terça-feira, janeiro 26Diário online de Braço do Norte
Aline Patel Tramontin | aline31644@gmail.com

Mãe na real

Nesta semana, tive um encontro com algumas amigas. O número de mães do grupo vem aumentando e, consequentemente, vem a troca de experiências. Um assunto que tem conquistado nossas rodas é a romantização da maternidade seguido do medo de não dar conta da tarefa de ser mãe.


Com o distanciamento do mundo real e a aproximação da utópica vida do Instagram, cada vez mais a comparação tem se tornado inevitável. Não raro vemos lindas cenas de ensaios de gestantes, mães apenas de lingerie, aquele sorrisão com aquele barrigão perfeito. O pai presente, e, se já tiverem filhos, eles também estão lá. Após essa fase, vem o newborn – fotos do recém-nascido, geralmente em torno dos dez dias. E, após, as fotos mensais até completar um ano. Para terminar o primeiro ano, um festão de aniversário. Claro, no meio de tudo isso tem a foto amamentando, foto de passeio em família, etc. Por mais que já saibamos que a vida real é bem diferente, essas cenas mexem com a gente.


Cada vez mais encontramos mães com depressão pós parto. O puerpério tem sido considerado, para muitas, a fase mais complicada de todo o processo da maternidade. Pois, além das transformações físicas, o psicológico pode vir a ser afetado. O puerpério é popularmente conhecido como a quarentena ou resguardo, que são os 45 dias após o nascimento do bebê. Algumas mães já começam a manifestar sintomas antes do nascimento, e é provável que intensifique após.


De mãe para mãe: é normal e vai passar. É comum o aumento de peso, hemorroidas, sentimento de que o parceiro vai procurar por outra mulher, sentimento de culpa pelo parto não sair como planejado, dor da cicatrização, dificuldade para se movimentar, o inchaço que demora a desaparecer, os pés parecerem pão, o desafio da amamentação, sentimento de culpa das que não conseguem, peitos doloridos, candidíase mamária, fissuras com sangramentos, noites mal dormidas, enfim, uma infinidade de situações e emoções que a nova mãe não está preparada.


É preciso pôr um fim no conto da romantização da maternidade. Um fim na imposição da sociedade de que o parto deva ser de tal e tal modo que todas conseguem amamentar; que é necessário registrar todos os momentos.


É importante a nova mãe encontrar uma rede de apoio que a aconchegue e que a escute sem a remendar ou corrigir. Uma mãe precisa ser ouvida. A forma de agir é ela que definirá. E tá tudo bem mudar de conduta no meio do caminho. O importante é direcionar para o seu bem estar. É claro que nisso está incluso o bem estar de toda a família. Porque mãe nunca pensa só nela. A romantização da maternidade faz com que muitas mulheres se achem malucas ou péssimas mães quando, na verdade, vivem cenas supernormais.

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Folha do Vale