.

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Folha do Vale