Grão-Pará no comando do Lacen

Nascida em Grão-Pará, diretora do Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina, comanda um dos órgãos mais importantes no combate ao Covid-19

Uma das peças mais importantes na corrida contra o novo coronavírus é o Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina, o Lacen. Através dos resultados dos exames emitidos por ele, o Estado e os municípios, observam onde há ocorrências de mais casos e formulam estratégias de combate. O que poucos sabem é que a direção deste laboratório está aos cuidados de uma grãoparaense. A bioquímica Marlei Pickler Debiasi dos Anjos, 52 anos, comanda desde 2019 a instituição. Sob sua responsabilidade estão, diretamente, 180 colaboradores.

Considerado o pulmão da operação que detecta a presença do Sars-CoV-2, como é nomeado cientificamente o novo coronavírus que causa o Covid-19, Marlei, como é conhecida em Florianópolis, mas “Deda” para os amigos e familiares que deixou em Grão-Pará, disse para a reportagem da Folha do Vale ter ficado preocupada quando os primeiros casos de transmissão comunitária em Santa Catarina iniciaram em Braço do Norte. “A cada nome que vinha para a realização dos exames eu ficava imaginando quem seria? Fico preocupada com a saúde destas pessoas pois, conheço boa parte das famílias da região”, explica. “Fico triste em saber que pessoas tão próximas do meu convívio, até algumas que não conheço poderiam ficar doentes”, diz. “E para quem nasceu e morou na região, sempre traz no coração as saudades e muito orgulho da terra e do povo da nossa região”, revela. A bioquímica é filha do ex-vice-prefeito, Ladau Debiasi, já falecido e de Terezinha Pickler, a qual vem visitar seguidamente.

Marlei deixou Grão-Pará, em 1985, quando tinha apenas 17 anos para estudar na Universidade Federal de Santa Catarina. Após se formar, continuou morando na Capital onde trabalhou por nove anos em empresas privadas. Em 1994, após realizar concurso público para o Estado, começou a atuar em um hospital de Florianópolis. “Foram 7 anos, até iniciar no Lacen, em 2001, onde atuei na equipe de Imunologia no combate a doenças como o sarampo, dengue, rubéola e outras sorologias”, detalha sua ação por quase 18 anos. No começo de 2019, com a mudança de governo, assumiu a Gerência Técnica de Biologia Médica do Laboratório.

Poucos meses depois, em agosto de 2019, foi elevada ao cargo máximo dentro da instituição, que também é subordinada a Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV) da Secretaria de Estado da Saúde.

Laboratório detectou primeiro caso de BN

O Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Santa Catarina realiza os exames para identificação do novo coronavírus desde quinta-feira, 12 de março. Logo no primeiro dia de trabalho o Lacen confirmou os dois primeiros casos positivos no Estado, um deles de Braço do Norte. Antes, os exames eram realizados no laboratório de referência Nacional na Fiocruz Rio de Janeiro.

Segundo a diretora, o Lacen realiza o exame RT PCR em Tempo Real, específico para detecção do genoma do vírus na fase inicial da infecção e normalmente até 7 dias do início dos sintomas. “Pacientes com sintomas mais graves, o vírus pode ser detectado por mais tempo”, acrescenta.

Segundo protocolo da Secretaria de Estado da Saúde, estão sendo priorizados pacientes hospitalizados, casos graves, gestantes e funcionários da saúde sintomáticos. “Os profissionais de saúde se justificam pelo fato de que precisam ter o diagnóstico mais rápido para retorno ao trabalho, já que é um serviço essencial”, reforça Marlei. “Atrasos na liberação podem ocorrer devido a estas prioridades e situações normais em laboratório, como ter que retestar amostras cujo resultado foi inconclusivo. Nossos profissionais são muito criteriosos e competentes”, garante.

Casos leves, com poucos sintomas, são orientados a realizar o isolamento social até a completa recuperação. Para não transmitir a outras pessoas.

O dia a dia no Lacen

Mais de 30 profissionais estão envolvidos na produção e distribuição de kits de coleta, recebimento e triagem da amostra biológica, processamento do exame, digitação de resultados e conferência e liberação do exame trabalhando por mais de 12 horas por dia. “Recebemos, em média, 200 amostras por dia e devido ao problema de desabastecimento, hoje temos, 359 amostras aguardando exames”, esclarece a diretora. Nestes primeiros 15 dias de trabalho já foram realizados mais de 2.000 testes pela equipe.

O Lacen distribui kits de coleta para as unidades de saúde que enviam as amostras para realização de exames em nosso laboratório. “Durante a pandemia, estamos produzindo em média 1.000 kits por dia. As amostras já coletadas podem ser entregues no laboratório em dias úteis das 7 às 19 horas, e trabalhamos ainda em regime de sobreaviso a noite (após às 19) e finais de semana”, esclarece.

A realização dos testes em Santa Catarina deu agilidade ao diagnóstico e descarte dos casos suspeitos nos primeiros dias. “Porém, o número reduzido de insumos, que são compostos por um conjunto de reagentes específicos para o diagnóstico laboratorial da Covid-19, faz com que tenhamos dificuldades em realizar os procedimentos com a agilidade esperada”, explica a diretora, que a demanda de exames é bem maior do que recebem os reagentes dos fornecedores.

“Não é um problema local. As fábricas não estão dando conta de atender todos os pedidos dos laboratórios do mundo todo”, justifica. “É o mesmo que você tivesse uma lanchonete, desembarcasse um ônibus com pessoas com fome e querendo todos comer e você só tivesse cinco coxinhas fritas e um estoque pequeno para fritar”, exemplifica Marlei. Estamos em processo de aquisição de testes comerciais importados para ampliar a capacidade. Chegam na próxima semana”, tranquiliza a diretora. “Queremos dar respostas mais rápidas às pessoas que estão aguardando seus exames. Acreditamos em um serviço público de qualidade”, diz.

Diferença entre Coronavírus, Covid-19 e Sars-CoV-2

Em meio à pandemia, os termos coronavírus, Covid-19, Sars-Cov-2, entre outros, entraram para o cotidiano. O vírus que ocasionou a pandemia ficou popularmente conhecido como coronavírus.

Os Coronavírus são uma família de vírus que causam infecções respiratórias. Existem outros 4 tipos de Coronavírus conhecidos como os causadores da Síndrome Respiratória aguda grave (SARS) e Síndrome Respiratória do oriente médio (MERS).

 Por ter sido descoberto recentemente, no início ele era chamado de “novo coronavírus“, sendo nomeado por fim como Sars-Cov-2. A sigla faz referência a síndrome respiratória aguda grave – coronavírus 2. Com o nome do vírus definido, foi preciso nomear a doença causada por ele. Assim surgiu a nomenclatura Covid-19 que conhecemos hoje. Ela faz referência à patologia ocasionada pela contaminação do Sars-Cov-2. O nome foi um escolhido por derivar das palavras “corona”, “vírus” e “doença” (ou “disease” em inglês) e 2019, o ano em que foi descoberta, por isso CO VI D – 19.


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