Males Humanos

Por Robson Kindermann Sombrio

Por muito tempo pensei, escrevi e disse. Que os males humanos foram sempre os mesmos. É que a loucura toda da vida moderna já contamina nosso café da manhã. Abro site da globo.com para ver as notícias e o que vejo? “Polícia identifica 23 vítimas mortas por milícia”. Parei de ler quando dizia que um dos suspeitos de liderar a milícia é vereador eleito, ex-secretário Defesa Civil. Leio também a notícia do jogador Neymar e: “Polícia conclui inquérito e não indicia jogador por estupro”. As aflições, as malandragens, as corrupções, os assassinatos absurdos, os piores aleijões morais. Tudo é meu, tudo é seu, nosso pão de cada dia.
E a vida vai ficando pior? Não sei. Estamos todos estressados, por termos valores fracos, tortos ou nenhum. Porque estamos incrivelmente fúteis (começando pelas letras das músicas). Outra notícia, fulano autor da música tal de baixo calão está passando férias no exterior com valor da diária de R$ 20 mil (parei de ver as notícias de novo). No entanto, nos deixamos atingir por qualquer maluquice. Até mesmo porque até nossos ídolos são os mais transtornados, complicados. Nossos desejos não tem limites, nossos sonhos andam ralinhos. Temos costumes de enfeitar pratos (ganham arquitetura), mas não podemos comer.
A ideia central é que vamos cada vez mais ganhando tempo para viver. Mas, não sabemos o que fazer com ele. Podemos ter mais saúde, mas intoxicamos com mais excesso de remédios. Drogas conhecidas não bastam, então usamos doses cavalares. A pressão social e até a insistência de governantes nos impõem o grande consumo em massa. Eu, em casa escrevendo no interior desse país, sou parte dessa loucura toda. Porque tenho de certa forma alguma voz, escrevo e falo. Sem ilusão. Talvez estejamos apenas passando uma fase ruim da humanidade que conserva fulgores.
Uma linda borboleta entra no quarto que escrevo, faz um barulho lá na sala escuto as vozes das crianças brincando, ligo uma música no meu computador que merece todo respeito de “sublime” gente honrosa e produtiva. Ainda dá pra viver nesse planeta. Ainda dá para ter esperança, de alguma forma, algum dia espero que a gente comece a se curar enquanto sociedade. E a miséria de cultura que não mate mais ninguém.


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