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Leite de longa vida sofre aumento de até 50% nos mercados

Preço dos alimentos preocupam, embora possa haver diminuição da demanda nos próximos meses

Com as medidas restritivas à população para combate à epidemia do novo coronavírus, cresce a preocupação com relação ao aumento geral do preço dos alimentos ao consumidor. Nesta semana, o Procon de Santa Catarina e o Ministério Público notificaram três grandes laticínios do Estado (Tirol, Terra Viva e Aurora), por conta do reajuste no valor final do leite longa vida, de caixinha.
Em alguns supermercados, no início do mês de março, o litro do leite UHT poderia ser comprado até por R$ 2,12. Enquanto que, nos últimos dias, o produto chegou até R$ 3,23, segundo o Procon/SC. Um aumento de mais de 50%.


A reportagem da Folha do Vale conversou com o proprietário de um laticínio do Vale, que solicitou para que não fosse identificado. Na sua análise, o reajuste do preço do leite de caixinha faz sentido, por conta do aumento do custo para o produtor rural. Porém, acredita que pode, sim, haver algum abuso. “Para o produtor, o custo tem aumentado. Muitos insumos são precificados em Dólar. O preço da ração subiu bastante e o clima tem andado muito seco. Tudo isso pesa para o produtor”, relaciona.
“Nós não embalamos leite, nossa especialidade são os queijos. Mas, analisando que o valor que está sendo pago ao produtor está na faixa de R$ 1,40 o litro, e o leite de caixinha estava sendo vendido na gôndola a pouco mais de R$ 2,00, faz sentido esse reajuste. Mas, um aumento de 50% pode ser considerado abusivo. A não ser que esses grandes laticínios resolvam repassar esse reajuste também para o produtor, aí pode ser mais justo”, analisa o empresário.
No caso dos queijos, o fabricante acredita que a tendência do preço pode até ser inversa. Vai depender do tamanho da recessão que virá após a crise de saúde por conta da epidemia de coronavírus. “Não temos ideia do tamanho da recessão que virá após tudo isso passar. Apesar no nosso custo de produção, pode ocorrer uma diminuição da demanda. Por esta razão, nós e outros laticínios da região já enviamos comunicados aos produtores para que eles estejam preparados para esta situação”, informa.
A análise é corroborada pela empresária Rosidalva Mayer Wensing Rech, a “Dalva”, sócia do Supermercado Colonial, de Braço do Norte. “Realmente, os laticínios que fornecem o leite longa vida promoveram um reajuste maior. Inclusive, houveram pedidos que fomos fazer há alguns dias e teve fornecedor que negou. Depois, aceitaram nossos pedidos com o valor reajustado”, destaca.
Segundo Dalva, neste momento de restrições para tentar conter a epidemia de coronavírus, o leite tem sido o único produto a sofrer um reajuste acima do normal. “No geral, os alimentos seguem no mesmo valor do que antes da quarentena.
Além do leite, o único produto que também aumentou para nós foi o óleo de soja. Mas, isso foi porque, por conta da safra da soja, o preço tinha baixado bastante e, digamos que, agora, voltou ao normal”, explica. “Com relação ao queijo, também faz sentido que o preço possa baixar no varejo. Inclusive temos alguns em promoção”, finaliza.

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Folha do Vale