Latam inicia processo de reorganização financeira

Coluna semanal de Antenor Turazi

Esta semana aconteceu o anúncio de que o Grupo Latam e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos pediram recuperação para iniciar um processo de reorganização financeira com base no Capítulo 11 da lei norte-americana. O CEO da companhia no Brasil, Jerome Cadier, garantiu que a medida não afeta as operações no país. Contudo, Cadier ressaltou que, sem ajuda, o setor aéreo não vai sobreviver. O executivo também explicou que o uso do Capítulo 11 da Lei dos Estados Unidos, mecanismo utilizado pelo Grupo Latam, é bastante diferente do pedido de recuperação judicial no Brasil. Cadier buscou tranquilizar o mercado. “Tenho falado para os colaboradores e parceiros de negócios que, no Brasil, a operação segue normal. Não muda praticamente nada. A empresa continua honrando as passagens, os pontos, as dívidas e os salários. Precisamos de tranquilidade para reestruturar o grupo”, disse. 

SERVIÇOS AÉREOS

O presidente da Latam Brasil destacou que a demanda caiu a níveis nunca antes vistos. E que a recuperação, por conta disso, não será de curto prazo no setor aéreo. “Eu gostaria que a ajuda fosse maior, mas o tamanho do socorro depende da situação fiscal do governo. A capacidade de ajudar o setor é muito diferente nos Estados Unidos e na Europa. Aqui, não se consegue o mesmo apoio. Mas, independentemente do tamanho do socorro, sem ajuda do governo não tem solução. O setor aéreo não vai sobreviver”, ressaltou. Para ajustar a sua dívida, o Grupo Latam vai reduzir a quantidade de aeronaves e o custo das operações. E vai começar fazendo isso pelo Chile, onde estão firmados os contratos, afirmou Jerome Cadier. Ele explicou que há uma diferença entre o pedido de recuperação judicial no Brasil e o uso do Capítulo 11 da lei norte-americana. “No Brasil, 90% das empresas que pedem recuperação judicial não saem, já no Capítulo 11, conseguem sair. Nos EUA, é um processo conduzido por uma corte americana, cujo principal objetivo é colocar a empresa de volta”, disse.

CORONAVÍRUS

Em meio ao crescimento exponencial de casos e mortes do novo coronavírus no Brasil, estudos tentam prever quantas mortes o país pode registrar nos próximos meses. Na avaliação do Institute for Health Metrics and Evoluation (IHME), estima-se que 125,8 mil pessoas devem morrer de covid-19 até agosto, caso não haja medidas para frear as infecções no país. Nesta semana, o Brasil voltou a confirmar mais de mil mortes por dia e os números de contaminados crescem fortemente. A pesquisa americana aponta que as fatalidades podem colocar o Brasil em primeiro lugar em números absolutos, caso os Estados Unidos mantenham a tendência de queda nas atualizações diárias. Representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) fizeram um alerta em cima das estimativas anteriores, de 88,3 mil mortos até o início de agosto. Na América do Sul, estamos particularmente preocupados com o fato de que o número de novos casos reportados na última semana no Brasil foi o mais alto para um período de sete dias desde o início da pandemia, afirmou a diretora da Opas, Carissa Etienne. Sendo puxado pelo Brasil, para Etienne, “não há dúvida, nossa região (América Latina) se tornou o epicentro da pandemia”. A expectativa é que a média diária de morte continue ultrapassando a margem de mil. Com o atual número de casos confirmados, o país permanece em segundo lugar no ranking mundial de nações com mais casos da doença, atrás apenas dos Estados Unidos. 


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