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Mamãe, meu pinto tá duro!

Coluna de Aline Patel

Por volta dos 3 anos, Theo começou a notar que algo diferente ocorria em seu corpo e veio me mostrar. Chegou com o pênis para fora da cueca e disse: “Olha, mãe! Meu pinto tá duro!”. No primeiro momento, achei uma graça a situação. Eu, mãe de primeira viagem, em uma situação totalmente nova, desprevenida, sem saber o que responder, Emendei: “Não tem problema! Já vai passar! Pode colocar dentro da cueca que ele já vai ficar mole de novo!”. Sem saber se estava agindo certo ou não, falei por impulso. Logo compreendi que o que ele buscava era uma explicação para o que estava acontecendo em seu corpo.


Ereção infantil


A ereção infantil é um arco reflexo até os 7, 8, 9 anos de idade. Para melhor explicar, o pediatra Tadeu Fernandes expõe a situação da seguinte forma: “Imagine-se sentada e, se eu bater em seu joelho com um martelo, a perna vai subir independente de sua vontade. Isso se chama arco reflexo simples. Uma reação que ocorre sem um comando do cérebro.”
Essa reação acontece desde que os meninos estão no ventre da mãe. Então, é supernormal acontecer em bebês e em meninos maiores. Pode ocorrer por estímulos diversos, como a vontade de fazer xixi (a bexiga cheia pode estimular o pênis a ficar duro) ou o toque, entre outros.


Segundo o especialista, “a criança é curiosa por natureza, e o menino aprende que mexer na região do testículo ou no próprio pênis deixa duro. Faz por curiosidade, para experimentar sensações. Não tem nada a ver com intenção sexual”, explica.
Como agir?


É importante tratar o assunto com naturalidade. Não se incomodar com a situação. Entendo que, muito embora nossa educação sexual não tenha sido tão repressora quanto a que nossos pais receberam, ainda o foi inadequada. Devemos deixar para trás a percepção sexualizada e erótica dos órgãos genitais. Entender que há uma grande diferença entre sexualidade infantil e sexualidade após a puberdade e a fase adulta. A ereção na criança é uma resposta natural ao próprio corpo.


Portanto, quando a criança vir mostrar sua ereção, não devemos reprimi-la ou ridicularizar o episódio. Evitar frases: “É feio!”; “Tire sua mão daí”; “Que nojo! Vá lavar suas mãos!”. Isso pode abrir janelas traumáticas. E, sim, devemos explicar: “Filho, não precisa ficar assustado. Isso é normal e ele já vai voltar a ficar como antes”. Caso os filhos já sejam um pouco maiores, 4 anos ou mais, pode-se acrescentar a explicação: “A circulação do sangue aumenta em determinados momentos no pênis o que ocasiona ereção, pênis duro. Pode ocorrer também quando você toca nele; quando está com vontade de fazer xixi. Depois de uns minutinhos ele volta ao tamanho normal. E, isso é normal. Acontece com todos os meninos e homens adultos”.


Aproveitar o momento para conversar sobre intimidade e privacidade. E que não deve, por exemplo, ser feito na frente dos outros – iniciar uma prevenção ao abuso sexual infantil.


Quando a intenção começa a ser sexual?


Ainda estou longe dessa fase, mas aproveitei minha pesquisa para ir além. Em resumo, ao chegar na fase da puberdade é importante deixar a natureza seguir seu curso. Não é saudável proibir o toque. O mais importante é manter o canal de diálogo aberto para ter a confiança desse pré-adolescente e informá-lo sobre as mudanças de cada fase. Aceitar que o filho cresceu e faz parte.

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Folha do Vale